Mãe entrega DNA após pista indicar que filho desaparecido no Maranhão pode estar nos EUA

A mãe de Allan Michael, de 4 anos, e Ágatha Isabelly, de 6, desaparecidos desde janeiro em Bacabal, no Maranhão, entregou material genético nesta quarta-feira (9) após surgir uma pista envolvendo uma criança localizada nos Estados Unidos.
Segundo Nathaly Moraes, advogada da família, existe um indicativo de que a criança possa ser Allan. A confirmação, porém, depende da comparação genética. Até a publicação desta matéria, nenhuma autoridade brasileira ou americana havia confirmado que o menino foi encontrado nos EUA.
Clarisse Cardoso participou de uma reunião na sede da Polícia Federal em São Luís. Depois do encontro, afirmou estar confiante de que os filhos possam ser encontrados vivos. A coleta do DNA foi realizada para permitir o confronto com o material genético da criança localizada em território americano.
Polícia Federal analisa alerta internacional para os irmãos
A Polícia Federal confirmou nesta quarta-feira que recebeu um pedido para incluir Allan e Ágatha em uma Difusão Amarela da Interpol, mecanismo internacional destinado à localização de pessoas desaparecidas.
Segundo a PF, o pedido foi apresentado pela mãe acompanhada da advogada. A solicitação ainda será analisada antes de um eventual encaminhamento à Interpol. Depois disso, cabe à organização decidir sobre a publicação e o compartilhamento do alerta entre os países integrantes da rede.
A Interpol explica que a Difusão Amarela pode ser usada para localizar pessoas desaparecidas, inclusive crianças, ou identificar alguém que não consiga informar a própria identidade. Os alertas permitem que forças policiais de diferentes países compartilhem informações sobre um mesmo caso.
A própria Polícia Federal informa que a cooperação internacional pode ser utilizada para localizar pessoas desaparecidas e identificar vítimas fora do país. No Brasil, a PF faz a interlocução com a Interpol nos casos que exigem atuação internacional.
Operação na Flórida recuperou 163 crianças
A suspeita envolvendo os Estados Unidos surge poucas semanas depois de uma grande operação de localização de crianças desaparecidas realizada na Flórida.
O Florida Department of Law Enforcement, o FDLE, anunciou em 25 de agosto que a Operation Statewide Shield recuperou 163 crianças com idades entre 2 meses e 17 anos. A ação durou cinco dias e reuniu autoridades estaduais, locais e federais.
Foram registradas 46 recuperações na região de Tampa Bay, 41 em Miami, 32 em Jacksonville, 21 em Orlando, 12 em Fort Myers, oito em Pensacola e três na região de Tallahassee. Segundo o FDLE, a operação também resultou em localizações e recuperações em outros seis estados americanos, um território dos EUA e 12 países.
O órgão informou que muitas das crianças recuperadas haviam enfrentado situações de abuso, negligência, exploração ou exposição a outras atividades criminosas. Isso não significa que todas tenham sido sequestradas ou vítimas de tráfico humano.
Leia também:Operação na Flórida recupera 163 crianças desaparecidas em cinco dias
Não há confirmação de que Allan esteja entre as 163 crianças
Apesar da proximidade entre os casos, não existe confirmação oficial de que a criança cujo DNA será comparado ao de Clarisse tenha sido localizada durante a Operation Statewide Shield.
O comunicado público do FDLE não divulga os nomes das 163 crianças e não cita Allan Michael ou o desaparecimento ocorrido em Bacabal. Por isso, a operação americana funciona como contexto para a investigação, e não como confirmação de que o menino tenha sido localizado.
Allan e Ágatha desapareceram em 4 de janeiro de 2026 na comunidade São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. Autoridades do Maranhão relataram ao Senado que as buscas mobilizaram forças policiais, bombeiros, cães, drones e centenas de voluntários. As investigações continuaram mesmo após o encerramento das buscas intensivas em determinadas áreas.
O DNA agora é a informação decisiva
O próximo avanço objetivo depende do confronto genético. Se o material da criança localizada nos Estados Unidos for compatível com o DNA da mãe, autoridades brasileiras e americanas terão de tratar os procedimentos seguintes de identificação e cooperação internacional.
Se não houver compatibilidade, a pista será descartada e as buscas pelos irmãos continuarão.
Para brasileiros nos Estados Unidos que recebam informações sobre crianças desaparecidas no Brasil, a orientação da Interpol é encaminhar dados à polícia local. Informações verificáveis podem então ser compartilhadas pelos canais oficiais de cooperação internacional.
No caso de Allan, a informação central permanece a mesma nesta quarta-feira, 9 de setembro: existe uma pista nos Estados Unidos e existe material genético para verificá-la. Ainda não existe confirmação de que a criança localizada seja o menino desaparecido no Maranhão.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Reportagem original do g1 Maranhão e TV Mirante, publicada em 9 de setembro de 2026, utilizada como insumo inicial sobre a coleta de DNA, as declarações de Clarisse Cardoso e as informações atribuídas à advogada Nathaly Moraes. Florida Department of Law Enforcement, comunicado oficial de 25 de agosto de 2026 sobre a Operation Statewide Shield. Comunicado oficial do FDLE Polícia Federal, nota publicada em 9 de setembro de 2026 sobre o pedido de inclusão das crianças em Difusão Amarela da Interpol. Nota oficial da Polícia Federal Interpol, documentação oficial sobre o funcionamento das Yellow Notices, chamadas de Difusões Amarelas. Informações oficiais da Interpol
Transparência Editorial
O Vou pra América verificou separadamente as informações sobre a operação realizada na Flórida e o procedimento internacional solicitado pela família. Até a publicação desta matéria, nenhuma fonte oficial consultada confirmou que Allan Michael esteja entre as 163 crianças recuperadas na Operation Statewide Shield. A matéria será atualizada caso o resultado do exame de DNA ou novas informações oficiais sejam divulgados.
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