Jackie Sales: quando a vida muda os planos, keep going

Jacy Abreu24 de agosto de 2026Brasileiros nos EUA
Jackie Sales: quando a vida muda os planos, keep going

Jackie Sales nasceu e cresceu em Fortaleza, Ceará, em uma família tradicional e empreendedora. O trabalho entrou cedo em sua vida. Aos 11 anos, começou na indústria de café do pai, onde permaneceu por aproximadamente oito anos. Aos 16, já experimentava o empreendedorismo.

Depois do encerramento da empresa familiar e de uma passagem pela distribuição, encontrou seu espaço na representação comercial. Durante cerca de 15 anos, trabalhou com grandes marcas nacionais e multinacionais, desenvolvendo produtos, abrindo mercados e construindo relacionamentos.

Jackie estava profissionalmente estabelecida quando decidiu deixar o Brasil. Por isso, faz questão de diferenciar sua história de tantas narrativas sobre imigração: “Eu não deixei para trás uma vida que não deu certo. Deixei uma história construída para ter coragem de começar outra.”

Uma mudança que começou pelo amor

A decisão de viver nos Estados Unidos não nasceu de uma oportunidade profissional. Nasceu do amor e do desejo de construir uma família.

Jackie conheceu o homem que se tornaria seu marido, que já vivia em Orlando havia muitos anos. Foi, segundo ela, amor à primeira vista. Casaram-se pouco tempo depois e, por questões relacionadas ao processo imigratório, passaram aproximadamente cinco anos dividindo a vida entre Brasil e Estados Unidos.

Em 2012, ela fez a mudança definitiva.

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Deixava em Fortaleza uma carreira consolidada, clientes, relacionamentos e independência. Nos Estados Unidos, teria de lidar com outro idioma, outra cultura e a necessidade de reconstruir sua identidade profissional.

Mas havia uma certeza.

Jackie não tinha vindo para experimentar uma vida nos Estados Unidos. Tinha vindo para construí-la. E desistir nunca fez parte do plano.

Ela chegou legalmente documentada, com Green Card e estrutura financeira para tirar um ano sabático. Mas ficar parada não combinava com sua personalidade.

No início do segundo ano, começou a trabalhar em uma grande rede americana de produtos infantis. Depois passou pelo setor de móveis e construiu uma trajetória no mercado corporativo americano, acumulando experiências em diferentes áreas, entre elas finanças, banco e marketing de rede.

O idioma foi uma das primeiras barreiras.

Imigrar adulta trouxe uma sensação particular: Jackie conhecia sua própria capacidade, mas nem sempre conseguia demonstrá-la imediatamente em outra língua. Isso mexeu com sua segurança e autoestima.

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Trabalhar diretamente com americanos acelerou sua integração à língua, à cultura e ao ambiente profissional.

Foi mais um recomeço e uma constatação que passaria a acompanhá-la: Recomeçar não apaga quem você era. Revela o que você é capaz de construir novamente.

Quando a vida mudou a rota

Anos depois, foi dentro de casa que uma nova transformação começou.

Jackie tornou-se mãe e, aos 4 anos e 4 meses, seu filho recebeu o diagnóstico de autismo. Naquele mesmo período, seu marido atravessava uma transição profissional para se tornar piloto de avião.

Sem uma grande rede familiar de apoio nos Estados Unidos, ela precisava encontrar uma maneira de estar mais presente na vida do filho sem abrir mão da própria independência profissional.

Em um evento de networking, conheceu mais de perto um produto de proteção financeira. Antes de pensar em trabalhar com aquilo, decidiu conhecê-lo como cliente. Contratou sua própria proteção e começou a estudar a indústria.

Em 2020, conquistou sua licença como agente de seguros nos Estados Unidos e voltou ao empreendedorismo.

A nova carreira revelou uma realidade que chamava sua atenção: famílias imigrantes trabalhavam, compravam casas, abriam empresas e construíam patrimônio, mas nem sempre criavam uma estrutura de proteção proporcional àquilo que estavam conquistando.

Jackie encontrou ali um propósito.

Proteger o que uma família levou anos para construir também era uma forma de cuidar do futuro dela.

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Hoje, é fundadora da Mindset Financial, agência em expansão na qual também atua no desenvolvimento e treinamento de novos agentes. Seu trabalho envolve diferentes soluções de proteção e estratégias financeiras, sempre partindo da realidade, dos objetivos e das necessidades de cada cliente.

“Uma licença abre a porta. É a credibilidade que faz você permanecer.”

Em 2022, outro projeto nasceu de uma necessidade que ela própria sentia como imigrante e empreendedora.

Ao se aproximar mais da comunidade brasileira, Jackie percebeu que sentia falta de networking com estrutura, continuidade e conexões capazes de gerar valor real.

Criou então a Business & NetWealth, voltada a conectar e fortalecer empresários e profissionais por meio de educação, networking, conexões B2B, parcerias estratégicas e iniciativas comunitárias.

Os dois negócios são diferentes, mas revelam uma característica que Jackie reconhece em si desde muito jovem:

ela gosta de construir pontes.

Quando proteção deixou de ser apenas profissão

Mas seria uma experiência dentro da própria família que daria outro significado ao trabalho que Jackie já realizava.

Seu marido recebeu o diagnóstico de glioblastoma, um tumor cerebral extremamente agressivo.

Começou uma jornada que se estenderia entre 2023 e 2025.

Anos antes, ele havia decidido não contratar uma proteção que incluísse benefícios em vida porque acreditava, como tantas pessoas, que provavelmente nunca precisaria dela.

Jackie já trabalhava com proteção financeira.

Então, a teoria encontrou a vida de uma forma brutalmente concreta.

Durante dois anos, a família atravessou a doença até a morte de seu marido. Jackie ficou diante de uma nova realidade: viúva, mãe de uma criança pequena e de um filho autista cujo futuro exige um planejamento diferente.

A experiência não substituiu sua formação profissional. Mas aprofundou sua compreensão sobre a responsabilidade do trabalho que havia escolhido.

Ela passou a falar sobre proteção não a partir do medo, mas da consciência. Porque planejamento não impede que a vida aconteça.

Ele ajuda uma família a estar mais preparada quando ela acontece.

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A mulher que continuou

Quando Jackie olha para sua trajetória, poderia apontar a licença profissional, a própria agência, a Business & NetWealth ou tantas outras conquistas.

Mas seu maior orgulho é outro. É olhar para a mulher que chegou aos Estados Unidos em 2012 e reconhecer todas as mulheres que precisou ser desde então.

A profissional que deixou uma carreira consolidada no Brasil. A imigrante que aprendeu outra língua e outra cultura. A mulher que construiu uma carreira no mercado corporativo americano. A empreendedora que começou novamente. A mãe que reorganizou a vida diante do diagnóstico do filho. A esposa que acompanhou o marido durante uma doença devastadora.

E, depois da perda, a mulher que precisou descobrir como continuar.

Jackie não quer que sua história seja definida pelas dificuldades que atravessou. Quer que seja definida pelo que conseguiu construir a partir delas.

As experiências também mudaram sua definição de riqueza. Hoje, dinheiro continua sendo importante, mas já não é suficiente para defini-la.

Riqueza é ter escolhas. É organização, saúde, tempo e presença. É proteger aquilo que levou anos para construir, pensar no futuro dos filhos e construir patrimônio sem esquecer de viver.

E legado, para Jackie, não é apenas aquilo que alguém deixa quando parte. É aquilo que organiza, constrói e transmite enquanto ainda está aqui.

Talvez por isso, quando fala com brasileiros que sonham em construir uma história nos Estados Unidos, sua mensagem seja tão direta: Não venha pensando apenas em ganhar em dólar. Venha preparado para construir uma vida em dólar.

Uma vida feita de conhecimento, reputação, relacionamentos, patrimônio e proteção. Sem comparar o próprio começo com a trajetória de quem já está no país há dez ou vinte anos.

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Porque imigrar exige coragem. Construir exige consistência.

Jackie aprendeu isso decisão após decisão, perda após perda, recomeço após recomeço.

Não controlamos tudo o que acontece conosco. Mas podemos decidir o que faremos a partir do que aconteceu.

E quando a vida, mais uma vez, mudar os planos?

Jackie tem duas palavras para isso: Keep going.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

As informações desta reportagem foram fornecidas por Jackie Sales, em relato sobre sua trajetória pessoal, profissional e familiar nos Estados Unidos. Dados relacionados à carreira, aos negócios, à maternidade, ao diagnóstico do filho, à doença e à morte do marido foram apresentados conforme o depoimento da entrevistada.

Transparência Editorial

Esta reportagem foi construída a partir do relato de Jackie Sales sobre sua trajetória pessoal e profissional nos Estados Unidos. Informações relacionadas à sua história, carreira, maternidade, empreendedorismo e experiência familiar são apresentadas conforme o depoimento fornecido à reportagem. O Vou pra América não substitui orientação individual de profissionais licenciados nas áreas financeira, jurídica, médica ou de seguros.

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