De amigas a irmãs de coração: a parceria que transformou Sarah e Mayra em empresárias nos Estados Unidos

Jacy Abreu25 de julho de 2026Brasileiros nos EUA
De amigas a irmãs de coração: a parceria que transformou Sarah e Mayra em empresárias nos Estados Unidos

Muita gente olha para Sarah Raquel e Mayra Raquel e acredita que as duas são irmãs.

O sobrenome igual ajuda a criar essa impressão. A proximidade, a cumplicidade e a maneira como conduzem juntas a Drivers Academy reforçam ainda mais a ideia. Quem acompanha a rotina das duas dificilmente imagina que elas nasceram em cidades diferentes, tiveram formações distintas e só se tornaram uma família depois que a vida cruzou seus caminhos.

Sarah nasceu em Fortaleza, no Ceará. Estudou Psicologia e sempre se interessou pelo contato com pessoas, pela gestão e pelo empreendedorismo. Mayra nasceu em Goiânia, mudou-se ainda jovem para os Estados Unidos e estudou Arquitetura. Desde cedo, demonstrava facilidade com organização, planejamento e processos.

As trajetórias não eram iguais, mas havia algo em comum: a vontade de construir uma vida que fizesse sentido.

A amizade nasceu dessa identificação. Aos poucos, as duas perceberam que compartilhavam valores, sonhos e uma maneira parecida de encarar o trabalho. Sarah tinha um olhar atento para as pessoas. Mayra gostava de colocar ordem nas ideias e transformar planos em estrutura. Uma enxergava necessidades humanas. A outra encontrava maneiras de organizar soluções.

O que começou como amizade se tornou parceria.

Mais tarde, transformou-se em sociedade.

Hoje, elas dizem que são irmãs de coração. Não porque tenham vivido exatamente as mesmas experiências, mas porque aprenderam a dividir decisões, preocupações, riscos e conquistas.

Essa união seria essencial quando decidiram empreender nos Estados Unidos.

A mudança para o país não foi tratada como uma aventura perfeita. Elas não chegaram acreditando que bastaria trabalhar um pouco para alcançar rapidamente a estabilidade. Como muitos brasileiros, buscavam uma oportunidade de construir uma vida melhor, mas sabiam que precisariam recomeçar.

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O que não sabiam era quanto esse recomeço exigiria delas.

Nos primeiros tempos, aceitaram os trabalhos disponíveis. Passaram por faxinas, comércio, atendimento ao cliente e outras funções que ajudaram a pagar as contas e entender como o mercado americano funcionava.

A rotina trazia cansaço físico, saudade e insegurança. O idioma tornava tarefas simples mais difíceis. A distância da família pesava principalmente nos momentos em que precisavam de apoio. A preocupação financeira fazia com que cada decisão fosse tomada com cuidado.

Houve dias de choro.

Também houve dias em que o esforço parecia grande demais para um resultado ainda tão pequeno.

Mas nenhuma das duas acreditava que aquela fase seria permanente. Os trabalhos iniciais não diminuíam quem elas eram nem determinavam até onde poderiam chegar. Faziam parte do preço da adaptação.

Elas continuaram.

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Trabalharam, observaram, aprenderam e começaram a entender as dificuldades enfrentadas por outros imigrantes. Foi nesse contato com a comunidade brasileira que surgiu a oportunidade que mudaria a trajetória das duas.

Muitos brasileiros precisavam de ajuda para lidar com os processos do DMV.

DMV é a sigla em inglês para Department of Motor Vehicles, nome usado popularmente nos Estados Unidos para se referir aos órgãos e serviços responsáveis por assuntos relacionados a motoristas e veículos. É nesse sistema que as pessoas resolvem etapas como carteira de motorista, prova teórica, registros, placas, títulos e regularização de veículos. Os nomes e a organização podem variar de um estado para outro, mas, na vida cotidiana, é comum que todos simplesmente chamem esses serviços de DMV.

Para quem nasceu nos Estados Unidos, parte desses procedimentos pode parecer comum. Para um imigrante que ainda está aprendendo inglês e tentando compreender as regras do país, a experiência pode ser confusa.

Um formulário mal interpretado, um documento esquecido ou uma etapa desconhecida são suficientes para atrasar todo o processo.

Sarah e Mayra perceberam que havia muita gente precisando de orientação. Brasileiros chegavam sem saber onde começar, quais documentos apresentar ou como avançar até a obtenção da carteira de motorista.

Elas começaram ajudando.

No início, a proposta era facilitar esses processos. Explicavam as etapas, auxiliavam na organização dos documentos e acompanhavam clientes que se sentiam inseguros diante da burocracia.

A ajuda tinha um valor que ia além do preenchimento de papéis.

Nos Estados Unidos, especialmente em regiões onde o transporte público é limitado, dirigir significa independência. A carteira de motorista permite chegar ao trabalho, levar os filhos à escola, fazer compras e resolver tarefas que fazem parte da vida diária.

Para muitos clientes, portanto, aquele documento representava o início de uma nova fase no país.

As duas conheciam o sentimento de precisar aprender tudo novamente. Sabiam como uma informação clara poderia diminuir a ansiedade de quem ainda não dominava o idioma ou não entendia o sistema.

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A procura aumentou.

Um cliente indicava para outro. As dúvidas se repetiam. As necessidades se tornavam cada vez mais evidentes. Com o tempo, Sarah e Mayra perceberam que não estavam apenas prestando um auxílio pontual. Havia ali a possibilidade de construir um negócio.

Foi quando surgiu uma pergunta:

Por que não abrir uma autoescola?

A ideia parecia simples quando dita em voz alta. Transformá-la em realidade, porém, exigiria muito mais do que boa vontade.

Era necessário entender regras, estruturar serviços, investir, organizar documentos, desenvolver processos e conquistar a confiança do público. Também seria preciso transformar uma amizade em uma parceria profissional capaz de sobreviver à pressão de um negócio.

A Drivers Academy nasceu dessa decisão.

Desde o início, as características das duas se complementaram. A formação de Sarah em Psicologia contribuiu para o atendimento, a comunicação e o cuidado com as pessoas. Ela compreendia que muitos alunos chegavam nervosos, inseguros ou com medo de errar.

Mayra levava para a empresa seu perfil organizado e voltado para gestão. Pensava na estrutura, nos procedimentos e na maneira de tornar a operação mais eficiente.

As duas tinham competências diferentes, mas buscavam o mesmo resultado.

Essa combinação ajudou a empresa a crescer. Ainda assim, trabalhar juntas trouxe desafios que não aparecem nas fotografias de uma conquista.

Elas precisaram aprender a tomar decisões em conjunto, conversar sobre dinheiro, dividir responsabilidades e lidar com opiniões diferentes. A amizade não eliminava os conflitos naturais de uma sociedade. O que fazia a diferença era a base construída entre elas.

Havia confiança.

Quando uma estava cansada, a outra ajudava a sustentar o ritmo. Quando surgia uma decisão difícil, elas procuravam lembrar por que haviam começado. Quando as circunstâncias traziam insegurança, voltavam aos valores que as aproximaram.

A parceria prosperou porque não dependia apenas da empolgação dos primeiros meses.

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Ela foi fortalecida durante o trabalho diário.

A Drivers Academy começou oferecendo orientação em processos ligados ao DMV e aulas de direção. Cada novo aluno representava uma responsabilidade. Não bastava ensinar alguém a conduzir um veículo. Era preciso preparar aquela pessoa para dirigir com segurança, enfrentar o Road Test, que é o exame prático de direção, e compreender as etapas necessárias para obter a carteira.

A empresa crescia, mas Sarah e Mayra enxergavam uma possibilidade ainda maior.

Elas queriam que a Drivers Academy se tornasse um local oficial de aplicação da prova teórica.

A conquista permitiria que os alunos realizassem uma das etapas mais importantes do processo em um ambiente preparado para recebê-los. Para muitos brasileiros, isso significaria mais clareza, acolhimento e praticidade.

O plano, entretanto, exigia autorização.

E a autorização demorou quase três anos.

Durante esse período, as duas enfrentaram exigências, investimentos, documentação e longas esperas. Cada nova etapa parecia trazer outra solicitação. Era necessário organizar detalhes, cumprir critérios e continuar mantendo a empresa em funcionamento enquanto aguardavam uma resposta que não dependia apenas delas.

Não foram três anos paradas.

Foram três anos trabalhando enquanto esperavam.

A diferença parece pequena, mas define boa parte da história.

Esperar sem fazer nada teria sido mais fácil. Elas, porém, precisavam atender clientes, administrar despesas, melhorar os serviços e continuar acreditando em uma autorização que ainda não havia chegado.

Em alguns momentos, o prazo parecia longo demais.

A ansiedade crescia porque o investimento já havia sido feito. Os planos estavam preparados. A visão de onde queriam chegar era clara. O que faltava era a confirmação oficial.

Foi nesse período que a fé ganhou ainda mais importância.

Sarah e Mayra acreditavam que Deus estava presente na construção da empresa, mesmo quando a realidade parecia caminhar em outro ritmo. Para elas, confiar não significava ignorar os problemas ou esperar que tudo se resolvesse sozinho.

Elas continuavam trabalhando.

A fé servia como sustentação para não desistir durante os períodos em que não havia novidade.

Nem sempre as portas se abriam no tempo que desejavam. Ainda assim, elas acreditavam que a demora também poderia estar preparando a empresa para a responsabilidade que viria depois.

Porque receber a autorização era apenas uma parte da conquista.

Seria necessário estar pronto para mantê-la.

Quando a aprovação finalmente chegou, o momento carregava o peso de todos os meses anteriores. Não era apenas mais um documento entregue. Era a confirmação de que a persistência havia encontrado uma resposta.

A Drivers Academy tornou-se um local oficial de aplicação da prova teórica.

A notícia representava um avanço profissional, mas também uma vitória pessoal para as duas amigas que haviam começado aceitando os trabalhos que surgiam.

A empresa que nasceu ajudando brasileiros a entender a burocracia agora ocupava uma posição oficial dentro de uma etapa importante do processo de habilitação.

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O crescimento, porém, não mudou a principal proposta do negócio.

Sarah e Mayra continuaram acreditando que o cliente precisava ser acompanhado, não apenas atendido.

Hoje, a Drivers Academy oferece aulas práticas de direção, preparação para o Road Test e acompanhamento durante o processo para obtenção da Driver License, a carteira de motorista.

A empresa também auxilia em serviços ligados a registros de veículos, transferências e regularizações de títulos, placas, renovações, multas e atendimento a dealers, os profissionais e empresas que comercializam veículos.

Além disso, as duas atuam como Notary Public, função autorizada para reconhecer assinaturas e realizar outros atos de autenticação previstos pelas regras locais.

A variedade de serviços surgiu da observação.

Elas percebiam que muitos clientes chegavam com uma dúvida e, ao longo do atendimento, descobriam outros processos que precisavam resolver. Em vez de permitir que a pessoa continuasse perdida entre diferentes locais, passaram a oferecer uma orientação mais completa.

Por trás de cada solicitação, havia uma história.

Um jovem querendo dirigir pela primeira vez.

Uma mãe precisando levar os filhos à escola.

Um imigrante que dependia da carteira para começar a trabalhar.

Uma família tentando colocar em ordem os documentos do primeiro carro comprado nos Estados Unidos.

A Drivers Academy trabalhava com provas, formulários e veículos, mas ajudava pessoas a conquistar autonomia.

Esse entendimento aproximava a empresa da própria história das fundadoras.

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Sarah e Mayra também haviam chegado ao país precisando aprender. Também enfrentaram medo, cansaço e dúvidas. Também aceitaram funções que não representavam seus objetivos finais.

Por isso, o atendimento não era construído apenas a partir de regras. Havia identificação.

Elas sabiam como é sentir vergonha de não compreender uma pergunta. Sabiam como um processo burocrático pode parecer maior quando alguém ainda não domina o idioma. Sabiam que, muitas vezes, o cliente não precisava apenas de uma resposta técnica.

Precisava sentir que não estava sozinho.

A empresa também transformou profundamente as duas.

Empreender ensinou gestão, liderança e organização financeira. Mostrou que uma decisão tomada sem cuidado pode afetar funcionários, clientes e a reputação construída ao longo de anos.

Elas precisaram desenvolver inteligência emocional para lidar com pressão e aprender que nem todo problema pode ser levado para o lado pessoal.

Ao mesmo tempo, descobriram que crescer profissionalmente exige crescimento individual.

Não era possível liderar uma empresa sem aprender a liderar a si mesmas. Era necessário controlar a ansiedade, reconhecer limitações, pedir ajuda e manter clareza nos momentos difíceis.

A amizade amadureceu dentro desse processo.

O que poderia ter separado as duas acabou fortalecendo a relação. Elas aprenderam a respeitar as diferenças e a entender que não precisavam pensar da mesma forma sobre tudo para caminhar na mesma direção.

A prosperidade da parceria não pode ser medida apenas pelo crescimento da Drivers Academy.

Ela aparece na maneira como permaneceram juntas durante quase três anos de espera. Na confiança construída em decisões delicadas. Na capacidade de celebrar o talento uma da outra sem transformar a sociedade em uma competição.

Sarah e Mayra não são irmãs de sangue.

Mas escolheram construir uma relação com a lealdade de uma família.

Quando olham para trás, sentem orgulho da empresa. Ainda assim, o maior resultado não está apenas na autorização conquistada ou na expansão dos serviços.

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Está em reconhecer quem se tornaram.

As jovens que trabalharam com limpeza, comércio e atendimento passaram a liderar um negócio. As imigrantes que precisaram compreender um novo país hoje orientam outras pessoas durante a adaptação. As amigas que compartilhavam sonhos construíram uma sociedade capaz de transformar esses sonhos em serviço.

Elas não romantizam o processo.

Sabem que empreender pode ser cansativo, solitário e financeiramente arriscado. Existem dias em que o movimento não corresponde às expectativas, problemas aparecem ao mesmo tempo e decisões precisam ser tomadas sem a certeza do resultado.

Por isso, o conselho que oferecem não começa com uma promessa de sucesso.

Começa com foco.

É preciso saber quem se é, aonde se quer chegar e quanto se está disposto a trabalhar para isso. A persistência deve ser maior do que os obstáculos, mas também precisa vir acompanhada de responsabilidade.

Ter uma empresa não é apenas gostar da ideia de ser empresário.

É continuar trabalhando quando o reconhecimento ainda não veio. É cumprir exigências que ninguém vê. É cuidar da qualidade mesmo quando seria mais fácil escolher um atalho.

Sarah e Mayra acreditam que Deus esteve presente em cada detalhe da caminhada. Foi na fé que encontraram direção para decisões importantes e paz durante fases em que as circunstâncias não ofereciam segurança.

Para elas, o sucesso não está apenas no que conseguiram construir.

Também está na maneira como construíram.

Sem abandonar os valores que as uniram, sem transformar a pressão em rivalidade e sem esquecer as pessoas que chegam até a empresa precisando de ajuda.

A história da Drivers Academy começou com uma necessidade da comunidade brasileira. Cresceu a partir de uma amizade e atravessou quase três anos de espera até alcançar uma das conquistas mais importantes da empresa.

Hoje, Sarah e Mayra trabalham lado a lado em um negócio que ajuda pessoas a encontrar direção dentro e fora das ruas.

Talvez por isso tantos clientes acreditem que elas sejam irmãs.

O sobrenome igual pode causar a primeira impressão. Mas é a forma como dividem responsabilidades, sustentam os sonhos uma da outra e caminham na mesma direção que torna essa ideia tão convincente.

Elas nasceram em famílias diferentes.

A vida, porém, deu a ambas a oportunidade de escolher uma à outra.

E foi dessa amizade que nasceu uma empresa, uma missão e uma história de prosperidade construída a quatro mãos.

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Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

Entrevista concedida por Sarah Raquel e Mayra Raquel Respostas fornecidas diretamente pelas entrevistadas Informações compartilhadas com a equipe do Vou Pra América

Transparência Editorial

Este conteúdo foi produzido a partir das informações fornecidas diretamente por Sarah Raquel e Mayra Raquel. A narrativa foi organizada em formato storytelling, com ajustes na ordem dos acontecimentos e nas transições para melhorar a clareza e a fluidez, sem modificar a essência dos relatos. As informações sobre a Drivers Academy e seus serviços refletem as declarações das entrevistadas.

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