CFBACC Investment Forum 2026 reúne empresas em Orlando para discutir entrada no mercado americano

O CFBACC Investment Forum 2026 será realizado em 27 de agosto, no Kia Center, em Orlando, com uma programação voltada a empresas, investidores e instituições interessados na relação econômica entre Brasil e Estados Unidos. O evento prevê sete painéis ao longo do dia.
Segundo o material de divulgação do fórum, os debates vão abordar geopolítica, investimentos, logística, portos e expansão industrial. Também está prevista uma discussão sobre a Foreign Trade Zone 169, área administrada pela Manatee County Port Authority, na Flórida.
A organização anunciou participação de instituições brasileiras e americanas, entre elas FIRJAN, ApexBrasil, SeaPort Manatee, Consulado-Geral do Brasil, Orlando Economic Partnership, Seminole County e City National Bank of Florida. A composição final de cada painel ainda deve ser consultada na programação oficial antes do evento.
Por que a entrada nos EUA exige mais do que abrir uma empresa
A expansão de uma companhia brasileira para os Estados Unidos não termina com o registro de uma empresa em território americano. Dependendo do setor, o negócio também precisa avaliar importação, armazenagem, transporte, classificação tarifária, licenças e custos de entrada dos produtos.
É nesse ponto que logística e regras aduaneiras podem determinar se uma operação faz sentido financeiramente.
Para empresas que trabalham com produtos importados, por exemplo, a localização do estoque e a forma como a mercadoria entra no território aduaneiro americano podem alterar o momento em que determinados tributos são cobrados.
O evento pretende colocar esse tipo de decisão no centro das discussões sobre internacionalização.
O que é a Foreign Trade Zone 169
A Foreign Trade Zone 169 é uma zona de comércio exterior administrada pela Manatee County Port Authority. A documentação oficial permite atividades como armazenagem, manipulação e processamento de mercadorias dentro da zona, sob regras específicas e supervisão aduaneira.
As Foreign Trade Zones, conhecidas pela sigla FTZ, são áreas autorizadas pelo governo federal dos Estados Unidos para operações de comércio exterior.
Segundo o Foreign Trade Zones Board, órgão ligado ao Departamento de Comércio americano, mercadorias estrangeiras podem entrar em uma FTZ antes do pagamento de determinados direitos aduaneiros. O pagamento ocorre quando o produto deixa a zona para entrar no mercado americano.
Produtos que são posteriormente reexportados podem ficar isentos de determinados direitos aduaneiros. Empresas também podem ter acesso a procedimentos simplificados, como entradas alfandegárias semanais, dependendo da operação autorizada.
Esses benefícios ajudam a explicar por que FTZs aparecem com frequência em projetos industriais e logísticos.
Benefício tributário não é automático
A existência de uma FTZ não significa que qualquer empresa terá redução de impostos.
O tratamento depende da mercadoria, da classificação tarifária, do destino final, da operação realizada e das autorizações aplicáveis. Atividades de produção com componentes estrangeiros, por exemplo, exigem autorização prévia do Foreign Trade Zones Board.
A própria ferramenta oficial usada para estimar possíveis economias em FTZs alerta que empresas também precisam considerar custos de implantação e de conformidade antes de decidir pela operação.
Na FTZ 169, as regras também estabelecem controles de estoque, registros, formulários aduaneiros e responsabilidades para usuários da zona. A documentação atual prevê ainda uma taxa anual de US$ 14 mil para operadores de subzonas aprovadas pelo governo federal.
Por isso, expressões como “redução de custo aduaneiro” precisam ser analisadas caso a caso.
Para quais empresas brasileiras o tema pode fazer sentido
A discussão tende a ser mais relevante para empresas que pretendem importar componentes, manter estoque nos Estados Unidos, montar produtos, distribuir mercadorias ou estruturar uma operação industrial no país.
Uma companhia brasileira que apenas presta serviços digitais, por exemplo, tem necessidades muito diferentes de uma fabricante que envia contêineres regularmente aos Estados Unidos.
Antes de considerar uma FTZ, a empresa precisa calcular volume de importação, tarifas aplicáveis, frequência das entradas, custos logísticos e despesas administrativas.
A decisão também não deve ser tomada apenas com base em eventual vantagem tributária. Porto de entrada, localização dos clientes, tempo de transporte e custo de armazenagem podem pesar mais do que a economia aduaneira.
O que o empresário deve verificar antes de entrar no mercado americano
O principal valor de um evento como o CFBACC Investment Forum está em aproximar empresas de instituições envolvidas na entrada e expansão de negócios nos Estados Unidos.
Mas networking não substitui planejamento técnico.
Quem pretende levar uma empresa brasileira para o país deve separar três decisões que muitas vezes são tratadas como uma só: como constituir a operação americana, como entrar comercialmente no mercado e como movimentar mercadorias entre os dois países.
Para negócios com produtos físicos, a análise precisa incluir a classificação aduaneira dos produtos, as tarifas incidentes e a possibilidade de uso de estruturas como uma Foreign Trade Zone.
O investimento em uma operação americana deve começar pela conta completa. Uma vantagem aduaneira isolada perde relevância se aluguel, transporte, seguro, pessoal e conformidade consumirem a economia obtida.
O CFBACC Investment Forum 2026 está previsto para começar às 8h30 de 27 de agosto, no City National Bank Hourglass Room, dentro do Kia Center, em Orlando. As informações de inscrição estão disponíveis na página oficial do evento divulgada pela organização.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
A apuração utilizou o material de divulgação do CFBACC Investment Forum 2026 fornecido à redação e a página pública de inscrições do evento. As informações sobre Foreign Trade Zones foram verificadas no Foreign Trade Zones Board, do Departamento de Comércio dos Estados Unidos. As regras específicas da FTZ 169 foram consultadas no regulamento publicado pelo SeaPort Manatee e pela Manatee County Port Authority.
Transparência Editorial
Esta matéria foi produzida a partir de material de divulgação do evento e complementada com consulta a documentos oficiais do governo dos Estados Unidos e da administração da Foreign Trade Zone 169. A afirmação promocional de que mais de 90% das empresas brasileiras enfrentariam os mesmos problemas ao entrar no mercado americano foi excluída porque não foi localizada uma pesquisa rastreável que sustente esse percentual. O texto não constitui orientação jurídica, tributária ou aduaneira.