
Matheus e Camila Shida, de 18 anos, naturais de Bastos, no interior de São Paulo, conquistaram aprovação em duas instituições de prestígio nos Estados Unidos: o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a Cornell University. A trajetória dos irmãos chamou atenção após relatos sobre uma infância com leitura frequente, prática intensa de matemática e acesso tardio ao celular.
Os próprios estudantes evitam associar o resultado à ideia de genialidade. Em declarações reproduzidas nas publicações que repercutiram o caso, Matheus afirma que já conviveu com pessoas que considera realmente brilhantes e que, no caso deles, o diferencial foi a constância nos estudos ao longo de muitos anos.
O que realmente pesou nessa aprovação
A história ganhou força porque reúne elementos que despertam curiosidade imediata: pouco tempo de tela, treino de soroban, participação em olimpíadas acadêmicas, prática de esportes e uma rotina de leitura desde cedo. A família também relata uma convivência marcada por disciplina, incentivo e acompanhamento próximo da vida escolar.
Esses fatores ajudam a explicar o interesse em torno do caso, mas não resumem todo o processo de admissão em universidades americanas.
O material republicado não apresenta detalhes completos da candidatura, como cartas de recomendação, redações pessoais, histórico acadêmico detalhado, atividades extracurriculares com resultados mensuráveis e outros critérios que costumam ter peso relevante em processos seletivos desse nível.
Por isso, não é possível afirmar que a ausência de celular foi a causa direta da aprovação. O que se pode observar é que a rotina descrita favoreceu concentração, consistência e desenvolvimento acadêmico ao longo dos anos.
O peso da construção de longo prazo
A principal lição do caso não está em transformar o celular no centro da discussão, mas em observar a construção de hábitos sustentados no tempo.
Quando há rotina previsível de estudo, leitura frequente e acompanhamento contínuo, o processo deixa de depender apenas de momentos de urgência. A leitura diária, nesse contexto, funciona menos como obrigação e mais como formação de repertório e capacidade de concentração.
A prática deliberada também aparece como parte importante dessa trajetória. No caso dos irmãos, o soroban e as olimpíadas de matemática funcionaram como exercícios constantes de progressão, com aumento gradual de dificuldade e correção frequente de erros.
Esse mesmo modelo pode existir em diferentes áreas, como programação, pesquisa científica, robótica, escrita, debate ou atividades laboratoriais. O ponto central está na repetição com propósito e na existência de metas concretas.
Projetos com impacto também contam
Outro aspecto relevante da trajetória foi o envolvimento em ações fora do ambiente doméstico.
Ainda em Bastos, os irmãos desenvolveram um projeto voluntário de aulas de matemática para estudantes de escolas públicas da cidade. Em processos de admissão internacional, esse tipo de iniciativa costuma ser observado como sinal de continuidade, responsabilidade e capacidade de impacto social real.
Não se trata de um evento isolado, mas de ações sustentadas ao longo do tempo, com participação ativa e resultados verificáveis.
O que a história mostra sobre estudar nos Estados Unidos
A aprovação em universidades como MIT e Cornell também chama atenção para um aspecto frequentemente ignorado: a construção de perfil acadêmico começa muito antes do último ano do ensino médio.
O processo costuma exigir anos de preparação, tanto no desempenho escolar quanto em atividades complementares, participação em projetos e fortalecimento de repertório acadêmico.
Outro ponto relevante envolve planejamento financeiro. Universidades como MIT e Cornell têm custos elevados, e parte importante da estratégia passa por compreender políticas de auxílio financeiro, bolsas e a viabilidade real da candidatura.
Como esses detalhes não aparecem no material original que repercutiu o caso, esse aspecto precisa ser tratado com cautela e sempre com base em informações oficiais das próprias instituições.
A trajetória dos gêmeos sugere menos uma fórmula pronta e mais uma combinação de disciplina, continuidade e apoio familiar. Em processos seletivos competitivos, atalhos costumam ter menos peso do que consistência construída ao longo do tempo.
Fontes e créditos A apuração desta matéria foi baseada em republicações e publicações em redes sociais que reproduzem o conteúdo atribuído ao g1 sobre Matheus e Camila Shida, além de reproduções em portais locais.
Transparência editorial O Vou pra América não localizou, nesta apuração, o link direto da publicação original do g1 em resultados abertos de busca. Por isso, a matéria se apoia em reproduções que citam o portal como fonte original e evita estabelecer relação direta de causa e efeito entre hábitos específicos e a aprovação dos estudantes, já que os detalhes completos da candidatura não foram divulgados publicamente.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.