Mulheres ocupam só 20,7% das carreiras tecnológicas no Brasil, aponta FIEMG

Mulheres representam apenas 20,7% dos vínculos formais em ocupações ligadas às chamadas profissões do futuro no Brasil, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Entre técnicos em programação, a participação feminina fica em cerca de 13%. Na engenharia de computação, chega a 14%.
O estudo considera carreiras com potencial de expansão ligadas a Big Data, inteligência artificial, machine learning, desenvolvimento de software e segurança digital. Os homens ocupam 79,3% dos vínculos formais nesse grupo.
A diferença coloca a qualificação profissional no centro da discussão sobre a entrada e permanência de mulheres em tecnologia. Para brasileiras que consideram uma experiência acadêmica internacional, universidades dos Estados Unidos aparecem entre as possibilidades, mas estudar fora não funciona como atalho automático para emprego ou permanência no país.
O que uma formação nos Estados Unidos pode oferecer
A EducationUSA, rede vinculada ao Departamento de Estado americano, mantém uma base de oportunidades de auxílio financeiro destinadas a estudantes internacionais. As opções variam conforme universidade, nível acadêmico, curso e perfil do candidato e podem incluir bolsas, redução de tuition e outros benefícios oferecidos pelas próprias instituições.
Isso significa que a candidata precisa pesquisar programa por programa. Não existe uma bolsa única destinada a brasileiras que desejam estudar tecnologia nos Estados Unidos.
A localização da universidade também pesa no orçamento. Segundo a EducationUSA, custos com moradia e alimentação variam bastante dentro do país. Regiões suburbanas ou rurais do Sul e do Meio Oeste tendem a apresentar custo de vida menor do que grandes centros urbanos. A instituição recomenda que o planejamento financeiro faça parte das primeiras etapas da candidatura.
Para quem busca mestrado, doutorado ou especialização, a análise precisa incluir tuition, moradia, seguro saúde, alimentação, transporte e as condições específicas de cada auxílio financeiro.
Estudar nos EUA não significa autorização automática para trabalhar
Esse é um ponto que merece atenção de quem planeja usar a universidade como parte de uma trajetória profissional internacional.
Estudantes estrangeiros com status F-1 seguem regras próprias para trabalhar ou realizar treinamento profissional nos Estados Unidos. Uma das possibilidades é o Optional Practical Training, conhecido como OPT, que permite experiência profissional diretamente relacionada à área estudada, desde que o aluno cumpra os requisitos do programa e receba a autorização necessária.
Para determinados cursos classificados como STEM, sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática, estudantes elegíveis podem solicitar uma extensão de 24 meses do OPT após a conclusão do curso. O processo exige, entre outros critérios, diploma em área incluída na lista STEM e participação do empregador no sistema E Verify.
A extensão não equivale a um visto permanente nem garante contratação. Ela amplia, para quem se enquadra nas regras, o período em que a experiência profissional autorizada pode ser desenvolvida.
Por isso, escolher uma instituição apenas pelo nome do curso ou pela promessa de uma futura carreira americana pode levar a uma decisão incompleta. A candidata precisa verificar se a escola está habilitada para receber estudantes internacionais, quais regras migratórias se aplicam ao programa e se a graduação escolhida pode se enquadrar nas regras de STEM OPT.
Planejamento começa antes da candidatura
Gabrielle Hayashi, consultora que atua com internacionalização de carreiras, defende que brasileiras interessadas em experiências acadêmicas e profissionais no exterior façam esse planejamento com antecedência. A atuação da consultora em processos de internacionalização, bolsas, graduação e pós graduação no exterior é apresentada em seu site profissional.
“A internacionalização oferece às mulheres as ferramentas e a visibilidade necessárias para ocupar espaços onde ainda são minoria. Quando uma profissional conquista uma colocação internacional em tecnologia e inovação, ela não muda apenas a própria carreira, mas inspira novas gerações de mulheres a entrarem e permanecerem no setor”, afirmou Hayashi no material enviado ao Vou pra América.
A experiência internacional, porém, deve ser tratada como uma possibilidade dentro de um projeto de carreira, e não como garantia de ascensão profissional.
Para a brasileira interessada nos Estados Unidos, o primeiro passo prático é cruzar quatro informações antes de enviar qualquer candidatura: programa acadêmico, custo total, possibilidade real de auxílio financeiro e regras migratórias ligadas ao curso.
Esse cuidado reduz o risco de escolher uma formação incompatível com o orçamento ou de descobrir, depois da matrícula, que as possibilidades de treinamento profissional são diferentes do que a estudante imaginava.
Com mulheres ainda ocupando apenas uma em cada cinco posições nas carreiras tecnológicas analisadas pela FIEMG, qualificação e acesso a novas redes profissionais fazem parte do caminho para reduzir a diferença. Para quem olha para os Estados Unidos, a oportunidade existe, mas começa com pesquisa, documentação e uma conta que precisa fechar antes do embarque.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
FIEMG: levantamento sobre participação feminina nas profissões do futuro, com dados repercutidos pela Folha de S.Paulo em março de 2026. EducationUSA: informações oficiais sobre financiamento, bolsas e planejamento financeiro para estudantes internacionais nos Estados Unidos. U.S. Immigration and Customs Enforcement e USCIS: regras oficiais sobre OPT e extensão STEM OPT para estudantes F-1. Gabrielle Hayashi: declaração enviada no insumo original e verificação de sua atuação profissional em internacionalização de carreiras.
Transparência Editorial
Esta matéria foi produzida a partir de pauta enviada ao Vou pra América e submetida a apuração complementar. A afirmação de que estudar no exterior, por si só, acelera a carreira não foi tratada como fato, porque o insumo não apresentou pesquisa que demonstre essa relação causal. O percentual nacional de 20,7% e os recortes de programação e engenharia de computação foram confirmados em reportagem da Folha de S.Paulo baseada no levantamento da FIEMG. Informações sobre estudo e trabalho nos Estados Unidos foram confrontadas com fontes oficiais americanas. A fala de Gabrielle Hayashi foi preservada como opinião atribuída à fonte.