Esposa de Maduro pede prisão domiciliar, mas EUA negam e alegam “risco extremo de fuga”

João Gabriel Mendes24 de setembro de 2026Política
Esposa de Maduro pede prisão domiciliar, mas EUA negam e alegam “risco extremo de fuga”

Foto: Jesus Vargas/Getty Imagens

O governo dos Estados Unidos se posicionou contra o pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa de Cilia Flores, esposa de Nicolás Maduro. Presa em Nova York, ela tenta deixar o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn para aguardar o julgamento em uma residência particular.

Em documento apresentado à Justiça, o gabinete do procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York afirmou que Flores representa um “risco extremo de fuga” e poderia representar “perigo para a comunidade”.

A defesa, por outro lado, sustenta que a transferência é necessária devido ao estado de saúde da venezuelana.

Promotores citam possível pena mínima de 40 anos

Um dos principais argumentos utilizados pelos promotores para tentar impedir a prisão domiciliar é a gravidade da possível punição.

Segundo o memorando apresentado à Justiça, Flores pode enfrentar uma pena mínima de 40 anos de prisão caso seja condenada.

Para os promotores, a perspectiva de uma sentença tão longa representaria um forte incentivo para uma eventual tentativa de fuga, especialmente considerando que Flores tem 69 anos.

O governo americano também argumenta que medidas como vigilância permanente, tornozeleira ou monitoramento por GPS não seriam suficientes para eliminar esse risco.

EUA também alegam risco de intimidação

Além do risco de fuga, os promotores afirmaram que a libertação de Flores poderia representar perigo para outras pessoas.

Segundo a acusação, ela poderia tentar intimidar diretamente testemunhas e vítimas na Venezuela caso fosse colocada em prisão domiciliar.

Os promotores também alegam que Flores e Maduro teriam recorrido a episódios de violência para favorecer atividades de tráfico de drogas e corrupção.

Essas acusações fazem parte da argumentação apresentada pelo governo dos Estados Unidos no processo. Flores e Maduro se declararam inocentes das acusações que enfrentam.

Defesa cita problemas cardíacos

O pedido de prisão domiciliar havia sido apresentado pela equipe jurídica de Cilia Flores duas semanas antes.

Os advogados afirmam que a venezuelana enfrenta problemas cardíacos e precisa passar por procedimentos médicos que exigiriam condições melhores de recuperação do que aquelas existentes no centro de detenção.

Segundo a defesa, Flores sofreu em julho um episódio de aproximadamente 30 minutos com forte pressão no peito.

Advogados disseram que especialistas médicos consultados pela equipe não descartaram a possibilidade de que ela tenha sofrido um infarto leve.

A defesa também afirma que Flores perdeu mais de 11 quilos desde que foi presa, apresenta fraqueza, episódios de taquicardia, dificuldades para respirar, dores no peito e tontura.

Os advogados alegam ainda que ela consegue dormir apenas três ou quatro horas por dia.

Defesa ofereceu vigilância armada 24 horas

Para tentar convencer a Justiça de que Flores não fugiria, os advogados propuseram uma série de restrições.

O plano prevê que ela permaneça em uma residência particular sob vigilância armada durante 24 horas por dia.

Também seriam utilizados monitoramento por GPS, restrição de visitas e acompanhamento das ligações telefônicas.

A defesa afirma que Flores não possui antecedentes criminais e sustenta que ela pretende continuar acompanhando o processo judicial até o fim.

Os advogados também contestam a afirmação de que ela represente risco à comunidade.

Promotores contestam argumento médico

O governo americano também questionou a justificativa médica apresentada pela defesa.

Segundo os promotores, a alegação relacionada à necessidade de um cateterismo cardíaco “carece de fundamento”.

Eles afirmam que o procedimento teria sido apresentado como uma condição associada à eventual libertação de Flores e não como uma necessidade que justificasse obrigatoriamente a transferência para prisão domiciliar.

A questão agora deverá ser analisada pelo juiz federal Alvin K. Hellerstein.

Defesa tem prazo para responder

A equipe jurídica de Flores tem até 30 de setembro para responder formalmente aos argumentos apresentados pelos promotores.

Uma audiência para discutir o pedido de prisão domiciliar está marcada para 8 de outubro.

Cilia Flores e Nicolás Maduro estão presos nos Estados Unidos e respondem a acusações relacionadas a tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção. Ambos se declararam inocentes.

O julgamento está previsto para começar em 1º de junho de 2027.

João Gabriel Mendes

João Gabriel Mendes

Fontes e Créditos

CNN Brasil — “EUA se opõem ao pedido da esposa de Maduro de prisão domiciliar”, publicada em 24 de setembro de 2026. CNN Brasil — “Esposa de Maduro solicita prisão domiciliar por problemas de saúde”, publicada em 10 de setembro de 2026.

Transparência Editorial

Conteúdo elaborado a partir de informações publicadas pela CNN Brasil e documentos judiciais descritos pela reportagem. Alegações sobre risco de fuga, perigo à comunidade e possível intimidação de testemunhas são atribuídas aos promotores dos Estados Unidos. Informações sobre problemas de saúde são argumentos apresentados pela defesa de Cilia Flores.

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