EUA retiram mais de 110 escolas de CDL do cadastro federal após fiscalização nacional

O governo dos Estados Unidos retirou mais de 110 provedores de treinamento de CDL do cadastro federal e iniciou o processo de exclusão de outros mais de 160 nesta segunda-feira, 31 de agosto. A operação encontrou instrutores sem licença adequada, falta de registros de avaliações e estruturas incompatíveis com o treinamento exigido para motoristas comerciais.
A medida colocou sob atenção um mercado que movimenta milhares de novos motoristas todos os meses. Em julho de 2026, mais de 33 mil condutores tiveram treinamentos registrados no sistema federal. Desde fevereiro de 2022, o Training Provider Registry contabiliza quase 2 milhões de motoristas treinados.
O Departamento de Transporte informou que os mais de 110 provedores retirados emergencialmente estavam associados a mais de 5 mil motoristas que falharam nos requisitos federais de proficiência em inglês.
Uma investigação separada enviou 175 investigadores a 40 estados e realizou quase 400 fiscalizações. A operação encontrou locais sem espaço suficiente para as manobras exigidas, instrutores sem a habilitação necessária e escolas sem documentação das avaliações realizadas com os alunos.
Em um dos casos divulgados pelo governo, um provedor afirmou que sua sala de aula funcionava dentro de um ônibus estacionado na parte traseira de um trailer.
Essas fiscalizações levaram a mais de 160 notificações de proposta de retirada do registro. Segundo a FMCSA, motoristas certificados por esses provedores aparecem associados a acidentes com veículos comerciais que resultaram em 239 mortes. O governo não afirmou que as escolas foram a causa direta dessas mortes.
Para brasileiros interessados em trabalhar nas estradas americanas, a operação deixa uma mensagem prática: escolher a escola certa é apenas uma parte do processo. Ser caminhoneiro nos Estados Unidos envolve regras de habilitação, treinamento, saúde, inglês, drogas e álcool, idade, autorização de trabalho e situação migratória.
E essas regras ficaram mais rígidas em 2026.
O que é a CDL
CDL significa Commercial Driver's License. É a carteira de motorista comercial exigida para conduzir determinadas categorias de caminhões, ônibus e outros veículos comerciais nos Estados Unidos.
A licença é emitida pelos estados, mas segue padrões mínimos estabelecidos pelo governo federal por meio da Federal Motor Carrier Safety Administration, a FMCSA.
Isso significa que não existe uma única repartição nacional onde o candidato simplesmente solicita a CDL. O processo é feito pela agência de trânsito do estado onde a pessoa está domiciliada, respeitando as exigências federais e eventuais requisitos adicionais daquele estado.
Uma carteira de motorista comum não autoriza automaticamente alguém a dirigir um tractor-trailer, conhecido no Brasil como carreta. Para essa atividade, a categoria correta da CDL é fundamental.
Qual é a diferença entre CDL Class A, B e C
A Class A é a categoria mais relacionada ao caminhoneiro de longa distância.
Pelas regras federais, ela permite dirigir combinações de veículos com peso bruto combinado de pelo menos 26.001 libras, aproximadamente 11,8 toneladas, quando a unidade rebocada pesa mais de 10 mil libras.
É a licença normalmente usada por quem dirige combinações de cavalo mecânico e semirreboque, os tradicionais tractor-trailers que cruzam as rodovias americanas.
A Class B é voltada a veículos individuais pesados, também a partir de 26.001 libras, podendo rebocar uma unidade de até 10 mil libras. Pode aparecer em atividades como caminhões de entrega pesada, caminhões de lixo e determinados ônibus, dependendo da configuração do veículo e das habilitações adicionais exigidas.
A Class C cobre determinados veículos que não entram nas Classes A ou B, mas transportam 16 pessoas ou mais, incluindo o motorista, ou transportam certos materiais perigosos sujeitos às regras federais.
A FMCSA também prevê endorsements, autorizações adicionais colocadas na CDL para atividades específicas. Há habilitação para veículos tanque, materiais perigosos, transporte de passageiros, ônibus escolar e reboques duplos ou triplos, entre outras.
Para quem pretende fazer carreira tradicional como motorista de carreta e ter maior acesso às vagas de transporte de cargas, a Class A costuma ser a categoria de maior interesse.
O primeiro passo normalmente é a Commercial Learner's Permit
Antes da CDL definitiva, o candidato geralmente passa pela Commercial Learner's Permit, conhecida pela sigla CLP.
Ela funciona como uma autorização de aprendizagem comercial.
Para obter a CDL Class A ou Class B pela primeira vez, o candidato precisa cumprir as exigências estaduais para o CLP e, quando sujeito às regras de Entry-Level Driver Training, concluir o treinamento obrigatório antes de realizar o teste prático da CDL.
Depois de receber o CLP, o candidato precisa mantê-lo por pelo menos 14 dias antes de estar habilitado a realizar o teste prático para a carteira comercial.
Os estados podem exigir etapas adicionais. Por isso, quem pretende iniciar o processo precisa consultar também o DMV, RMV ou órgão equivalente do estado onde pretende obter a carteira.
Não escolha uma escola de caminhão sem verificar o registro federal
A fiscalização anunciada em agosto tornou essa etapa ainda mais importante.
Desde fevereiro de 2022, candidatos sujeitos às regras de Entry-Level Driver Training precisam realizar o treinamento aplicável com um provedor registrado no Training Provider Registry da FMCSA.
Esse sistema permite pesquisar a escola, verificar os tipos de treinamento oferecidos e identificar instituições que estejam sob análise ou tenham sido removidas.
Depois que o aluno conclui o treinamento, o próprio provedor transmite eletronicamente a certificação para o registro federal. O motorista pode consultar seus dados utilizando a ferramenta Check My Record.
Uma escola aparecer na internet ou anunciar curso de CDL não é suficiente. O candidato deve confirmar diretamente no registro federal se aquele local está autorizado a oferecer o treinamento necessário.
A diferença entre uma escola removida e uma escola sob proposta de remoção também importa.
Quando a FMCSA emite uma notice of proposed removal, o provedor geralmente recebe um período de 60 dias para executar as correções determinadas pela agência. Durante esse período, pode continuar oferecendo treinamento, mas precisa informar alunos atuais e futuros sobre o processo.
Se ocorrer a remoção efetiva do cadastro, treinamentos feitos depois da data da retirada são considerados inválidos pela FMCSA.
É por isso que verificar o status do provedor antes de pagar e novamente durante o curso deixou de ser uma formalidade.
Quanto tempo dura o treinamento para CDL
A regulamentação federal estabelece o conteúdo mínimo do Entry-Level Driver Training, mas não fixa uma quantidade nacional única de horas que todos os candidatos precisam permanecer em uma escola.
O treinamento inclui uma parte teórica e uma parte prática ao volante para as categorias aplicáveis. O aluno precisa atingir os padrões exigidos pelo programa antes que o provedor possa registrar a conclusão.
O tempo total varia conforme a escola, disponibilidade para aulas, experiência do aluno e exigências adicionais do estado.
Promessas de uma CDL praticamente imediata, sem treinamento compatível ou sem avaliação real das habilidades do candidato, merecem atenção especial.
A investigação federal anunciada em agosto encontrou justamente problemas envolvendo documentação, instrutores e estrutura usada por alguns provedores.
Quanto custa tirar uma CDL
Não existe um preço federal único para obter uma CDL.
As taxas da licença e dos testes são definidas pelos estados. O valor do treinamento também varia de acordo com a escola, categoria escolhida, quantidade de aulas práticas, localização e serviços incluídos no programa.
Por isso, não existe uma tabela oficial nacional que permita afirmar que uma CDL custa determinado valor em todos os Estados Unidos.
Antes de pagar, o candidato deve pedir por escrito o custo total, entender quais etapas estão incluídas, conferir regras de reembolso e verificar se a escola aparece no Training Provider Registry.
Também é importante descobrir se o valor anunciado inclui apenas teoria ou também o treinamento prático necessário.
Inglês não é opcional para caminhoneiros comerciais
A capacidade de se comunicar em inglês passou a receber fiscalização ainda maior.
As regras federais exigem que motoristas comerciais abrangidos consigam ler e falar inglês suficientemente para conversar com outras pessoas, compreender sinais e placas de trânsito, responder a perguntas oficiais e preencher os registros exigidos.
Desde junho de 2025, falhas de proficiência podem resultar na retirada temporária do motorista de serviço durante fiscalizações rodoviárias, de acordo com a política aplicada pela FMCSA.
Em agosto de 2026, o órgão afirmou que mais de 26 mil motoristas já haviam sido retirados de serviço por falhas relacionadas à proficiência em inglês e avançou com uma proposta para incorporar critérios de fiscalização à regulamentação.
Para um brasileiro que pretende entrar na profissão, isso muda o planejamento.
Não basta memorizar perguntas do teste escrito.
O motorista precisa estar preparado para compreender instruções de fiscalização, sinais rodoviários, documentos relacionados à carga e perguntas feitas durante uma abordagem.
Uma escola que promete contornar esse requisito coloca o candidato em risco profissional.
É preciso passar por exame médico
Motoristas comerciais sujeitos às regras federais de qualificação física precisam atender aos padrões médicos da FMCSA.
O exame aplicável deve ser realizado por um profissional certificado e listado no National Registry of Certified Medical Examiners.
O objetivo é verificar se o motorista atende aos requisitos físicos necessários para operar um veículo comercial com segurança.
Dependendo da operação e da condição do motorista, podem existir regras específicas, restrições ou procedimentos adicionais.
A certificação médica também se conecta ao registro da CDL mantido pelo estado. Portanto, deixar a certificação necessária vencer pode afetar os privilégios comerciais do motorista.
Drogas e álcool também podem impedir o motorista de trabalhar
Motoristas que exercem funções sujeitas às regras federais de testes de drogas e álcool estão dentro de outro sistema importante: o Drug and Alcohol Clearinghouse.
Essa base federal registra determinadas violações do programa de drogas e álcool.
Antes de contratar um motorista para uma função sujeita às regras, o empregador precisa consultar o Clearinghouse para verificar se existe alguma proibição pendente. A consulta também precisa ser realizada pelo menos uma vez por ano para os motoristas abrangidos que continuam empregados.
Uma violação não resolvida pode impedir o motorista de realizar funções consideradas sensíveis à segurança até que ele cumpra o procedimento federal de retorno ao trabalho.
Para quem pretende trabalhar como owner-operator, existe outra particularidade. O motorista que atua como seu próprio empregador precisa utilizar um consórcio ou administrador terceirizado para determinadas obrigações do programa.
É possível tirar CDL aos 18 anos
A idade depende do tipo de operação.
Pelas regras federais, uma pessoa precisa ter pelo menos 21 anos para dirigir um veículo comercial em interstate commerce, ou seja, operações que envolvem comércio interestadual.
Motoristas mais jovens podem obter CDL em determinadas circunstâncias e trabalhar apenas dentro das fronteiras do próprio estado, conforme as regras estaduais aplicáveis.
A FMCSA confirma que a regra geral para operação comercial interestadual é 21 anos.
Para o brasileiro que pretende trabalhar com transporte de longa distância cruzando estados, portanto, 21 anos é a referência prática mais importante.
Quanto ganha um caminhoneiro nos Estados Unidos
O salário pode ser atraente, mas os números precisam ser lidos corretamente.
Segundo o Bureau of Labor Statistics, o salário anual mediano de motoristas de caminhões pesados e tractor-trailers foi de US$ 58.640 em maio de 2025.
Isso significa que metade dos trabalhadores da ocupação ganhou acima desse valor e metade ganhou abaixo.
Os 10% com menor remuneração receberam menos de US$ 40.140 por ano. Os 10% no topo da distribuição receberam mais de US$ 79.380.
Dentro especificamente da indústria de transporte por caminhões, a mediana foi de US$ 60.320 anuais.
Esses dados são de empregados e não devem ser usados como promessa individual de renda.
Localização, experiência, tipo de carga, rotas, empregador, quantidade de milhas e modelo de remuneração influenciam quanto um motorista recebe.
Muitos motoristas de caminhões pesados são remunerados pelas milhas percorridas, combinadas ou não com bônus. Outros modelos podem envolver pagamento por hora, por carga ou participação na receita do frete.
Owner-operator não significa salário maior automaticamente
É comum encontrar vídeos nas redes sociais divulgando faturamentos elevados de caminhoneiros que possuem ou operam o próprio caminhão.
Esse modelo é conhecido como owner-operator.
O erro é tratar faturamento bruto como se fosse salário.
O proprietário pode receber a receita do transporte, mas também passa a lidar com custos que um empregado normalmente não assume diretamente da mesma maneira, como aquisição ou financiamento do caminhão, combustível, manutenção, seguro, pneus, períodos sem carga, contabilidade e despesas operacionais.
Por isso, comparar um salário anual do BLS com faturamento bruto de um owner-operator produz uma conclusão enganosa.
Para quem está começando, emprego e operação própria são dois modelos financeiros diferentes.
Há vagas para caminhoneiros nos Estados Unidos
O mercado é grande.
O Bureau of Labor Statistics registrou aproximadamente 2,22 milhões de empregos de motoristas de caminhões pesados e tractor-trailers em 2025.
A projeção do órgão indica crescimento de 4% entre 2025 e 2035, chegando a aproximadamente 2,3 milhões de empregos.
O BLS estima cerca de 214.500 oportunidades por ano, em média, ao longo desse período. Grande parte delas será aberta para substituir pessoas que deixam a profissão ou saem da força de trabalho.
A existência de vagas, porém, não significa que um estrangeiro possa simplesmente chegar aos Estados Unidos e aceitar uma delas.
É aqui que CDL e imigração precisam ser separadas.
Ter CDL não dá autorização para trabalhar nos Estados Unidos
Essa é provavelmente a informação mais importante para um brasileiro que ainda está no Brasil.
Uma CDL é uma licença para dirigir determinados veículos comerciais.
Ela não é um visto.
Ela não produz autorização de trabalho.
Ela não regulariza uma pessoa que entrou como turista.
E uma empresa oferecer emprego não transforma automaticamente o trabalhador em alguém autorizado a exercer aquela atividade.
O direito de trabalhar depende da situação migratória da pessoa e das regras do Departamento de Segurança Interna e do USCIS.
Isso significa que entrar nos Estados Unidos como visitante B-1/B-2 e começar a transportar cargas domesticamente não é uma estratégia legal para construir uma carreira.
O próprio governo federal informou em agosto de 2026 que uma das investigações em andamento envolve uma empresa suspeita de utilizar portadores de visto B-1/B-2 no transporte doméstico de cargas.
As regras para estrangeiros que buscam CDL ficaram mais duras em 2026
Desde 16 de março de 2026, entrou em vigor uma regra federal mais restritiva para a chamada non-domiciled CDL.
Essa é uma categoria usada para determinados indivíduos domiciliados fora dos Estados Unidos.
Segundo a FMCSA, atualmente apenas estrangeiros que comprovem status não imigrante H-2A, H-2B ou E-2 podem ser elegíveis a uma non-domiciled CLP ou non-domiciled CDL, desde que cumpram os demais requisitos federais.
Cidadãos americanos e residentes permanentes legais domiciliados em um estado podem buscar uma CDL padrão se cumprirem as demais exigências.
Esse detalhe produz uma consequência importante.
Ter um Employment Authorization Document, o EAD, não significa automaticamente ser elegível para uma CDL comercial segundo as atuais regras federais.
A categoria migratória precisa ser analisada especificamente.
Antes de pagar uma escola, estrangeiros devem confirmar com o órgão estadual responsável pela CDL se sua documentação atende às regras atuais.
O visto H-2B pode ser usado por caminhoneiros
Pode existir uma situação em que uma vaga de motorista se enquadre no H-2B, mas o programa não é um visto genérico para caminhoneiros.
O H-2B permite que empregadores americanos contratem estrangeiros temporariamente para trabalhos não agrícolas quando cumprem os requisitos do programa.
A empresa precisa demonstrar uma necessidade temporária, que pode ser relacionada a uma ocorrência única, demanda sazonal, pico temporário ou necessidade intermitente.
O Departamento do Trabalho também precisa verificar, dentro do processo, questões como disponibilidade de trabalhadores americanos e condições salariais.
Isso significa que uma transportadora não pode simplesmente chamar de H-2B qualquer posição permanente porque deseja contratar um brasileiro.
O processo começa com o empregador.
É a empresa que solicita certificação trabalhista temporária e depois segue o procedimento migratório aplicável.
Para o trabalhador, qualquer promessa de “comprar um H-2B” ou garantir sozinho um visto para dirigir caminhão deve ser tratada com extrema cautela.
E o EB-3 para caminhoneiro
O EB-3 é diferente porque envolve imigração baseada em emprego permanente.
A categoria abrange skilled workers, profissionais e other workers, desde que os requisitos legais sejam atendidos.
No caso de um skilled worker, a vaga precisa normalmente exigir pelo menos dois anos de treinamento ou experiência. Para other workers, o trabalho pode exigir menos de dois anos.
Em ambos os casos, a oportunidade não pode ser temporária ou sazonal.
Na maioria dos processos, o empregador precisa primeiro passar pela certificação trabalhista permanente, conhecida como PERM.
O Departamento do Trabalho analisa, entre outras questões, se existem trabalhadores americanos suficientes, capazes, disponíveis e qualificados para aquela vaga e se a contratação do estrangeiro prejudicaria salários e condições de trabalho de trabalhadores comparáveis.
Depois da certificação, o empregador normalmente apresenta o Form I-140 ao USCIS.
Por isso, é incorreto vender EB-3 como um “visto de caminhoneiro”.
Uma empresa pode patrocinar uma posição de motorista quando a vaga e o caso concreto atendem às regras aplicáveis, mas não existe aprovação automática pela profissão.
Também podem existir espera por disponibilidade de visto, processamento consular ou outras etapas migratórias.
E o visto E-2
A regra de CDL de 2026 menciona o status E-2 entre as categorias elegíveis à non-domiciled CDL. Isso não significa que o E-2 seja uma rota simples para brasileiros.
O E-2 é destinado a nacionais de países que mantêm tratado qualificável com os Estados Unidos e envolve investimento em uma empresa real e operacional.
O Brasil, por nacionalidade brasileira isoladamente, aparece na tabela oficial do Departamento de Estado como “No Treaty” para E-2.
Um brasileiro que também possua nacionalidade de um país elegível pode ter uma análise diferente, mas isso depende do caso concreto.
Portanto, abrir uma empresa de transporte nos Estados Unidos não cria, sozinho, um visto E-2 para quem possui apenas nacionalidade brasileira.
H-2A também aparece na regra de CDL, mas não é um visto comum de caminhoneiro
O H-2A aparece entre os status admitidos pela regra federal de non-domiciled CDL, mas o programa H-2A é voltado ao trabalho agrícola temporário.
Isso não deve ser interpretado como uma rota geral para trabalhar no transporte rodoviário de cargas.
O fato de uma categoria migratória permitir, em determinadas condições, elegibilidade para uma licença comercial não significa que aquele status autorize trabalhar em qualquer empresa ou profissão.
A atividade exercida precisa continuar compatível com o status migratório concedido.
A rotina de caminhoneiro é diferente da imagem mostrada nas redes sociais
A profissão pode oferecer renda competitiva, mas envolve jornadas e regras específicas.
Motoristas de longa distância trabalham frequentemente à noite, em fins de semana e feriados. Também podem permanecer dias ou semanas longe de casa, dependendo das rotas.
As Hours of Service, regras federais que limitam as horas de serviço, controlam por quanto tempo motoristas sujeitos a elas podem dirigir e permanecer em atividade.
O BLS resume que motoristas de longa distância abrangidos pelas regras podem dirigir até 11 horas dentro de uma janela de trabalho de 14 horas, depois do período de descanso necessário. Entre períodos de trabalho, geralmente são necessárias pelo menos 10 horas fora de serviço.
Por isso, decidir entrar na profissão apenas pelo valor anunciado de salário ignora uma parte central da escolha.
A rotina inclui responsabilidade por um veículo de grande porte, cumprimento de horários, fiscalização, documentação e longos períodos na estrada.
Como um brasileiro deve começar
Para quem já mora legalmente nos Estados Unidos, o primeiro passo não deveria ser pagar uma escola. O primeiro passo é confirmar se sua situação migratória e seus documentos permitem obter a CDL correspondente no estado onde você está domiciliado.
Depois vem a escolha da categoria.
Quem pretende dirigir tractor-trailers normalmente olha para a Class A. Em seguida, deve estudar as regras do órgão estadual, preparar-se para os exames aplicáveis e obter o CLP.
Se estiver sujeito ao Entry-Level Driver Training, o candidato deve escolher um provedor ativo no Training Provider Registry, concluir teoria e treinamento prático aplicáveis e confirmar que a certificação foi registrada eletronicamente.
Depois do período mínimo de 14 dias com o CLP e do cumprimento dos demais requisitos, poderá realizar o teste prático para a CDL.
O exame médico precisa estar regular quando exigido, e o motorista também deve entender as regras de drogas e álcool que passarão a fazer parte de sua vida profissional.
O inglês deve ser tratado como requisito de trabalho desde o início, não apenas como obstáculo para uma prova.
Para quem ainda está no Brasil, a ordem é diferente.
A primeira pergunta não é “onde faço a escola de CDL?”. É “qual caminho migratório realmente me permite trabalhar legalmente e ser elegível à licença necessária?”.
Pagar por treinamento antes de resolver essa questão pode significar gastar milhares de dólares em uma carreira que a documentação atual da pessoa não permite exercer.
Cuidado com promessas de visto, emprego e CDL garantidos
O aumento da fiscalização federal torna ainda mais importante desconfiar de intermediários que misturam três coisas diferentes: escola, emprego e imigração.
Uma escola de CDL pode ensinar a dirigir.
Uma transportadora pode oferecer uma vaga.
Um processo migratório pode produzir, se aprovado, autorização compatível para morar ou trabalhar nos Estados Unidos.
Nenhuma dessas três coisas substitui automaticamente as outras.
O anúncio federal de 31 de agosto incluiu investigações sobre fraude documental, trabalho não autorizado, exploração de trabalhadores e irregularidades relacionadas a CDLs e empresas de transporte.
Antes de entregar dinheiro a uma escola, agência de recrutamento ou suposto patrocinador, o brasileiro deve verificar quem está oferecendo cada serviço e qual órgão governamental controla aquela etapa.
No caso da escola, a consulta é feita no Training Provider Registry.
No caso da CDL, a autoridade é o órgão de licenciamento do estado, dentro das regras federais.
No caso de imigração, USCIS, Departamento de Estado e Departamento do Trabalho mantêm as regras oficiais. Situações individuais devem ser avaliadas por profissional qualificado quando houver necessidade de orientação jurídica.
O caminhão pode ser uma porta de entrada para uma carreira estável nos Estados Unidos. Mas, em 2026, essa porta tem mais controles do que simplesmente passar em uma prova de direção.
A sequência correta é documentação migratória compatível, elegibilidade para a CDL, treinamento registrado, inglês suficiente, requisitos médicos e de segurança e, finalmente, emprego dentro das condições autorizadas.
Pular uma dessas etapas pode colocar não apenas o investimento no curso em risco, mas também a licença, o emprego e a situação migratória do trabalhador.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
As informações sobre a operação de 31 de agosto de 2026 foram verificadas no Departamento de Transporte dos Estados Unidos. As regras de CDL, CLP, Class A, Class B, Class C, endorsements e Entry-Level Driver Training foram verificadas na Federal Motor Carrier Safety Administration, no guia oficial para obtenção da CDL e no Training Provider Registry. As regras atuais para non-domiciled CDL foram verificadas nas FAQs da regra final de 2026 da FMCSA. Os dados de remuneração e mercado de trabalho foram obtidos no Bureau of Labor Statistics. As informações sobre H-2B foram verificadas no Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. As informações sobre certificação trabalhista permanente foram verificadas no programa PERM do Departamento do Trabalho. As informações sobre EB-3 foram verificadas em materiais oficiais do U.S. Citizenship and Immigration Services. A situação do Brasil em relação ao E-2 foi verificada na tabela oficial de reciprocidade do Departamento de Estado. As exigências médicas foram verificadas no National Registry of Certified Medical Examiners. As regras sobre drogas e álcool foram verificadas no FMCSA Drug and Alcohol Clearinghouse. Crédito da notícia que serve de gancho: U.S. Department of Transportation.
Transparência Editorial
Esta matéria foi produzida a partir de fontes oficiais do governo dos Estados Unidos consultadas em 31 de agosto de 2026. Regras sobre CDL podem incluir exigências adicionais definidas por cada estado. Regras migratórias também podem mudar e dependem da situação individual do interessado. A matéria diferencia autorização para dirigir comercialmente de autorização para trabalhar nos Estados Unidos. A existência de uma CDL, oferta de emprego ou matrícula em escola não garante visto, residência permanente ou autorização de trabalho. Os dados de remuneração utilizados são os dados nacionais mais recentes disponibilizados pelo Bureau of Labor Statistics para a ocupação de heavy and tractor-trailer truck drivers, referentes a maio de 2025. O Vou pra América não recebeu pagamento das instituições citadas para incluí-las nesta reportagem.
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