EUA têm recorde de 144 bilionários imigrantes, com fortuna de US$ 2,2 trilhões

Os Estados Unidos chegaram a um recorde de 144 bilionários nascidos no exterior, com patrimônio conjunto estimado em US$ 2,2 trilhões, segundo a edição de 2026 do ranking de imigrantes mais ricos da Forbes. O grupo representa cerca de 15% dos bilionários americanos e concentra aproximadamente um quarto da riqueza dessa parcela da população.
O levantamento foi publicado pela Forbes em 15 de julho de 2026. A lista considera cidadãos americanos nascidos no exterior que vivem atualmente nos Estados Unidos e reúne pessoas originárias de 45 países e territórios.
Em 2025, eram 125 nomes, com patrimônio combinado estimado em US$ 1,3 trilhão. A nova edição adicionou 19 bilionários ao grupo.
A comparação entre os dois valores mostra aumento nominal próximo de 69% na riqueza conjunta. Isso não significa, porém, que os integrantes da lista ficaram 69% mais ricos individualmente. O resultado também depende da entrada de novos bilionários e da valorização ou desvalorização das participações empresariais usadas para calcular essas fortunas.
Três nomes concentram mais de 60% da riqueza
A distribuição do patrimônio é bastante desigual.
Elon Musk, nascido na África do Sul, aparece no topo do levantamento. Ele é seguido por Sergey Brin, cofundador do Google e nascido na Rússia, e Jensen Huang, cofundador e presidente da Nvidia, nascido em Taiwan.
Considerando os valores apresentados na base da Forbes utilizada para o ranking, os três somavam aproximadamente US$ 1,375 trilhão na data de referência do levantamento. Isso corresponde a cerca de 62,5% dos US$ 2,2 trilhões atribuídos ao grupo completo.
A concentração ajuda a dimensionar o dado de um quarto da riqueza dos bilionários americanos. Embora 144 imigrantes estejam na lista, uma parcela considerável do patrimônio está vinculada a apenas três empresários e à valorização de empresas de tecnologia.
Os setores de tecnologia e finanças aparecem repetidamente entre os nomes mais ricos. Semicondutores, software, inteligência artificial, capital de risco, private equity, serviços financeiros e equipamentos de informática estão entre as principais fontes de fortuna registradas no levantamento.
Índia lidera entre os países de nascimento
A Índia ocupa pelo segundo ano consecutivo a primeira posição entre os países de origem dos bilionários imigrantes. São 19 pessoas nascidas no país, contra 12 na edição anterior.
Israel e Taiwan aparecem em seguida, com 11 representantes cada.
Entre os indianos que entraram ou aparecem no ranking estão empresários e executivos ligados a semicondutores, software, investimentos e inteligência artificial. A lista inclui nomes como Vinod Khosla, Jay Chaudhry, Sanjay Gajendra, Jitendra Mohan, Sundar Pichai e Satya Nadella.
A edição de 2026 também adicionou países que não apareciam no levantamento anterior, entre eles Haiti, Filipinas, Polônia e Espanha.
Peso dos imigrantes vai além das grandes fortunas
O ranking registra casos extremos de acumulação de patrimônio e não representa a situação econômica do imigrante médio nos Estados Unidos. Outros indicadores, porém, mostram que a presença de estrangeiros na criação de grandes empresas não se limita ao clube dos bilionários.
Uma análise do American Immigration Council sobre a Fortune 500 de 2025 identificou que 231 das 500 maiores empresas americanas, ou 46,2%, foram fundadas por imigrantes ou por filhos de imigrantes.
Desse total, 109 foram fundadas diretamente por pessoas nascidas fora dos Estados Unidos e 122 por filhos de imigrantes. Essas companhias registraram conjuntamente US$ 8,6 trilhões em receita no ano fiscal anterior, segundo a organização.
Os dois levantamentos medem fenômenos diferentes. A Forbes calcula patrimônio pessoal. O American Immigration Council examina a origem dos fundadores das maiores companhias do país. Juntos, os dados mostram uma presença expressiva de pessoas com origem migrante entre grandes empresas e patrimônios americanos, sem permitir concluir que a imigração, por si só, produz enriquecimento.
O que esse ranking diz ao brasileiro que empreende nos EUA
Para brasileiros que vivem ou pretendem construir negócios nos Estados Unidos, a principal leitura não está nas cifras bilionárias.
As trajetórias reunidas pela Forbes mostram forte presença em setores capazes de crescer para mercados nacionais e internacionais, principalmente tecnologia, software, semicondutores e investimentos. Também aparecem empresários de alimentação, imóveis, indústria, saúde, telecomunicações e serviços.
Isso não constitui uma fórmula de sucesso. Patrimônio bilionário é uma exceção estatística e depende de fatores como formação, capital, participação societária, momento de mercado e capacidade de expansão do negócio.
Também não existe equivalência automática entre abrir uma empresa e possuir autorização migratória para trabalhar nos Estados Unidos. A estrutura empresarial e o status migratório são questões diferentes e devem ser analisadas separadamente por quem pretende empreender no país.
O dado relevante para o brasileiro está em outro ponto: imigrantes não participam apenas do mercado de trabalho americano. Uma parcela deles também fundou empresas, ocupou posições executivas e construiu negócios que chegaram ao topo da economia do país.
O recorde de 144 bilionários mostra a dimensão mais extrema desse fenômeno. A presença de 231 empresas com raízes imigrantes na Fortune 500 mostra que ele vai além de algumas fortunas individuais.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
A reportagem utiliza como fonte principal o ranking America’s Richest Immigrants 2026, publicado pela Forbes em 15 de julho de 2026 e editado por Matt Durot e Giacomo Tognini. Os dados complementares sobre empresas da Fortune 500 foram publicados pelo American Immigration Council em agosto de 2025. Os valores individuais e países de nascimento também foram conferidos na base fornecida para esta apuração.
Transparência Editorial
O Vou pra América reescreveu integralmente a narrativa a partir dos dados originais e acrescentou análise própria sobre concentração patrimonial e empreendedorismo imigrante. Patrimônios de bilionários são estimativas sujeitas à oscilação dos mercados. O texto não apresenta esses casos como representativos da experiência econômica do imigrante médio.
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