Ele saiu do Ceará sem saber inglês. Hoje lidera uma empresa que já entregou mais de 5 mil projetos nos Estados Unidos.

Antes de ser Ed Gonçalves nos Estados Unidos, ele era Edizan Gonçalves em Fortaleza, no Ceará.
Filho de uma família de classe média, cresceu em um ambiente onde estudo, responsabilidade e trabalho sempre tiveram valor. O pai era advogado, a irmã mais velha seguiu o mesmo caminho, e ele, filho do meio, foi construindo a própria identidade entre referências familiares fortes e a vontade de descobrir o mundo por conta própria.
Durante boa parte da juventude, estudou no Colégio Capital. Mais tarde, formou-se em Administração pela Universidade de Fortaleza, a UNIFOR. Enquanto cursava a faculdade, teve seu primeiro emprego como gerente de uma oficina de pintura automotiva. Ainda jovem, começou a entender que liderar não era apenas mandar. Era responder por pessoas, resolver problemas, lidar com pressão e aprender a tomar decisões quando a rotina não esperava ninguém estar pronto.
Na mesma época, também tinha uma distribuidora de água mineral. Foi ali, sentado naquele negócio em Fortaleza, que o sonho americano começou a deixar de ser apenas uma ideia distante.
Dois conhecidos, Júnior e Márcio, já moravam nos Estados Unidos. Um dia, Ed pegou o telefone e fez uma pergunta simples, mas capaz de mudar toda uma vida: se eu decidir tentar a vida aí, vocês me recebem?
Eles disseram que sim.
A partir daquela resposta, tudo começou a ganhar forma. Ed foi atrás do passaporte, organizou a própria vida e decidiu que tentaria construir um novo futuro fora do Brasil.
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Chegou aos Estados Unidos com 23 para 24 anos. Foi recebido por Júnior e Márcio, dois nomes que ele guarda com gratidão até hoje. Esse apoio fez diferença nos primeiros dias, especialmente porque a chegada de um imigrante costuma ser cercada por incertezas. Ter onde ficar e encontrar pessoas dispostas a ajudar não elimina os desafios, mas torna o começo menos solitário.
Ainda assim, havia duas barreiras enormes pela frente: o inglês e o trabalho pesado.
No Brasil, Ed nunca tinha trabalhado na construção civil. Nos Estados Unidos, precisou aprender tudo do zero. Como tantos brasileiros que chegam ao país buscando oportunidade, começou em uma área exigente, física e intensa, onde o corpo sente antes mesmo que a mente consiga entender completamente o que está acontecendo.
Ele costuma dizer que praticamente todo imigrante começa como ajudante em algum trabalho pesado. Com ele, não foi diferente. A construção civil, que no Brasil muitas vezes é desvalorizada, nos Estados Unidos se apresentou como um mercado respeitado, necessário e bem remunerado para quem estava disposto a aprender e trabalhar com seriedade.
Ed aceitou o desafio.
Aprendeu observando. Aprendeu fazendo. Aprendeu errando, corrigindo e repetindo até dominar. Aos poucos, aquele jovem formado em Administração, que havia gerenciado uma oficina e tocado uma distribuidora no Ceará, começou a se transformar em um profissional completo dentro da construção civil americana.
A adaptação não foi apenas profissional. Foi pessoal.
O idioma exigia humildade. O trabalho exigia resistência. O mercado exigia pontualidade, qualidade e compromisso. Cada etapa ensinava uma nova lição sobre disciplina, responsabilidade e perseverança.
Com o tempo, Ed percebeu que já não era apenas alguém tentando sobreviver em outro país. Ele havia se tornado alguém capaz de construir com as próprias mãos, liderar equipes, entender o mercado e entregar resultado.
Foi nesse momento que decidiu empreender.
Ao lado de um amigo, abriu sua própria empresa. O que começou como uma iniciativa de quem havia aprendido na prática se transformou em uma trajetória sólida no setor. Hoje, Ed está à frente da OnTime Construction, empresa com 25 anos de experiência na construção civil e mais de 5 mil projetos entregues nos Estados Unidos.
Mas reduzir sua história a esses números seria contar apenas uma parte.
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Porque, durante muitos anos, Ed acreditou que tudo o que conquistava era resultado apenas do próprio esforço. Ele olhava para trás e via trabalho, suor, noites difíceis, decisões duras e uma sequência de escolhas que pareciam explicar sua evolução.
Até que sua fé mudou a forma como enxergava a própria caminhada.
Ed sempre acreditou em Deus. Durante muitos anos frequentou a Igreja Católica, rezava, orava e mantinha sua espiritualidade presente. Mais tarde, ao começar a frequentar uma igreja evangélica, passou a compreender a Palavra de Deus de uma maneira mais profunda. A Bíblia deixou de ser apenas uma leitura ou tradição. Tornou-se direção.
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E foi nesse processo que ele teve uma das maiores viradas da própria vida.
Percebeu que não havia construído nada sozinho.
A saúde para trabalhar, a coragem para sair do Brasil, a força para suportar o início, as pessoas certas no caminho, as portas que se abriram, as oportunidades que surgiram e até os livramentos que não conseguia enxergar no momento, tudo isso passou a ter outro significado.
Hoje, quando fala sobre sua trajetória, Ed resume tudo em uma frase:
“Não fui eu... foi Deus.”
Essa frase não diminui o esforço. Pelo contrário, dá sentido a ele.
Porque Ed sabe o quanto trabalhou. Sabe o que enfrentou. Sabe o peso que carregou. Mas também entende que trabalho sem direção, coragem sem proteção e oportunidade sem propósito não sustentam uma vida inteira.
A fé se tornou a base de uma nova fase.
E essa disciplina espiritual também encontrou eco em outra parte importante da vida dele: o esporte. Para Ed, o Ironman não é apenas uma competição. É uma escola da vida.
Treinar para uma prova desse nível exige foco, constância, responsabilidade e uma capacidade enorme de continuar mesmo quando o corpo pede para parar. Mas, segundo ele, completar um Ironman não depende apenas da força física. Depende principalmente da mente.
O esporte ensinou Ed a lidar com dor, cansaço e limite. Ensinou que grandes resultados não aparecem de uma vez, mas são construídos em dias repetidos de esforço, treino e renúncia. O que ele aprendeu competindo levou para os negócios, para a família e para a forma como encara desafios.
A construção civil, a fé e o Ironman acabaram se conectando em uma mesma verdade: nada sólido nasce sem disciplina.
Essa visão também moldou a forma como Ed enxerga os Estados Unidos.
Para muita gente, especialmente em Orlando, a vida americana parece feita de parques, compras, turismo e diversão. Mas quem vive o dia a dia de trabalho sabe que a realidade é diferente. Nos Estados Unidos, trabalha-se muito. Muito mesmo.
A diferença, segundo Ed, é que o esforço costuma ser bem remunerado. Ao mesmo tempo, a mão de obra é cara, e isso torna o início de qualquer negócio muito mais desafiador. No Brasil, muitas vezes é possível montar uma pequena estrutura com secretária, apoio doméstico, alguém no financeiro e uma equipe de suporte. Nos Estados Unidos, principalmente no começo, o empresário costuma fazer quase tudo sozinho.
Por isso, crescer de verdade exige mais do que vontade. Exige processo, gestão, paciência e capacidade de atravessar fases em que a empresa ainda depende diretamente do fundador.
Ed sabe disso porque viveu na prática.
Ele também entendeu que muitos brasileiros chegam aos Estados Unidos com vontade de prosperar, mas sem compreender completamente como o mercado funciona. O que dá certo no Brasil nem sempre dá certo nos Estados Unidos. A forma de contratar, vender, precificar, atender, executar e crescer é diferente.
Por isso, além das palestras, Ed está criando uma mentoria prática para ajudar outros brasileiros nessa jornada. Para quem chega como operário, a proposta é oferecer suporte direto para entrar no mercado de trabalho. Para quem vem empreender, a ideia é oferecer uma assessoria mais completa, ajudando a pessoa a entender o caminho, evitar erros e aumentar as chances de prosperar nos Estados Unidos.
Depois de 25 anos na construção civil, Ed não quer apenas falar sobre sucesso. Quer ensinar o caminho que aprendeu vivendo.
Seu conselho para quem sonha em emigrar é simples e direto: coloque uma data.
Enquanto a mudança não tem data, ela continua sendo apenas um sonho. Quando ganha uma data, começa a se transformar em projeto. A partir daí, vem a parte prática: planejar, economizar dinheiro, estudar inglês, pesquisar sobre o país, entender os vistos e se preparar emocionalmente para trabalhar muito.
Porque os Estados Unidos oferecem oportunidades, mas não entregam nada de graça.
A história de Ed Gonçalves é sobre um homem que saiu do Ceará ainda jovem, enfrentou o idioma, começou do zero na construção civil, tornou-se empresário e construiu uma trajetória respeitada em solo americano.
Mas é também sobre algo maior.
É sobre perceber que sucesso sem propósito fica pequeno. Que esforço sem fé pode até construir empresas, mas nem sempre constrói paz. E que, às vezes, a maior obra de uma vida não é feita de paredes, tetos ou fundações.
Hoje, aos 50 anos, Ed continua construindo.
Constrói projetos pela OnTime Construction. Constrói caminhos por meio das mentorias. Constrói inspiração por meio da sua história. E constrói, acima de tudo, uma mensagem para outros brasileiros que ainda estão esperando coragem para começar.
Porque, olhando para trás, ele entende que sua trajetória nunca foi apenas sobre construção civil.
Foi sobre fé.
Sobre disciplina.
Sobre trabalho.
Sobre perseverança.
E sobre um homem que atravessou um continente acreditando que estava construindo uma nova vida, até entender que, durante todo esse tempo, era Deus quem construía a dele.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Entrevista concedida por Ed Gonçalves Respostas enviadas pelo entrevistado Informações compartilhadas pela equipe do Vou Pra América
Transparência Editorial
Este conteúdo foi produzido com base em informações fornecidas diretamente por Ed Gonçalves e adaptado em formato storytelling para fins editoriais. A narrativa preserva os fatos compartilhados pelo entrevistado e organiza sua trajetória em uma linguagem envolvente, respeitando o estilo editorial do Vou Pra América.