Stephanie Maia: do recomeço nos Estados Unidos à conexão entre corpo, mente e espírito

Antes de construir sua trajetória nos Estados Unidos, Stephanie Maia tinha uma vida bastante diferente no Brasil.
Formada em Arquitetura e filha mais nova de uma família muito unida, cresceu tendo nos pais, casados há 45 anos, uma de suas maiores referências de estabilidade familiar.
Mas havia uma batalha que a acompanhava havia muito tempo: sua relação com o próprio corpo.
Stephanie sempre lutou contra o sobrepeso. Em 2014, decidiu mudar sua rotina e iniciou um processo de emagrecimento. No ano seguinte, começou a correr com acompanhamento profissional e, pouco tempo depois, entrou para o triathlon.
O esporte ganhou cada vez mais espaço em sua vida. Vieram as provas, os desafios e até o Ironman.
Naquele momento, ela ainda não imaginava que, anos depois, olhar para uma camiseta daquela prova seria um lembrete de sua própria força.
O recomeço nos Estados Unidos
Em 2016, Stephanie se casou e passou a trabalhar ao lado do então marido em uma empresa ligada à construção civil.
Ele já havia vivido por muitos anos nos Estados Unidos. Stephanie também carregava o desejo de morar no país e, quando decidiram ter um filho, entenderam que aquele poderia ser o momento de começar uma nova vida.
Ela chegou sabendo que provavelmente não conseguiria exercer a Arquitetura imediatamente. Quinze dias depois, estava trabalhando como ajudante de faxina. Recebia 30 dólares por casa limpa.
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Naquele início, seus objetivos passaram a ser medidos de uma forma muito concreta. Quando queria comprar alguma coisa, Stephanie calculava quantas casas precisaria limpar para conseguir.
Era uma maneira de transformar limitações em metas.
Mas a parte mais difícil da imigração não estava apenas no trabalho. Havia a saudade da família, a ausência em datas importantes e as restrições financeiras de quem estava começando novamente.
Stephanie conhecia de perto uma realidade compartilhada por muitos imigrantes: em um novo país, muitas vezes é preciso deixar temporariamente de lado aquilo que se fazia para fazer aquilo que precisa ser feito.
Quando o exercício deixou de ser apenas sobre o corpo
Com o passar do tempo, algo mudou na relação de Stephanie com a atividade física.
O que havia começado com o desejo de emagrecer deixou de ser apenas estética.
Ela percebeu que sentia falta do exercício quando não conseguia treinar. O movimento interferia em sua disposição, em seus pensamentos e na maneira como enfrentava momentos difíceis.
Essa descoberta ganhou outra dimensão em 2021.
Stephanie atravessava um período de fragilidade emocional e chegou a fazer uso de antidepressivo. Certo dia, foi à academia vestindo uma camiseta de Ironman.
Olhou para si mesma no espelho. Naquele reflexo estava uma mulher enfrentando um momento difícil. Mas estava também a atleta que já havia completado uma das provas mais exigentes do esporte de resistência. A camiseta lhe lembrava algo que naquele momento parecia distante: ela já tinha sido capaz de fazer coisas muito difíceis.
Com acompanhamento psicológico, Stephanie retomou os treinos de triathlon e estabeleceu uma nova prova como objetivo. O exercício ganhou outro significado. Não era mais apenas sobre aparência ou performance. Era também sobre reconstrução.
Corpo e mente. Mas faltava algo. Durante a pandemia, em 2020, Stephanie também havia começado a criar novos hábitos.
Passou a ler mais, ouvir podcasts e consumir conteúdos ligados ao desenvolvimento pessoal. Depois do nascimento do filho, intensificou a musculação com o desejo inicial de recuperar a condição física anterior à gravidez.
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Corpo e mente estavam cada vez mais presentes em sua rotina. Mas ela própria dizia que existia um terceiro pilar: o espírito.
Foi uma conversa com um pastor que transformou essa percepção. Ele lhe fez uma pergunta simples e desconfortável: como ela poderia querer conectar outras pessoas ao corpo, à mente e ao espírito se ela mesma não estava conectada espiritualmente?
A conversa aconteceu em um dia 13 de setembro.
Stephanie não esqueceu. A partir dali, decidiu retomar de forma mais profunda sua fé cristã. O que antes era um conceito passou a fazer parte de sua vida cotidiana. Uma disciplina que vai além da academia
Hoje, Stephanie entende o cuidado com o corpo como algo que ultrapassa a estética. Cuidar da mente envolve terapia, leitura, escrita, bons relacionamentos e escolhas conscientes. E cuidar do espírito significa manter sua relação com Deus.
Essa conexão também aparece em sua rotina. Ela costuma acordar às 4h30 da manhã. Prepara o café, publica uma foto acompanhada de um versículo e inicia seu momento devocional, com leitura, escrita e oração.
O hábito acabou se tornando conhecido entre seus seguidores. Mas Stephanie não quer que disciplina seja confundida com perfeição.
Existem dias de ansiedade. Dias de choro. Dias em que não quer treinar. Ela continua fazendo terapia e admite, com bom humor, que ainda enfrenta sua própria relação com a balança e que uma de suas coisas favoritas na vida é comer.
Por muito tempo, ouviu das pessoas que era forte. Ela mesma, porém, não conseguia enxergar essa força.
Mais um recomeço
Nos últimos tempos, a vida voltou a testar aquilo que Stephanie acreditava ter aprendido sobre reconstrução. Ela atravessa uma separação nos Estados Unidos, longe de sua rede familiar. Como mãe, precisou reorganizar a vida, cuidar do filho e enfrentar novamente desafios emocionais e financeiros em outro país.
Foi nesse período que compreendeu ainda mais profundamente que existem momentos em que a própria força parece não ser suficiente. Para Stephanie, é justamente aí que a fé se torna sustentação.
A mulher que havia imigrado, limpado casas, enfrentado dificuldades emocionais e reconstruído diferentes áreas da própria vida precisava, mais uma vez, começar de novo.
Quando a própria história virou propósito
Foi dessa trajetória que nasceu o DX3. Amigos próximos já enxergavam em Stephanie uma capacidade natural de motivar outras pessoas e demonstravam vontade de treinar com ela.
Ela decidiu estudar, conquistou sua licença de personal trainer nos Estados Unidos e transformou uma parte importante da própria vida em profissão.
Hoje, o DX3 atende principalmente mulheres. O objetivo vai além de emagrecer ou transformar o corpo. Stephanie quer que o treino seja também um espaço de leveza, conversa, diversão e bem-estar.
Ela acredita que muitas mulheres passam anos direcionando energia para filhos, casamento, trabalho e responsabilidades até perceberem que, em algum momento, se afastaram de si mesmas.
O exercício pode ser o primeiro passo de volta.
Às vezes, basta começar pelo próximo passo
Stephanie conhece a sensação de estar perdida. Já precisou reconstruir a vida profissional depois de imigrar, transformar sua relação com o corpo, cuidar da saúde emocional, reencontrar sua fé e enfrentar uma separação longe da família. Por isso, quando conversa com uma mulher que também precisa recomeçar, não promete um caminho fácil. Haverá quedas. Haverá dias de vontade de desistir. E haverá momentos em que a própria força parecerá pequena demais.
Seu primeiro conselho, curiosamente, não é entrar em uma academia. É mais simples. Acordar antes do nascer do sol. Cuidar de si com calma. Olhar para o próprio rosto no espelho. Sair por alguns minutos, observar o dia começando e agradecer a Deus por estar viva.
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Porque nem todo recomeço precisa começar com uma grande decisão.
Às vezes, não é preciso saber como será o caminho inteiro.
É preciso apenas encontrar força para dar o próximo passo.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Entrevista concedida por Stephanie Maia ao Voo para América e informações fornecidas diretamente pela entrevistada.
Transparência Editorial
Esta reportagem foi produzida a partir de entrevista e informações fornecidas diretamente por Stephanie Maia ao Voo para América. Relatos sobre sua trajetória pessoal, familiar, profissional, emocional e religiosa refletem a experiência e a perspectiva da própria entrevistada. Informações de caráter pessoal apresentadas na matéria são atribuídas ao seu relato.
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