PF diz que nenhuma das 163 crianças localizadas nos EUA é brasileira, mas método de identificação não foi divulgado

Jacy Abreu10 de setembro de 2026Brasileiros nos EUA
PF diz que nenhuma das 163 crianças localizadas nos EUA é brasileira, mas método de identificação não foi divulgado

A Polícia Federal informou em 9 de setembro que nenhuma criança brasileira está entre as 163 pessoas localizadas nos Estados Unidos durante a Operação Statewide Shield. Segundo a PF, a conclusão foi repassada pelas próprias autoridades norte-americanas.

A operação foi liderada pelo Florida Department of Law Enforcement, o FDLE, e ocorreu entre 17 e 21 de agosto. Segundo o órgão, foram localizadas 163 crianças e adolescentes com idades entre 2 meses e 17 anos. Os resultados envolveram a Flórida, outros seis estados, um território dos Estados Unidos e 12 países.

O FDLE informou que muitas das crianças haviam enfrentado situações de abuso, negligência, exploração ou exposição a outras atividades criminosas. As identidades dos menores não foram divulgadas publicamente.

PF confirmou resultado, mas não explicou como brasileiros foram descartados

O comunicado da Polícia Federal é direto ao afirmar que, segundo as autoridades americanas, não havia crianças brasileiras entre as 163 localizadas.

A nota pública, porém, não informa qual processo de identificação foi utilizado para chegar a essa conclusão. Não há, no documento consultado, referência a testes de DNA, reconhecimento facial, documentos, impressões digitais ou outro procedimento aplicado ao conjunto de crianças.

Essa diferença é importante porque familiares de crianças desaparecidas no Brasil acompanharam a operação americana na esperança de encontrar possíveis correspondências.

No caso dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos em Bacabal, no Maranhão, a advogada Nathaly Moraes disse na noite de 9 de setembro que a família ainda não havia recebido notificação formal da PF sobre as informações relacionadas à operação.

A ausência dessa comunicação naquele momento não invalida a posição oficial da Polícia Federal. Ela mostra apenas que a divulgação pública e a comunicação individual às famílias não ocorreram necessariamente ao mesmo tempo.

Caso de José Arthur teve comparação de características físicas

No Pará, a situação teve um detalhe adicional. O advogado da família de José Arthur Souza Barros, desaparecido em Eldorado dos Carajás, afirmou ter recebido da PF a informação de que o menino não estava entre as crianças localizadas.

Segundo o advogado Elisson Araújo, fotografias e características anatômicas de José Arthur foram comparadas com as dos menores encontrados nos Estados Unidos.

Essa informação não permite concluir que o mesmo método tenha sido utilizado nos demais casos.

Para famílias brasileiras com crianças desaparecidas, a recomendação continua sendo registrar formalmente o desaparecimento e manter os dados do caso atualizados junto às autoridades. Em situações com possível dimensão internacional, a Polícia Federal pode atuar na cooperação com outros países e solicitar à Interpol a publicação de uma Difusão Amarela, alerta utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

Polícia Federal, comunicado de 9 de setembro de 2026 Florida Department of Law Enforcement, Operation Statewide Shield Imirante, manifestação da advogada da família de Ágatha e Allan O Liberal, caso José Arthur

Transparência Editorial

Esta matéria diferencia informações oficialmente confirmadas de pontos ainda não detalhados pelas autoridades. A PF confirmou que, segundo autoridades americanas, nenhuma criança brasileira está entre as 163 localizadas. Até a publicação deste texto, as fontes oficiais consultadas não explicavam qual método foi utilizado para determinar a nacionalidade de todas as crianças. Não há base documental para afirmar que testes de DNA tenham sido realizados em todos os menores.

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