Trump diz que falou com Lula no G7 e chama Brasil de país “perigoso politicamente”

Jacy Abreu18 de junho de 2026Política
Trump diz que falou com Lula no G7 e chama Brasil de país “perigoso politicamente”

Reprodução / PBS NewsHour / YouTube

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, que conversou com Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, e criticou o ambiente político brasileiro.

A declaração foi dada após Trump ser questionado sobre sua interação com Lula e sobre temas que aumentaram a tensão entre os dois países nas últimas semanas: novas tarifas americanas contra produtos brasileiros e a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos.

“Sim, eu passei bastante tempo com ele, na verdade”, disse Trump, segundo o insumo apurado. Na sequência, o presidente americano afirmou que o Brasil se tornou um país “complicado” e “perigoso politicamente”.

A Reuters informou que Lula reagiu dizendo que Trump deveria ficar fora das eleições brasileiras. Segundo a agência, o presidente brasileiro reconheceu que Trump pode ter preferência política, mas afirmou que a disputa eleitoral do Brasil deve ser decidida pelos brasileiros.

A AP também registrou o aumento da tensão diplomática entre os dois governos. A agência citou as tarifas impostas pela administração Trump a importações brasileiras, a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras e os comentários do presidente americano sobre a política brasileira.

O que Trump disse sobre o Brasil

A fala de Trump ocorreu durante a cúpula do G7, que reuniu líderes das maiores economias avançadas entre 15 e 17 de junho em Évian-les-Bains. O Brasil participou como país convidado, ao lado de outras nações fora do grupo principal.

Trump não detalhou o conteúdo da conversa com Lula. Também não confirmou, na resposta disponível, se discutiu diretamente o tarifaço ou a decisão americana sobre PCC e CV.

Esse ponto exige cautela editorial. O trecho final do insumo recebido está truncado e mistura partes repetidas em inglês. Por isso, a matéria não deve afirmar que Trump tratou desses temas com Lula sem uma transcrição completa ou vídeo integral da entrevista.

O que está confirmado é que os dois assuntos já vinham pressionando a relação entre Brasília e Washington antes do encontro no G7.

Tarifas elevam pressão sobre produtos brasileiros

No início de junho, o governo dos Estados Unidos propôs uma nova tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 15 de julho. Segundo a Agência Brasil, a medida foi baseada em investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA, o USTR, que acusou políticas brasileiras de prejudicarem o comércio americano.

A Reuters informou que o governo brasileiro rejeitou a proposta e afirmou ter “profundas divergências” com a justificativa americana. Brasília disse que Washington distorceu o tema do trabalho forçado para sustentar medidas protecionistas.

A proposta não atinge todos os produtos da mesma forma. Segundo a Agência Brasil, itens como carne bovina, café, metais de terras raras, outros metais e peças de aeronaves aparecem entre as exceções citadas na medida.

Para brasileiros nos EUA, o impacto mais imediato tende a aparecer em negócios que dependem de importação. Mercados brasileiros, restaurantes, distribuidores, lojistas e empresas que trabalham com produtos vindos do Brasil precisam revisar preço, margem e contrato antes da vigência da tarifa.

Não há, até a publicação desta matéria, confirmação de mudança em regras de visto, entrada nos EUA ou imigração por causa da fala de Trump ou da disputa tarifária.

Por que PCC e CV entraram na crise

Em 28 de maio, o Departamento de Estado dos EUA anunciou a designação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como Terroristas Globais Especialmente Designados e informou que os dois grupos também passariam a ser classificados como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho.

Lula rejeitou a medida e disse que a decisão feria a soberania brasileira. Segundo a Reuters, o governo brasileiro teme que a classificação gere efeitos econômicos e aumente riscos de conformidade para empresas que operam no país, especialmente em setores expostos a áreas onde facções criminosas atuam.

A decisão também preocupa autoridades brasileiras da área de segurança. A Reuters informou que fontes no Brasil disseram que a classificação pode atrapalhar a cooperação diária entre polícias dos dois países contra tráfico de drogas e armas.

Para empresas, o ponto central é compliance, termo usado para definir controles internos que evitam violações legais. A partir da designação, negócios com conexão aos EUA precisam ter mais cuidado com fornecedores, pagamentos, logística, bancos e parceiros no Brasil.

Isso não significa que brasileiros comuns nos EUA tenham novas restrições automáticas por serem brasileiros. Significa que empresas, bancos e investidores com operação ligada ao Brasil podem enfrentar mais perguntas, checagens e exigências documentais.

O que brasileiros nos EUA devem observar agora

Brasileiros que vivem nos Estados Unidos devem separar fato confirmado de disputa política. A fala de Trump aumenta a tensão diplomática, mas não muda, sozinha, regras de imigração, emissão de vistos ou entrada no país.

Quem importa produtos brasileiros precisa acompanhar a data de 15 de julho e checar se o item comprado ou vendido entra na lista tarifária. Um aumento de tarifa pode chegar ao preço final no mercado, no restaurante ou no atacado.

Empresários com fornecedores no Brasil devem documentar melhor a origem dos produtos, os pagamentos e a cadeia de entrega. Essa atenção vale principalmente para setores em que investigações brasileiras já apontaram risco de infiltração criminosa, como combustíveis, logística, mineração, agronegócio e comércio em áreas dominadas por facções.

Para quem envia dinheiro ao Brasil, a atenção deve ficar no câmbio e no clima político. Tensões entre governos podem afetar expectativas de mercado, mas não há dado confirmado nesta quarta-feira que permita atribuir uma mudança específica no dólar apenas à fala de Trump no G7.

A orientação prática é simples: não tomar decisão de visto, viagem, investimento ou remessa com base em trecho de entrevista. Acompanhe fontes oficiais, revise contratos e peça orientação profissional quando houver impacto tributário, comercial ou migratório.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

Esta matéria foi produzida com base em cobertura da Reuters e da AP sobre a fala de Trump, a reação de Lula e a cúpula do G7 em Évian-les-Bains. Também foram consultados o Departamento de Estado dos EUA, a Agência Brasil e reportagens da Reuters sobre as tarifas americanas e a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

Transparência Editorial

O Vou pra América não confirmou, no insumo recebido, a íntegra da entrevista de Trump. Por isso, esta matéria não afirma que ele discutiu diretamente tarifas, PCC ou CV com Lula. O texto informa apenas que Trump disse ter conversado com o presidente brasileiro e que esses temas fazem parte do contexto diplomático confirmado por fontes jornalísticas e oficiais.

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