USCIS amplia checagens e segura aprovações de Green Card e cidadania

Jacy Abreu9 de julho de 2026Imigração
USCIS amplia checagens e segura aprovações de Green Card e cidadania

(Foto: USCIS)

O governo dos Estados Unidos ampliou as checagens de segurança em pedidos de imigração que exigem impressões digitais. A medida começou em 27 de abril de 2026 e afeta casos pendentes no USCIS.

Segundo orientação interna do U.S. Citizenship and Immigration Services citada pela Reuters, oficiais foram instruídos a não aprovar casos que ainda não passaram pelas novas checagens criminais. A agência passou a receber informações ampliadas do sistema Next Generation Identification, do FBI, para verificações baseadas em impressões digitais.

A mudança atinge solicitações que dependem de biometria, como pedidos de residência permanente, o Green Card, e naturalização, o processo para virar cidadão americano. Também pode afetar petições familiares e outros benefícios migratórios quando houver exigência de coleta de digitais.

O USCIS afirmou que eventuais atrasos causados pelas novas checagens devem ser mínimos e temporários. Escritórios de advocacia de imigração, porém, relataram pausas ou retenções temporárias em aprovações de casos que exigem impressões digitais, incluindo ajuste de status, naturalização, asilo, pedidos familiares, benefícios humanitários e processos baseados em emprego.

O que mudou no USCIS

A biometria já fazia parte dos processos de imigração. O USCIS coleta digitais, foto e assinatura para confirmar identidade, produzir documentos seguros e facilitar verificações criminais e de segurança nacional.

A diferença agora está no alcance da checagem. A orientação interna citada pela Reuters diz que, a partir de 27 de abril, o USCIS começou a receber informações criminais ampliadas para todas as verificações baseadas em digitais enviadas ao sistema do FBI.

Na prática, isso significa que um caso que estava pronto para decisão pode ficar parado até que a nova verificação seja concluída. A ordem dada aos oficiais foi clara: não aprovar pedidos pendentes sem a checagem ampliada.

A mudança segue uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em fevereiro, que determinou ao Departamento de Homeland Security o uso máximo permitido por lei de informações criminais mantidas por agências federais.

Quem pode ser afetado

Brasileiros com pedido de Green Card por ajuste de status estão entre os grupos que devem acompanhar o caso com atenção. O ajuste de status é o processo usado por quem está nos EUA e pede residência permanente sem sair do país.

Também entram no grupo de atenção os brasileiros que entraram com pedido de naturalização. O manual do USCIS informa que a agência deve coletar impressões digitais como parte da verificação de antecedentes em pedidos de cidadania, independentemente da idade do solicitante.

Processos familiares também podem ser afetados quando houver biometria vinculada ao benefício analisado. Isso inclui, por exemplo, casos em que um cidadão americano ou residente permanente pede benefício migratório para parente, cônjuge ou noivo, conforme orientação interna citada pela imprensa americana.

A regra não significa que todos os processos serão negados. O efeito mais imediato é outro: mais checagem antes da aprovação. Para quem depende de um Green Card, da cidadania ou de autorização relacionada ao processo, semanas de atraso podem afetar trabalho, viagem, planejamento familiar e renovação de documentos.

O que isso significa para Green Card e cidadania

Para quem pede Green Card, a checagem ampliada pode atrasar a aprovação final mesmo depois da entrevista, da entrega de documentos e da coleta de digitais. O caso pode aparecer como pendente enquanto o USCIS aguarda retorno dos sistemas de segurança.

Para quem pede cidadania, a mudança pesa porque a naturalização exige verificação de antecedentes antes da decisão. O processo de cidadania costuma envolver biometria, entrevista, teste de inglês e educação cívica, além da análise do histórico migratório e criminal.

Um atraso nessa etapa não deve ser interpretado automaticamente como problema grave. Também não deve ser ignorado. O imigrante precisa acompanhar o status do caso, guardar recibos e responder apenas a pedidos oficiais do USCIS.

O ponto mais sensível é o histórico criminal. Prisões antigas, acusações arquivadas, multas, ordens judiciais, casos de violência doméstica, DUI, fraude, falsa declaração ou problemas em entrada anterior nos EUA podem ganhar mais peso na análise.

Mesmo casos encerrados devem ser tratados com cuidado. Em imigração, o que parece pequeno para a Justiça criminal pode ter efeito migratório maior.

O que fazer se o caso ficar parado

O primeiro passo é verificar se o atraso está dentro do tempo normal de processamento do USCIS. A agência mantém uma ferramenta pública para consulta de prazos por tipo de formulário, escritório e categoria do processo.

O segundo passo é revisar o histórico do caso. O imigrante deve guardar o receipt notice, avisos de biometria, cartas de pedido de evidência, confirmações de envio, comprovantes de entrevista e qualquer atualização recebida pelo portal do USCIS.

O terceiro passo é evitar o envio apressado de documentos não solicitados. Em muitos casos, mandar papéis fora de hora não acelera o processo e pode confundir o registro do caso. Se houver antecedentes criminais, mudança de endereço, erro em formulário ou processo parado por tempo incomum, a revisão deve ser feita com advogado.

Também é importante manter o endereço atualizado. O USCIS exige que imigrantes informem mudança de endereço, e perder uma carta da agência pode causar falta em entrevista, perda de prazo ou decisão sem resposta do solicitante.

Se o processo estiver além do prazo normal, o caminho pode incluir consulta pelo canal oficial do USCIS, pedido de informação, contato com congressista ou medida judicial em casos específicos. Essas opções dependem do tipo de processo e do histórico do solicitante.

Por que brasileiros devem ter cautela

A checagem ampliada não transforma todo atraso em sinal de risco. Mas ela torna mais importante a preparação documental.

Brasileiros que pedem Green Card ou cidadania devem revisar se todos os dados enviados ao governo são consistentes. Nome, sobrenome, datas de entrada e saída, endereços, empregos, casamentos, divórcios, filhos e histórico criminal precisam bater com documentos anteriores.

Diferenças pequenas podem gerar perguntas. Diferenças grandes podem levar a pedidos de evidência, entrevista mais longa ou investigação adicional.

Quem já teve processo negado, entrada recusada, overstays, deportação anterior, uso de documento falso ou problema criminal deve procurar orientação antes de enviar novo pedido ou responder ao USCIS. O risco não está apenas na nova checagem. Está na combinação entre a checagem e o histórico que aparece no sistema.

Para famílias brasileiras, a regra prática é simples: acompanhar o caso, não esconder antecedentes, não responder no impulso e não enviar explicações sem estratégia jurídica.

A nova política não cancela pedidos de Green Card ou cidadania. Ela muda o ritmo da análise. Para quem depende desses processos para trabalhar, viajar ou estabilizar a vida nos EUA, esse ritmo já faz diferença.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

Esta matéria foi produzida com base em reportagem da Reuters sobre a orientação interna do USCIS, informações públicas do USCIS Policy Manual sobre biometria e verificações de segurança, cobertura da CBS News sobre os tipos de casos afetados e análises técnicas de escritórios de imigração sobre retenções temporárias em aprovações.

Transparência Editorial

A apuração foi realizada em 8 de julho de 2026. O texto trata de uma política administrativa recente e seus efeitos práticos em processos migratórios. O USCIS afirmou que os atrasos devem ser mínimos e temporários, mas relatos técnicos indicam retenções em aprovações de casos que exigem digitais. A matéria não oferece aconselhamento jurídico individual. Casos com antecedentes criminais, histórico migratório complexo ou atraso fora do prazo normal devem ser avaliados por advogado de imigração habilitado nos Estados Unidos.

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