ASU cria graduação para criadores de conteúdo; custo anual estimado passa de US$ 60 mil

Influenciadores da listagem de Forbes Brasil (reprodução/Instagram/@forbesbr)
A Arizona State University, uma das maiores universidades públicas dos Estados Unidos, criou uma graduação específica em produção de conteúdo. O Bachelor of Arts in Content Creation tem 120 créditos e prepara estudantes para trabalhar com vídeo, podcasts, redes sociais, comunicação digital e desenvolvimento de audiências.
A novidade formaliza dentro de uma universidade uma atividade que cresceu durante anos sem exigir diploma. A própria ASU reconhece isso. Em apresentação publicada em agosto de 2026, a instituição afirmou que ninguém precisa de uma graduação para produzir vídeos virais. A proposta, segundo a universidade, é ensinar competências de comunicação, estratégia e negócios que podem ser utilizadas dentro ou fora das redes sociais.
O que se estuda em uma faculdade para criadores
A grade vai além de aprender a gravar vídeos.
Entre as disciplinas aparecem produção de conteúdo para mídia, escrita, coleta de informações e estudos sobre mídia e sociedade. A descrição oficial também cita planejamento de conteúdo, crescimento de audiências digitais, modelos de comunicação, ética, direitos autorais e monetização. O estudante ainda passa por produção de vídeo, áudio, fotografia, design gráfico e edição.
A graduação está ligada à Walter Cronkite School of Journalism and Mass Communication, escola de jornalismo e comunicação da ASU.
Isso muda um ponto importante da discussão sobre a chamada profissão de influencer. O diploma não promete seguidores, fama ou renda. Ele transforma criação digital em formação acadêmica ligada também a comunicação empresarial, marketing, produção e empreendedorismo.
Quanto custa estudar
O investimento exige atenção.
Para o ano acadêmico de 2026 e 2027, a ASU informa tuition básica de US$ 35.715 para um estudante de graduação de fora do Arizona em seus principais campi da região de Phoenix. Para estudantes internacionais, a tuition básica informada pela universidade é de US$ 39.062.
Quando moradia, alimentação, livros, transporte, taxas e despesas pessoais entram na conta, a estimativa muda. A própria ASU calcula em US$ 63.394 o custo anual total de frequência para um aluno de primeiro ano que não reside no Arizona.
Por isso, dizer simplesmente que “a faculdade de influencer custa US$ 60 mil” distorce o preço. Esse montante representa uma estimativa mais ampla de custo de vida e estudo, não apenas a mensalidade acadêmica.
Mercado cresce, mas renda continua concentrada
O tamanho da creator economy ajuda a explicar por que universidades começaram a olhar para esse mercado.
A Reuters informou em setembro de 2026 que a receita de influenciadores nos Estados Unidos deve chegar a cerca de US$ 21 bilhões neste ano, alta de 16% sobre 2025. A reportagem cita ainda crescimento do número de criadores de cerca de 200 mil em 2020 para mais de 1,5 milhão em 2024.
Isso não significa que produzir conteúdo seja um caminho automático para renda alta.
Uma pesquisa da MBO Partners com criadores independentes encontrou apenas 9% ganhando mais de US$ 100 mil no período analisado. Outros 71% declararam menos de US$ 30 mil provenientes do trabalho na creator economy. Os números são de uma pesquisa específica com trabalhadores independentes e não representam todos os usuários que produzem conteúdo nas redes.
O dado ajuda a colocar o diploma em perspectiva. Formação pode ensinar produção, estratégia e negócios. Não elimina a competição por audiência nem garante retorno sobre o dinheiro investido.
O detalhe que interessa ao estudante brasileiro
Para brasileiros interessados em estudar nos Estados Unidos, existe uma diferença que vai além da grade curricular.
A página oficial da graduação presencial informa que o curso é elegível ao STEM OPT, extensão destinada a determinados estudantes internacionais com status F-1 que concluem programas classificados em áreas STEM.
O OPT, Optional Practical Training, é uma autorização que permite ao estudante F-1 trabalhar temporariamente nos Estados Unidos em atividade relacionada à área estudada. Em programas STEM elegíveis, o estudante que cumpre os requisitos pode solicitar uma extensão adicional de 24 meses. O USCIS confirma que a solicitação exige, entre outras condições, graduação elegível e empregador participante do E-Verify.
A ASU ressalta que essa extensão não está disponível para quem conclui a graduação pelo ASU Online.
Isso não significa visto de trabalho garantido nem permanência automática nos Estados Unidos. O STEM OPT é uma autorização temporária vinculada a regras específicas. Para um brasileiro avaliando o curso, porém, essa diferença entre modalidade presencial e online deve entrar na conta antes da matrícula.
O estudante também precisa comparar o custo total da graduação com outras formações em comunicação, marketing e negócios. Para quem já produz conteúdo profissionalmente, o valor do diploma pode estar menos na promessa de virar influencer e mais no conjunto de habilidades acadêmicas, profissionais e, no caso de alguns estudantes F-1, nas possibilidades de treinamento profissional após a formação.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Arizona State University, página oficial do Bachelor of Arts in Content Creation. Consultar o programa da ASU Arizona State University, custos para estudantes não residentes em 2026 e 2027. Consultar custos oficiais da ASU USCIS, regras para autorização de trabalho e extensão STEM OPT. Reuters, dados sobre a economia de influenciadores nos Estados Unidos, publicados em 4 de setembro de 2026. MBO Partners, Creator Economy Trends Report.
Transparência Editorial
Esta matéria foi produzida a partir de páginas oficiais da Arizona State University, documentos do governo dos Estados Unidos e dados publicados por Reuters e MBO Partners. A afirmação presente no insumo original de que os Estados Unidos teriam mais de 40 milhões de influenciadores ativos não foi utilizada por falta de fonte rastreável suficiente. O dado de que apenas 4% ganhariam mais de US$ 100 mil também foi substituído por pesquisa identificável, com metodologia e universo próprios.
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