Só 34% da Geração Z vê ascensão da China como ameaça crítica nos EUA, diz pesquisa

Apenas 34% dos americanos da Geração Z classificaram o desenvolvimento da China como potência mundial como uma ameaça crítica aos Estados Unidos, percentual bem abaixo dos 62% registrados entre Baby Boomers, segundo pesquisa divulgada em 12 de agosto pelo Chicago Council on Global Affairs.
O dado de 34% é da pesquisa realizada em 2025, e não de 2026. O relatório publicado neste mês combina dois levantamentos da Ipsos: um feito em julho de 2025, com 2.148 adultos, e outro realizado entre 13 e 15 de março de 2026, com 1.025 participantes. As amostras foram ponderadas para representar a população adulta dos Estados Unidos.
A diferença entre gerações é ampla. Em 2025, 56% da Geração X e 43% dos Millennials também consideraram a ascensão chinesa uma ameaça crítica. Entre integrantes da Geração Z, o percentual caiu de 50% em 2020 para 34% em 2025. Foi a única geração pesquisada em que a percepção de ameaça ficou abaixo do nível anterior à pandemia.
Outro resultado reforça a distância entre os grupos. Um quarto da Geração Z, 25%, afirmou que a China não representa ameaça alguma aos Estados Unidos. A resposta foi dada por 16% dos Millennials, 11% da Geração X e apenas 4% dos Boomers.
Jovens também preferem mais cooperação com a China
A diferença não aparece apenas quando a pesquisa usa a palavra ameaça.
Em 2025, 59% da Geração Z e 58% dos Millennials defenderam uma política de cooperação e relacionamento amistoso com a China. Entre a Geração X e os Boomers, o percentual foi de 48%. Um ano antes, o apoio à cooperação era de 38% entre a Geração Z e 42% entre os Millennials.
Mesmo entre os mais jovens, isso não significa que a China seja majoritariamente vista como aliada. Entre integrantes da Geração Z, 43% classificaram a relação como de rivalidade ou antagonismo, enquanto 28% enxergaram a China como parceira ou aliada. Outros 27% disseram não saber como definir a relação.
A pesquisa, portanto, registra menor disposição para tratar a China como ameaça, mas não demonstra uma mudança uniforme para uma visão favorável a Pequim.
Tarifas colocam o custo de vida no centro da divisão
O contraste geracional fica mais concreto quando o levantamento pergunta sobre comércio.
Cerca de 69% da Geração Z e dos Millennials se disseram contrários a uma redução do comércio entre Estados Unidos e China. Outros 66% de cada grupo rejeitaram o aumento das tarifas cobradas sobre produtos chineses importados.
Há um ponto em que as gerações se aproximam. No total, 76% dos entrevistados disseram que as tarifas sobre importações chinesas tiveram efeito negativo sobre o custo de vida nos Estados Unidos. O percentual chegou a 78% entre integrantes da Geração Z e Millennials e ficou em 71% entre Boomers.
Esse resultado mede a percepção dos entrevistados. Ele não significa que a pesquisa tenha calculado quanto as tarifas acrescentaram à inflação ou ao orçamento de cada família.
Existem, porém, evidências oficiais de que tarifas anteriores foram repassadas aos preços de determinados produtos. Em análise sobre medidas aplicadas entre 2018 e 2021, a U.S. International Trade Commission concluiu que importadores americanos arcaram com quase todo o custo das tarifas estudadas. Nas mercadorias chinesas atingidas pela Seção 301, a comissão estimou aumento médio de 0,2% nos preços dos produtos americanos dos setores diretamente afetados. Em equipamentos de informática, a alta estimada foi de 0,8%.
A própria comissão ressalvou que o estudo não calculou o impacto total das tarifas sobre toda a economia americana. Os números, portanto, servem para demonstrar o mecanismo de transmissão aos preços, não para medir o efeito das políticas comerciais vigentes em 2026.
Estudantes estrangeiros entram no mesmo debate
A divisão também aparece nas universidades. Enquanto 56% dos Boomers e 63% da Geração X apoiaram limitar a quantidade de estudantes chineses nos Estados Unidos, 64% da Geração Z e 65% dos Millennials rejeitaram esse tipo de restrição.
O tema ganhou espaço no Congresso.
O deputado republicano Riley Moore apresentou em março de 2025 o Stop CCP VISAs Act, identificado como H.R. 2147. O texto pretende alterar a legislação migratória para impedir que cidadãos da República Popular da China recebam status de estudantes não imigrantes. A proposta foi apresentada ao Congresso, mas não equivale a uma proibição já em vigor.
No Senado, o republicano Tommy Tuberville apresentou o Student Visa Integrity Act of 2025, S. 2555, em julho de 2025. A proposta trata de mudanças nos programas de estudantes e visitantes de intercâmbio e foi encaminhada ao Comitê Judiciário.
Esses projetos não criam uma nova restrição de visto para brasileiros. Associar as propostas diretamente a estudantes do Brasil extrapolaria o conteúdo dos textos legislativos.
Por que essa pesquisa interessa a brasileiros que vivem nos EUA
Para brasileiros nos Estados Unidos, o dado mais concreto da pesquisa está menos na disputa diplomática com Pequim e mais na forma como americanos enxergam preços, comércio e presença de estudantes estrangeiros.
Tarifas são cobradas sobre mercadorias importadas, mas parte do custo pode chegar às empresas e consumidores dentro dos Estados Unidos. Para uma família brasileira que recebe em dólar e compra eletrônicos, móveis, equipamentos ou outros produtos expostos ao comércio internacional, decisões comerciais de Washington podem fazer parte da formação do preço pago no caixa.
A pesquisa também ajuda a entender um ambiente universitário em que a opinião sobre estudantes internacionais varia de acordo com a idade. Ela não altera as regras dos vistos F, J ou M para brasileiros, mas mostra que políticas de imigração acadêmica estão sendo discutidas no Congresso dentro de uma disputa maior sobre segurança nacional e relação com a China.
Para quem estuda ou planeja estudar nos Estados Unidos, o procedimento prático não muda por causa dessa pesquisa. O que deve ser acompanhado são alterações publicadas pelo Departamento de Estado, pelo Departamento de Segurança Interna e textos que efetivamente avancem no Congresso. Projeto apresentado não deve ser tratado como lei.
A diferença geracional registrada pelo Chicago Council mostra que a relação dos Estados Unidos com a China não divide apenas partidos e governos. Ela também separa americanos pela idade, especialmente quando a discussão deixa a política externa e chega ao preço das compras e às universidades.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
A base principal desta reportagem é o estudo Gen Z Isn't Concerned About China, publicado pelo Chicago Council on Global Affairs em 12 de agosto de 2026, com dados de pesquisas realizadas pela Ipsos. Para a análise sobre tarifas, foi consultado o relatório da U.S. International Trade Commission sobre os efeitos das tarifas das Seções 232 e 301 entre 2018 e 2021. Os textos legislativos foram conferidos nos registros oficiais do governo dos Estados Unidos para o Stop CCP VISAs Act of 2025 e o Student Visa Integrity Act of 2025. O Brasil de Fato foi utilizado como insumo inicial da pauta. A redação, estrutura, checagem e contextualização desta matéria foram produzidas de forma independente.
Transparência Editorial
O insumo original atribuiu o percentual de 34% da Geração Z a 2026. A fonte primária mostra que esse resultado pertence ao levantamento de 2025. O relatório foi publicado em agosto de 2026 e reúne dados coletados em 2025 e 2026. A informação foi corrigida nesta matéria. A pesquisa expressa opiniões dos entrevistados e não mede diretamente o efeito das tarifas sobre a inflação. Para contextualizar essa diferença, a reportagem consultou estudo independente da U.S. International Trade Commission sobre tarifas aplicadas em período anterior. Nenhum dos projetos legislativos citados foi apresentado nesta reportagem como regra já vigente. Apuração atualizada em 16 de agosto de 2026.
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