In-N-Out mantém versículos bíblicos nas embalagens e dona diz que tradição faz parte da família

A In-N-Out Burger continua imprimindo referências bíblicas em copos, embalagens de hambúrgueres e recipientes de batatas fritas. A prática começou durante a gestão de Rich Snyder e foi mantida e ampliada por Lynsi Snyder, atual presidente e proprietária da rede e neta dos fundadores.
As referências aparecem em letras pequenas e normalmente trazem apenas o livro, capítulo e versículo, sem reproduzir o texto bíblico completo. Entre elas estão João 3:16 nos copos de refrigerante e Provérbios 3:5 nos copos de milkshake. O Los Angeles Times também registra que a prática surgiu no fim dos anos 1980.
O ano exato varia conforme relatos publicados ao longo do tempo. Em entrevista de 2019, Snyder afirmou que seu tio começou a colocar os versículos nos copos e embalagens no início dos anos 1990. Em uma entrevista posterior, ela disse que a família rastreou o início da prática até 1988. A CBS Los Angeles registrou outra referência, 1985. Por isso, a formulação mais segura é que a tradição existe desde os anos 1980.
Por que a In-N-Out coloca versículos nas embalagens?
Segundo Snyder, Rich incorporou as referências depois de sua conversão religiosa como uma pequena manifestação de fé dentro da empresa familiar. A atual presidente manteve a decisão e acrescentou outras passagens a embalagens de batatas fritas, café, chocolate quente e produtos sazonais.
A presença desses versículos ganhou nova circulação em redes sociais e sites em 2026. Algumas publicações afirmaram que Snyder estaria enfrentando pressão para retirá-los. A apuração para esta matéria, porém, não encontrou evidência suficiente de uma campanha formal ou de um pedido institucional organizado dirigido à empresa. Por esse motivo, essa alegação não é apresentada como fato.
O que o caso mostra para quem trabalha ou empreende nos EUA
O episódio também ajuda a entender uma diferença importante da cultura empresarial americana. Empresas privadas podem manifestar valores religiosos em sua comunicação e até adotar práticas religiosas no ambiente de trabalho.
Isso não significa que a religião dê ao empregador liberdade irrestrita sobre seus funcionários. A Equal Employment Opportunity Commission, agência federal responsável pela aplicação das leis contra discriminação no emprego, afirma que empregadores privados podem expressar suas próprias crenças religiosas. Ao mesmo tempo, o Título VII da Lei dos Direitos Civis proíbe discriminação contra trabalhadores por religião e protege também quem não possui crença religiosa.
Para o brasileiro que possui uma empresa nos Estados Unidos, essa distinção importa. Manifestar a fé da marca não equivale a exigir que empregados adotem a mesma crença. Empresas cobertas pelo Título VII também precisam considerar pedidos de acomodação religiosa dos funcionários, salvo quando isso representar ônus substancial para o negócio.
No caso da In-N-Out, os pequenos números impressos nas embalagens atravessaram diferentes gerações da família Snyder e continuam fazendo parte da identidade pública da rede.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
A apuração consultou entrevistas de Lynsi Snyder, cobertura da CBS Los Angeles e do Los Angeles Times e documentos oficiais da U.S. Equal Employment Opportunity Commission sobre religião no ambiente de trabalho.
Transparência Editorial
O Vou pra América não encontrou fonte robusta que comprove uma campanha formal recente exigindo que a In-N-Out retire os versículos de suas embalagens. Publicações que descrevem esse episódio como uma ofensiva organizada foram tratadas como insuficientes para sustentar essa afirmação. A existência das referências bíblicas, sua origem familiar e a continuidade da prática estão documentadas.
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