Turistas da Copa descobrem o churrasco americano e encontram o rodízio brasileiro nos EUA

FreePik
Turistas que viajaram aos Estados Unidos para a Copa de 2026 passaram a compartilhar nas redes sociais descobertas sobre comida, estrada e hábitos americanos. Molho ranch, churrasco texano, Waffle House e Buc-ee’s entraram no roteiro de visitantes que chegaram ao país para ver futebol.
A comida americana entrou no roteiro da Copa
A reação saiu do campo das redes e chegou até a órgãos oficiais. A TSA, agência responsável pela segurança nos aeroportos dos EUA, publicou orientações sobre alimentos que podem ser levados na bagagem, em meio ao aumento de dúvidas de turistas sobre itens como snacks da Buc-ee’s e molhos. Pelas regras da agência, salad dressings e molhos em geral podem ir na bagagem de mão apenas em embalagens de até 3,4 onças, cerca de 100 ml. Frascos maiores devem ir na mala despachada.
O episódio mostrou como a Copa virou também uma vitrine do cotidiano americano. Para muitos estrangeiros, a viagem não ficou limitada aos estádios. Supermercados grandes, postos de estrada com lojas enormes, restaurantes 24 horas e porções acima do padrão europeu ou latino-americano passaram a fazer parte da experiência.
Ranch, Buc-ee’s e Waffle House viraram atração para visitantes
Entre os itens mais comentados está o ranch, molho cremoso usado em saladas, batatas, pizza e frango. A repercussão foi suficiente para marcas americanas entrarem na conversa. A Southern Living registrou que a popularidade do molho entre torcedores da Copa levou até a anúncios de embalagens em tamanho compatível com regras de aeroporto.
O churrasco texano também entrou no cardápio turístico. Brisket, ribs, pulled pork, sanduíches de carne defumada e porções grandes chamaram atenção de visitantes que passaram por cidades do Sul e do Texas. É um tipo de churrasco diferente do brasileiro. Nos EUA, o barbecue costuma girar em torno de defumação lenta, molhos, acompanhamentos como coleslaw e cortes preparados por horas.
O rodízio brasileiro ocupa outro lugar no mercado americano
Para o brasileiro, a cena tem uma segunda camada. Enquanto turistas descobrem o barbecue americano, o churrasco brasileiro já está presente nos EUA há décadas e ocupa uma faixa própria do mercado de restaurantes. A experiência é outra: rodízio, carnes servidas à mesa, picanha, fraldinha, linguiça, costela, pão de queijo, farofa e buffet quente ou frio, dependendo da casa.
A Fogo de Chão, uma das redes mais conhecidas do segmento, informa que mantém mais de 60 unidades de steakhouse brasileira nos EUA e em outros países. A empresa apresenta sua origem em 1979 e vende a experiência como “arte culinária do churrasco”, com cortes brasileiros e serviço de mesa.
A Texas de Brazil também opera nesse espaço. A rede se define como steakhouse brasileira com carnes preparadas no estilo churrasco, em chama aberta e carvão natural. A página de unidades mostra presença em vários estados americanos, incluindo Texas, Flórida, Nova York, Virgínia, Connecticut, Louisiana, Alabama e Oklahoma.
Outra marca do setor, a Rodizio Grill, afirma ter sido a primeira steakhouse brasileira dos Estados Unidos. A rede diz que foi criada em 1995 por Ivan Utrera, brasileiro nascido em São Paulo, e usa o modelo clássico de rodízio como centro da experiência.
Há também redes menores e regionais. A Terra Gaucha informa ter unidades em Stamford, Jacksonville, Tampa e Indianapolis, com cortes assados no fogo e servidos à mesa. A expansão para cidades médias mostra que o rodízio brasileiro não está restrito a metrópoles turísticas.
Comunidade brasileira sustenta parte da demanda
Esse mercado conversa diretamente com a presença brasileira nos EUA. Segundo o Migration Policy Institute, a população nascida no Brasil vivendo nos Estados Unidos chegou a cerca de 725 mil pessoas em 2024. A comunidade é pequena em comparação com outros grupos imigrantes, mas tem peso em estados como Flórida, Massachusetts, New Jersey, Texas e Califórnia.
Para restaurantes, isso cria dois públicos ao mesmo tempo. O primeiro é o brasileiro que busca comida familiar, ambiente de celebração e produtos associados à memória afetiva. O segundo é o americano ou turista estrangeiro que vê o rodízio como uma experiência gastronômica diferente, com serviço contínuo e cortes pouco comuns em steakhouses tradicionais.
A Copa aumentou a busca por experiências locais
A Copa reforça esse ponto. Quando visitantes estrangeiros transformam um posto Buc-ee’s ou um Waffle House em atração de viagem, eles mostram que comida e hábitos locais viram conteúdo, lembrança e consumo. O churrasco brasileiro entra nesse mesmo circuito, mas com uma vantagem: já chega aos EUA com identidade clara, serviço reconhecível e forte apelo visual.
Para o brasileiro que mora nos EUA, vale prestar atenção antes de reservar. O preço anunciado nem sempre inclui bebidas, sobremesas, taxas locais e gorjeta. Em muitas casas, almoço e jantar têm valores diferentes. Algumas oferecem opção mais barata só com buffet, sem o rodízio completo de carnes. Em grupos grandes, a taxa de serviço pode entrar automaticamente na conta.
O que checar antes de reservar uma churrascaria brasileira nos EUA
Também é importante checar o menu oficial da unidade, e não apenas vídeos de redes sociais. O cardápio muda por cidade, horário e promoção. Quem vai levar parentes do Brasil ou visitantes durante a Copa deve reservar com antecedência, confirmar estacionamento e observar regras de cancelamento.
Para empreendedores brasileiros, o movimento aponta uma oportunidade maior que o restaurante em si. A Copa aumentou a curiosidade de turistas por experiências locais nos EUA. Negócios brasileiros de alimentação, catering, eventos, doces, cafés e comida regional podem aproveitar esse interesse, desde que comuniquem com clareza o que vendem, quanto custa e qual experiência entregam.
O que diferencia curiosidade de negócio
A diferença entre virar curiosidade e virar negócio está na execução. O churrasco americano ganhou os turistas pelo tamanho, pela fumaça e pela cultura da estrada. O churrasco brasileiro cresce nos EUA porque oferece ritual, abundância e identidade. Em ano de Copa, isso pode pesar tanto quanto uma boa partida.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Esta matéria foi produzida a partir de insumo editorial enviado à redação e de apuração complementar em fontes públicas. Foram consultadas informações da TSA sobre regras para salad dressing na bagagem, da People sobre a orientação da TSA para turistas da Copa e Buc-ee’s, da Southern Living sobre ranch e regras de aeroporto, da Fogo de Chão, da Texas de Brazil, da Rodizio Grill, da Terra Gaucha e do Migration Policy Institute.
Transparência Editorial
O texto não afirma que vídeos específicos tiveram milhões de visualizações porque o insumo não trouxe links ou métricas verificáveis das postagens. A matéria usa o fenômeno como gancho cultural, com base em registros jornalísticos recentes e em informações oficiais sobre regras de bagagem e redes de churrascarias brasileiras nos EUA. Não há recomendação comercial de restaurantes.