Brasileiros avançam no setor de serviços dos EUA em mercado que segue em expansão

Jacy Abreu17 de setembro de 2026Imigração
Brasileiros avançam no setor de serviços dos EUA em mercado que segue em expansão

Brasileiros já ocupam uma parcela relevante do mercado de serviços dos Estados Unidos. Dados do Migration Policy Institute mostram que 73% dos imigrantes brasileiros em idade ativa participavam da força de trabalho americana em 2024. Entre os brasileiros empregados, 22% estavam em ocupações ligadas a serviços.

O levantamento foi elaborado com base na American Community Survey, do U.S. Census Bureau, e ajuda a dimensionar uma presença que aparece diariamente em setores como limpeza, construção, manutenção, estética, paisagismo e atendimento ao consumidor.

Esse recorte também ajuda a explicar um movimento comum dentro da comunidade brasileira: profissionais que começam executando diretamente o serviço e, com o tempo, tentam transformar essa atividade em empresa.

Do trabalho operacional ao negócio próprio

O empreendedorismo imigrante tem peso relevante nos Estados Unidos.

Segundo o American Immigration Council, 23,6% dos empreendedores americanos são imigrantes. A participação é superior à proporção de estrangeiros na população do país.

A presença aparece desde pequenos negócios locais até grandes companhias. Entre as empresas da Fortune 500 de 2025 classificadas em serviços profissionais e outros serviços, 80% foram fundadas por imigrantes ou filhos de imigrantes.

O dado não mede o desempenho de pequenas empresas brasileiras, mas mostra a dimensão da participação dos imigrantes na criação de negócios nos Estados Unidos.

Para muitos brasileiros, o desafio começa depois que os primeiros clientes aparecem.

Um profissional pode dominar tecnicamente o serviço, conseguir indicações e manter uma agenda cheia. Isso não significa que tenha construído uma empresa capaz de funcionar sem sua presença diária.

A passagem do trabalho autônomo para uma operação empresarial exige controle de custos, definição de preços com margem, organização financeira, contratação, aquisição de clientes e criação de processos que possam ser repetidos por outras pessoas.

Esse foi um dos temas discutidos no Lume Scale 2026, realizado em 12 de setembro, em Mint Hill, na região de Charlotte, Carolina do Norte.

Segundo os organizadores, quase 300 empresários participaram do encontro. O público reuniu empreendedores de áreas como limpeza, construção, paisagismo, estética e outros segmentos de serviços. A previsão inicial era receber cerca de 200 pessoas.

O número final de participantes foi informado pela organização do evento e não teve verificação independente.

Mercado americano continua crescendo

A presença dos brasileiros ocorre dentro de um setor que continua expandindo nos Estados Unidos.

O índice de serviços calculado pelo Institute for Supply Management, o ISM, chegou a 55,4 pontos em agosto de 2026, acima dos 54,1 registrados em julho.

Resultados acima de 50 indicam expansão da atividade. Agosto marcou o 26º mês consecutivo de crescimento do setor.

Os novos pedidos chegaram a 60,9 pontos, enquanto a atividade empresarial avançou para 61,7.

O faturamento também aumentou. Segundo o U.S. Census Bureau, as atividades acompanhadas pela pesquisa trimestral de serviços movimentaram US$ 6,418 trilhões no segundo trimestre de 2026.

O resultado representa crescimento de 3% em relação aos três primeiros meses do ano e de 7,6% na comparação com o segundo trimestre de 2025.

Os números ajudam a mostrar o tamanho do mercado onde muitos brasileiros já trabalham. Eles não significam, porém, que abrir ou expandir uma empresa ficou mais fácil.

Demanda cresce, mas custos e contratação continuam pressionando empresas

O próprio levantamento do ISM mostra essa diferença.

Enquanto atividade e novos pedidos avançaram, o índice de emprego ficou em 47,8 pontos em agosto. Leituras abaixo de 50 indicam contração. Foi o segundo mês consecutivo de queda nesse indicador.

Os preços pagos pelas empresas chegaram a 72,6 pontos, maior nível desde agosto de 2022.

Na prática, empresas podem encontrar clientes e ainda enfrentar dificuldade para contratar, manter funcionários e preservar margem.

Para quem atua em serviços, esses problemas aparecem diretamente na formação do preço.

Combustível, materiais, seguros, salários, equipamentos, impostos e tempo de deslocamento entram na conta antes que o valor recebido pelo cliente possa ser tratado como lucro.

Brasil mostra ritmo menor

O contraste econômico também aparece nos números brasileiros.

O volume do setor de serviços ficou estável em julho de 2026 na comparação com junho, segundo o IBGE. Na comparação com julho de 2025, houve crescimento de 0,9%.

O acumulado em 12 meses ficou em 2,4%.

A diferença entre os dois países ajuda a contextualizar o mercado americano, mas não explica sozinha por que brasileiros estão abrindo empresas nos Estados Unidos.

A presença brasileira no setor é anterior aos números mais recentes e está ligada também à elevada participação dos imigrantes na força de trabalho americana.

O desafio é deixar de vender apenas o próprio tempo

Amanda Antunes Domiciano e Rafael Bazilio, organizadores do Lume Scale e fundadores da Lume Education, construíram negócios ligados ao setor de serviços.

A Amanda's Maid informa em seu site ter atendido milhares de residências e acumulado mais de mil avaliações de cinco estrelas. Os números operacionais divulgados pela companhia são informações fornecidas pela própria empresa.

Para Amanda, encontrar demanda foi apenas parte do processo.

“Eu nunca precisei inventar uma necessidade. As pessoas já precisavam dos serviços. O desafio foi descobrir como vender melhor, contratar melhor e transformar aquilo em empresa”, afirmou.

A frase resume uma diferença importante para quem trabalha por conta própria nos Estados Unidos.

Quando toda a receita depende das horas trabalhadas pelo proprietário, aumentar o faturamento significa trabalhar mais ou cobrar mais. Uma empresa começa a ganhar capacidade de escala quando consegue atender clientes mesmo sem o dono executar pessoalmente cada serviço.

Isso exige processos, equipe, controle financeiro e capacidade de manter a qualidade enquanto o volume cresce.

Para o brasileiro que já atua no setor de serviços americano, esse é o ponto central.

O mercado continua expandindo e a comunidade brasileira já ocupa espaço relevante nele. A oportunidade existe. Transformar essa demanda em empresa sustentável exige organização muito além da habilidade de executar o serviço.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

Dados sobre brasileiros no mercado de trabalho americano: Migration Policy Institute, com base na American Community Survey do U.S. Census Bureau. Dados sobre empreendedorismo imigrante e empresas da Fortune 500: American Immigration Council. Dados sobre atividade do setor de serviços nos Estados Unidos: Institute for Supply Management. Dados sobre receitas das empresas americanas de serviços: U.S. Census Bureau. Dados sobre o setor de serviços brasileiro: IBGE. Informações sobre Amanda's Maid: site institucional da empresa. Informações sobre público, programação e declarações do Lume Scale 2026 foram fornecidas pelos organizadores do evento.

Transparência Editorial

O Vou pra América verificou os dados econômicos e demográficos em fontes oficiais e institucionais. Informações sobre participação no evento e indicadores próprios das empresas citadas são atribuídas aos responsáveis quando não há documentação pública independente disponível. O contraste entre Brasil e Estados Unidos foi usado como contexto econômico. Os dados disponíveis não permitem afirmar que a diferença de desempenho entre os dois mercados seja responsável pelo crescimento do empreendedorismo brasileiro nos Estados Unidos.

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