Você conseguiria o mesmo Green Card de Eduardo Bolsonaro? Veja quem pode pedir o EB-1A

Jacy Abreu23 de julho de 2026Imigração
Você conseguiria o mesmo Green Card de Eduardo Bolsonaro? Veja quem pode pedir o EB-1A

A confirmação de que Eduardo Bolsonaro recebeu o Green Card pela categoria EB-1A chamou atenção para uma rota migratória pouco conhecida fora dos meios profissionais. A categoria permite que o próprio candidato faça a petição, sem depender de uma empresa americana ou de uma oferta permanente de emprego.

A pergunta que interessa ao profissional brasileiro é outra: quem pode tentar o mesmo caminho?

O EB-1A não é destinado apenas a políticos, artistas ou celebridades. Cientistas, pesquisadores, médicos, empresários, professores, atletas, executivos e profissionais de outras áreas também podem solicitar a classificação. O ponto central não é a profissão. É a capacidade de demonstrar reconhecimento nacional ou internacional sustentado por documentos.

O que é o EB-1A

O EB-1A faz parte da primeira preferência dos processos de residência permanente baseados em emprego. A categoria atende pessoas com habilidade extraordinária nas áreas de ciências, artes, educação, negócios ou atletismo.

O candidato não precisa apresentar uma oferta de trabalho permanente. Também não precisa que uma empresa americana assine a petição. Ele pode protocolar o próprio pedido, desde que demonstre a intenção de continuar atuando nos Estados Unidos dentro de sua área de especialidade.

A ausência de patrocinador não torna o processo simples. O candidato precisa provar que atingiu um nível de reconhecimento que o coloca entre a pequena parcela de profissionais que chegou ao topo de sua área.

Quais provas o governo americano analisa

O USCIS, órgão responsável pela imigração legal nos Estados Unidos, permite duas formas principais de comprovação.

A primeira é apresentar uma conquista única de grande reconhecimento internacional, como uma premiação amplamente conhecida. Essa situação é rara.

A segunda é demonstrar o cumprimento de pelo menos três entre dez critérios previstos pelas regras migratórias. Entre eles estão o recebimento de prêmios profissionais, a participação em associações seletivas, a publicação de reportagens sobre o candidato, a atuação como avaliador do trabalho de outros profissionais e a autoria de artigos acadêmicos ou técnicos.

Também podem contar as contribuições originais de grande importância para a área, a exposição do trabalho em mostras artísticas, o desempenho de função de liderança em organizações reconhecidas, uma remuneração elevada em comparação com outros profissionais e o sucesso comercial nas artes.

Cumprir três critérios não garante o Green Card.

Depois de analisar os documentos separadamente, o USCIS faz uma avaliação do conjunto do processo. O agente verifica se as provas realmente demonstram reconhecimento sustentado e posição de destaque, e não apenas uma carreira competente ou acima da média.

Um profissional sem fama pode conseguir?

A pessoa não precisa ser conhecida pelo público em geral. Um pesquisador pode ter reconhecimento dentro da comunidade científica. Um médico pode demonstrar contribuições relevantes em uma especialidade. Um empresário pode apresentar resultados, liderança, cobertura de imprensa e impacto comprovado no setor.

A fama nas redes sociais também não é um requisito. Ter muitos seguidores pode servir como parte de um conjunto de evidências, mas o número isolado não prova habilidade extraordinária.

O mesmo vale para diplomas, anos de experiência e cargos importantes. Esses elementos ajudam a construir a trajetória, mas não substituem as evidências exigidas pelo governo.

No caso de Eduardo Bolsonaro, a Reuters informou que ele recebeu a residência permanente pelo EB-1A e iniciou o processo cerca de um ano antes. Os documentos apresentados por ele, porém, não foram divulgados. Por isso, não é possível afirmar quais critérios sustentaram a aprovação.

Sua exposição pública e atuação política podem ter integrado o pedido, mas essa conclusão não foi confirmada pelo USCIS nem pelo ex-deputado.

Como avaliar se o seu perfil se aproxima do EB-1A

O primeiro passo é separar reconhecimento profissional de tempo de carreira. Trabalhar há dez ou vinte anos em uma área não demonstra, sozinho, habilidade extraordinária.

O candidato precisa reunir provas verificáveis. Isso pode incluir premiações, reportagens publicadas por veículos independentes, convites para avaliar trabalhos, artigos assinados, registros de contribuição original, documentos de liderança e dados comparativos de remuneração.

Cartas de recomendação podem reforçar o processo, mas não devem ser a única base. O USCIS tende a analisar com mais peso as evidências produzidas independentemente do candidato.

Também é necessário mostrar continuidade. Uma conquista isolada obtida muitos anos antes pode não demonstrar reconhecimento sustentado quando não existem provas mais recentes da atuação profissional.

EB-1A não é sinônimo de aprovação automática

A possibilidade de autopetição costuma ser apresentada nas redes sociais como um caminho fácil para morar nos Estados Unidos. Essa interpretação pode levar profissionais a investir dinheiro em processos frágeis.

Autopetição significa apenas que uma empresa não precisa apresentar o pedido. O candidato continua responsável por demonstrar todos os requisitos da categoria e por comprovar que está apto a receber a residência permanente.

A aprovação da petição também não resolve automaticamente questões como presença irregular, entradas anteriores, antecedentes ou outras causas de inadmissibilidade.

Para o brasileiro que acredita ter um perfil compatível, a avaliação deve começar pelas provas já existentes, e não pela promessa de que uma carreira bem-sucedida basta. O EB-1A não premia potencial. Ele exige documentos capazes de comprovar reconhecimento profissional acima do padrão comum.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

A matéria utilizou informações da Reuters sobre a residência permanente de Eduardo Bolsonaro e as regras oficiais do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos para a categoria EB-1A.

Transparência Editorial

Os documentos apresentados por Eduardo Bolsonaro no processo migratório não são públicos. A matéria não afirma quais provas foram aceitas pelo USCIS nem avalia se o leitor possui elegibilidade. Cada processo depende do histórico individual e da documentação apresentada.

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