Americanos reportaram US$ 15,9 bilhões em perdas com golpes em 2025, maior valor já registrado

Consumidores nos Estados Unidos reportaram US$ 15,9 bilhões em perdas provocadas por golpes em 2025, o maior valor já registrado pela Federal Trade Commission, a FTC. A agência recebeu cerca de 3 milhões de denúncias de fraude durante o ano.
O valor representa crescimento de aproximadamente 25% em relação a 2024, quando as perdas reportadas ficaram acima de US$ 12 bilhões. O número não representa todo o dinheiro perdido no país, já que parte das vítimas nunca comunica o crime às autoridades.
Uma investigação publicada nesta quarta-feira, 2 de setembro, pela Associated Press e pela FRONTLINE mostrou que a expansão dos golpes deixou vítimas com poucas possibilidades de recuperar o dinheiro. A reportagem também identificou casos em que pessoas que já haviam sofrido uma fraude foram novamente procuradas por criminosos.
Golpes de investimento concentraram US$ 7,9 bilhões
A maior parcela das perdas reportadas em 2025 veio das fraudes de investimento. Segundo a FTC, consumidores informaram prejuízos de US$ 7,9 bilhões nessa categoria.
Já os chamados imposter scams, golpes nos quais criminosos fingem representar uma empresa, banco, órgão público ou outra pessoa, foram os mais denunciados. A FTC recebeu mais de 1 milhão de relatos desse tipo de fraude em 2025. As perdas chegaram a US$ 3,5 bilhões.
Dentro desse universo, pessoas reportaram quase US$ 1 bilhão perdido para criminosos que se passaram por empresas e cerca de US$ 920 milhões para falsos representantes do governo.
Um dos métodos identificados começa com um aviso de segurança aparentemente enviado por um banco. O golpista afirma que existe risco para a conta e convence a vítima a movimentar o próprio dinheiro para uma suposta conta protegida.
A FTC alerta que a agência nunca exige pagamento, ameaça consumidores ou ordena que alguém transfira dinheiro para protegê-lo.
Redes sociais viraram uma das principais portas de entrada
Quase 30% das pessoas que reportaram ter perdido dinheiro para um golpe em 2025 disseram que o primeiro contato aconteceu pelas redes sociais.
As perdas associadas a golpes iniciados nessas plataformas chegaram a US$ 2,1 bilhões, aproximadamente oito vezes o valor registrado em 2020.
O Facebook apareceu com o maior volume de perdas reportadas entre as plataformas analisadas pela FTC, com cerca de US$ 794 milhões. WhatsApp apareceu em seguida, com US$ 425 milhões, e Instagram, com US$ 234 milhões.
Fraudes de compras foram as mais frequentes nas redes sociais. Mais de 40% das pessoas que perderam dinheiro nesse tipo de golpe disseram ter comprado algo anunciado em uma plataforma social.
Os maiores prejuízos, porém, vieram dos investimentos falsos. Somente esse tipo de fraude respondeu por US$ 1,1 bilhão em perdas reportadas após contatos iniciados pelas redes sociais.
Alguns esquemas começam com anúncios prometendo ensinar investimentos. Outros levam a vítima para grupos de WhatsApp onde perfis apresentam resultados positivos e depoimentos que a FTC descreve como falsos. A vítima é então direcionada a uma plataforma de investimento fraudulenta.
Cobrança de pedágio também é usada para roubar dados e dinheiro
Outro golpe identificado pela FTC explora uma situação comum para quem dirige nos Estados Unidos: a cobrança de pedágios.
Criminosos enviam mensagens afirmando que existe uma dívida pendente e usam nomes semelhantes ou referências a sistemas conhecidos, como SunPass, E ZPass, FasTrak e TxTag. Algumas mensagens ameaçam cobrar multas adicionais ou suspender o registro do veículo caso o pagamento não seja feito rapidamente.
As denúncias de golpes envolvendo falsos representantes do governo cresceram 40% em 2025, segundo a FTC.
A orientação oficial é não usar telefone, site ou link recebido na própria mensagem. Quem recebe uma cobrança suspeita deve procurar diretamente a agência de pedágio do estado usando um endereço eletrônico ou número de telefone obtido por conta própria.
O cuidado deve começar antes da transferência
Para brasileiros que vivem nos Estados Unidos, o principal alerta não depende da nacionalidade da vítima. Os mesmos canais usados diariamente para procurar emprego, aluguel, produtos, investimentos e serviços também aparecem nas estatísticas de fraude.
A FTC identificou que um em cada três relatos de perda em golpes de emprego ou oportunidade de negócio iniciados em 2025 começou nas redes sociais. Em uma análise anterior sobre anúncios falsos de imóveis para aluguel, cerca de metade dos casos avaliados havia começado com anúncios publicados no Facebook.
Isso torna especialmente arriscadas propostas que exigem pagamento antes de uma entrevista, depósitos para reservar imóveis que não foram verificados ou investimentos apresentados por desconhecidos em grupos de mensagens.
Antes de enviar dinheiro, a recomendação da FTC é verificar a empresa ou instituição por um canal independente. Em compras, a agência orienta pesquisar o nome da empresa junto com termos como “scam” ou “complaint”. Em investimentos, uma pessoa conhecida apenas pelas redes sociais não deve controlar ou direcionar decisões financeiras.
Quem acredita ter sido vítima também deve agir rapidamente. O relato pode ser enviado pelo ReportFraud.ftc.gov. Dependendo do meio de pagamento, a vítima também deve entrar em contato imediatamente com o banco, administradora de cartão ou empresa usada para transferir o dinheiro.
A investigação da AP e da FRONTLINE mostra por que a velocidade importa: recuperar valores transferidos voluntariamente depois de uma fraude costuma ser difícil, e a legislação americana nem sempre obriga instituições financeiras a ressarcir operações que foram autorizadas pelo próprio cliente, mesmo quando ele foi enganado.
O número de US$ 15,9 bilhões funciona, portanto, como piso do problema, não como estimativa de todas as perdas ocorridas nos Estados Unidos. Os dados da FTC consideram denúncias recebidas pela agência e por parceiros de sua rede de proteção ao consumidor.
Para quem recebe uma cobrança inesperada, pedido urgente de dinheiro ou proposta financeira pelas redes sociais, a regra prática é simples: não efetuar o pagamento pelo canal que iniciou o contato. Primeiro, procure a instituição usando o site, aplicativo ou telefone oficial obtido de forma independente.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Os dados desta matéria foram consultados na Federal Trade Commission, incluindo informações do Consumer Sentinel Network e análises publicadas pela agência em 2026. A investigação jornalística utilizada como fonte complementar foi produzida pela Associated Press em parceria com a FRONTLINE.
Transparência Editorial
O Vou pra América utiliza nesta matéria o valor de US$ 15,9 bilhões como perdas reportadas, e não como estimativa do total efetivamente perdido nos Estados Unidos. Não foram encontrados, nas fontes utilizadas, dados que permitam afirmar que brasileiros sejam proporcionalmente mais atingidos por essas fraudes. O recorte para a comunidade brasileira foi aplicado exclusivamente como jornalismo de serviço e prevenção.
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