Julgamento de mãe que matou 3 filhos termina sem veredito após 7 dias de impasse

Foto: Boston Globe/ Getty Images/Portal Terra
Um juiz de Massachusetts encerrou sem veredito, na sexta-feira, 4 de setembro, o julgamento de Lindsay Clancy, acusada de matar os três filhos em 2023. O júri passou sete dias deliberando, mas não conseguiu chegar a uma decisão unânime sobre a responsabilidade criminal da ex-enfermeira.
O chamado mistrial não significa absolvição. O processo terminou sem uma decisão do júri, e as acusações permanecem. Agora, cabe ao gabinete do promotor distrital do condado de Plymouth decidir se tentará levar Clancy novamente a julgamento, buscará outro desfecho judicial ou desistirá das acusações. Até 6 de setembro, essa decisão não havia sido anunciada.
Clancy, de 36 anos, não contestou durante o julgamento que matou Cora, de 5 anos, Dawson, de 3, e Callan, de 8 meses, em janeiro de 2023, na casa da família em Duxbury.
A disputa no tribunal foi outra: determinar se ela tinha capacidade mental para ser responsabilizada criminalmente pelos crimes.
O que defesa e acusação disseram
A defesa sustentou que Clancy estava psicótica no momento das mortes e não tinha controle sobre suas ações. Especialistas chamados pelos advogados afirmaram que ela apresentava psicose pós-parto e relataram que Clancy disse ter ouvido uma voz ordenando que matasse as crianças e a si mesma.
Os promotores apresentaram uma interpretação diferente. A acusação reconheceu que Clancy enfrentava problemas de saúde mental, mas argumentou que ela sabia o que estava fazendo e planejou os assassinatos. Especialistas apresentados pela promotoria disseram que suas avaliações não indicaram psicose pós-parto.
O impasse entre essas duas versões dominou cinco semanas de depoimentos.
Depois de sete dias de deliberação, os 12 jurados comunicaram ao juiz William Sullivan que não conseguiriam chegar à unanimidade. Sullivan declarou o mistrial após uma última tentativa da defesa de recorrer à Suprema Corte Judicial de Massachusetts. O pedido emergencial foi rejeitado.
Psicose pós-parto é uma emergência médica
A discussão judicial sobre a condição específica de Clancy não deve ser confundida com o que a medicina estabelece sobre a psicose pós-parto.
O Departamento de Saúde Pública de Massachusetts classifica a condição como uma emergência psiquiátrica. A estimativa oficial é de que ela atinja aproximadamente uma ou duas pessoas a cada mil que dão à luz.
Segundo o estado, o início costuma ser súbito. Entre os sinais estão alterações rápidas do estado mental, mudanças de humor acompanhadas de comportamentos atípicos, delírios, paranoia e alucinações. A orientação oficial é procurar atendimento imediatamente quando esses sintomas aparecem.
Isso não significa que o diagnóstico explique automaticamente o que ocorreu no caso Clancy. Essa foi justamente a questão que acusação e defesa não conseguiram resolver perante o júri. Também não é correto tratar psicose pós-parto e depressão pós-parto como a mesma condição.
Onde brasileiros podem procurar ajuda em Massachusetts
Para famílias brasileiras que vivem no estado, existe um caminho de atendimento que não depende de ter plano de saúde.
A Massachusetts Behavioral Health Help Line atende pelo telefone ou mensagem de texto no 833-773-2445, 24 horas por dia. O serviço é gratuito, não exige seguro e oferece interpretação em tempo real em mais de 200 idiomas. A linha conecta o usuário a avaliação clínica, atendimento de crise e serviços de saúde mental disponíveis no estado.
Pessoas em sofrimento emocional ou crise suicida também podem ligar ou enviar mensagem para o 988, serviço disponível 24 horas.
Há ainda a National Maternal Mental Health Hotline, do governo federal, no 1-833-TLC-MAMA (1-833-852-6262). O atendimento é gratuito, confidencial, funciona 24 horas e oferece suporte inclusive em português brasileiro. Familiares e parceiros também podem procurar orientação.
O caso de Lindsay Clancy ainda continuará no sistema judicial. Para famílias fora do tribunal, porém, o ponto prático é mais imediato: sintomas de psicose pós-parto exigem avaliação médica urgente, e Massachusetts mantém canais gratuitos para conectar moradores ao atendimento.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Associated Press, cobertura do julgamento e do mistrial de Lindsay Clancy, publicada em setembro de 2026. WBUR, cobertura do Plymouth Superior Court e da decisão do juiz William Sullivan em 4 de setembro de 2026. Massachusetts Department of Public Health e Department of Mental Health, informações oficiais sobre psicose pós-parto e serviços estaduais de saúde comportamental. Health Resources and Services Administration, governo dos Estados Unidos, informações sobre a National Maternal Mental Health Hotline.
Transparência Editorial
Esta matéria foi produzida a partir de um insumo inicial publicado pelo Terra. Os fatos centrais, dados médicos e canais de atendimento foram checados de forma independente em fontes jornalísticas e governamentais. Alegações da acusação e da defesa foram atribuídas às respectivas partes. A matéria não afirma que Lindsay Clancy tinha psicose pós-parto no momento dos crimes, porque essa questão permaneceu em disputa no julgamento.
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