Viagens de negócios batem recorde nos EUA e movimentam US$ 538,5 bilhões

As viagens de negócios nos Estados Unidos atingiram um recorde de US$ 538,5 bilhões em gastos em 2024, segundo estudo divulgado pela Global Business Travel Association em junho de 2026. A atividade gerou US$ 623,8 bilhões de impacto no PIB americano.
O levantamento mostra que o setor respondeu por 2,1% da economia dos EUA e sustentou 6,7 milhões de empregos. Na prática, segundo a entidade, uma em cada 24 vagas existentes no país teve ligação direta ou indireta com viagens corporativas.
A pesquisa foi conduzida pela Rockport Analytics e analisou o impacto econômico das viagens de negócios dentro e para os Estados Unidos em 2024. A Business Travel News também registrou que os gastos cresceram cerca de 7,5% em relação a 2023, quando o volume havia sido de US$ 501,1 bilhões.
Onde o dinheiro circulou
Do total de US$ 538,5 bilhões em gastos, US$ 270 bilhões vieram de viagens domésticas. Outros US$ 50,7 bilhões foram gastos por visitantes internacionais em viagens de negócios aos Estados Unidos.
Reuniões, convenções e eventos tiveram peso alto no resultado. Esse segmento movimentou US$ 217,8 bilhões, o equivalente a 40,4% de todas as despesas com viagens corporativas no país em 2024.
A Flórida apareceu entre os cinco estados com maior volume de gastos em viagens corporativas, com US$ 26,2 bilhões. O ranking foi liderado por Califórnia, Nova York, Flórida, Texas e Illinois, segundo a GBTA.
Esse recorte importa para brasileiros nos EUA porque a economia das viagens de negócios não termina no aeroporto. Ela passa por hotéis, motoristas, restaurantes, limpeza, manutenção, produção de eventos, tradução, fotografia, audiovisual, tecnologia, vendas e atendimento ao cliente.
Não há dado no estudo que informe quantos brasileiros trabalham nesses setores. Por isso, a leitura correta é outra: áreas em que muitos imigrantes atuam ou empreendem estão entre as mais expostas ao movimento das viagens corporativas.
Eventos ganharam peso no pós-pandemia
A GBTA informou que quase 488 milhões de viagens de negócios foram realizadas dentro ou para os EUA em 2024. A maior parte, 59%, teve como objetivo atividades profissionais individuais, como reuniões, visitas a clientes e deslocamentos governamentais. Os outros 41% foram ligados a convenções, treinamentos, seminários e eventos corporativos.
Para pequenos negócios, esse detalhe é relevante. Um congresso grande em Orlando, Miami, Boston, Nova York, Dallas ou Chicago gera demanda por alimentação, transporte, hospedagem, limpeza, montagem, recepção, suporte técnico, impressão, brindes, fotografia e serviços bilíngues.
É nesse ponto que o dado macroeconômico vira oportunidade prática. Brasileiros que já atendem turistas podem adaptar parte da oferta para o público corporativo. Um motorista pode criar atendimento para executivos e equipes. Um restaurante pode vender catering para reuniões. Um fotógrafo pode oferecer cobertura de eventos empresariais. Um prestador de limpeza pode focar contratos com espaços de reunião, locações de curta duração e empresas de eventos.
A mudança exige profissionalização. Empresas compradoras costumam pedir nota fiscal, contrato, seguro, pontualidade, canais formais de pagamento e comunicação em inglês. Quem ainda opera apenas por indicação perde espaço quando o cliente corporativo exige documentação e previsibilidade.
Viagem híbrida também virou mercado
O estudo mostrou que as viagens híbridas, conhecidas como bleisure, representaram 31,3% das viagens de negócios em 2024. O termo combina compromissos profissionais com dias de lazer na mesma viagem.
Esse comportamento cria uma segunda camada de consumo. O viajante chega para uma reunião, mas estende a estadia, leva a família, reserva experiências locais, procura restaurantes, contrata transporte e visita atrações fora do compromisso principal.
Para brasileiros que trabalham com serviços locais, o ponto é entender a diferença entre turista comum e viajante corporativo. O público corporativo costuma ter agenda apertada, exige resposta rápida, prefere pagamento digital e valoriza fornecedores que resolvem problemas sem improviso. A oportunidade existe, mas o padrão de atendimento precisa acompanhar a cobrança.
O que o brasileiro deve fazer agora
Quem trabalha ou empreende em cidades com forte presença de eventos deve olhar o calendário local de convenções. Centros como Orlando, Miami, Las Vegas, Nova York, Boston, Dallas e Chicago recebem feiras e encontros que movimentam cadeias inteiras de serviços.
O próximo passo é preparar uma oferta simples e verificável. Isso inclui descrição clara do serviço, preço ou faixa de preço, política de cancelamento, formas de pagamento, comprovantes de regularidade quando aplicável e atendimento em inglês. Para quem vende para empresas, aparência profissional pesa menos do que confiança operacional.
Também vale revisar presença digital. Um perfil incompleto, sem endereço, sem avaliações recentes ou sem fotos reais do serviço reduz a chance de fechar com clientes corporativos. O comprador de viagem, evento ou reunião não quer apenas preço. Ele quer reduzir risco.
O estudo da GBTA confirma que viagens de negócios voltaram a ter peso bilionário na economia americana. Para brasileiros nos EUA, o impacto mais concreto está no trabalho e no faturamento de quem consegue se posicionar dentro dessa cadeia.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Esta matéria foi baseada em estudo divulgado pela Global Business Travel Association em 4 de junho de 2026, com pesquisa conduzida pela Rockport Analytics. A apuração também considerou cobertura setorial da Business Travel News sobre os dados de gastos em viagens corporativas nos Estados Unidos.
Transparência Editorial
O Vou pra América não teve acesso, neste texto, a dados que indiquem quantos brasileiros trabalham especificamente no setor de viagens corporativas nos EUA. Por isso, a matéria não atribui os empregos citados à comunidade brasileira. A análise se limita a explicar como setores impactados pelo estudo também incluem áreas comuns de atuação de imigrantes e pequenos negócios.