Trump cobra queda imediata da gasolina e ameaça postos com “grandes problemas”

Jacy Abreu1 de julho de 2026Economia
Trump cobra queda imediata da gasolina e ameaça postos com “grandes problemas”

Donald Trump exigiu que revendedores de gasolina nos Estados Unidos reduzam imediatamente os preços nas bombas e afirmou que haverá “grandes problemas” caso isso não aconteça. A cobrança foi feita em publicação na Truth Social, segundo a Reuters.

O presidente afirmou que o petróleo caiu para cerca de US$ 68 por barril e disse que a redução de custo precisa chegar ao consumidor. Trump também acusou revendedores de manter preços altos por especulação, mas não apresentou, na publicação, uma lista de empresas ou postos envolvidos.

A meta mencionada por Trump foi de aproximadamente US$ 2,50 por galão. O número fica bem abaixo da média nacional registrada pela AAA nesta terça-feira, 30 de junho de 2026. Segundo a entidade, a gasolina regular custava, em média, US$ 3,847 por galão nos Estados Unidos.

Preço caiu, mas ainda está longe da meta citada por Trump

Os dados oficiais mostram que a gasolina já ficou mais barata nas últimas semanas. A Energy Information Administration, órgão do governo americano que monitora o setor de energia, registrou preço médio semanal de US$ 4,305 por galão em 1º de junho. Em 29 de junho, o valor caiu para US$ 3,831.

Na prática, isso representa uma queda de 47,4 centavos por galão em quatro semanas. Para um motorista que abastece 15 galões por semana, a economia aproximada já chega a US$ 7,11 por abastecimento em relação ao começo de junho.

Ainda assim, a distância até US$ 2,50 é grande. Pela média da AAA de 30 de junho, seria necessária uma queda adicional de cerca de US$ 1,35 por galão para chegar ao número defendido por Trump.

Integrantes do governo também pressionaram o setor. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, pediu que revendedores reduzam os preços antes das comemorações de 4 de Julho e disse que o governo está observando o comportamento do mercado.

Por que a queda do petróleo não chega imediatamente à bomba?

O preço da gasolina não depende apenas do barril de petróleo. A conta inclui refino, transporte, impostos estaduais e federais, margens de distribuição e competição local entre postos.

Por isso, a queda do petróleo costuma aparecer com atraso nas bombas. O consumidor vê primeiro a variação nos grandes indicadores de energia. Depois, o preço muda nas refinarias, nos distribuidores e, por fim, nos postos.

Também há diferenças grandes entre estados. Califórnia, Havaí e parte da Costa Oeste costumam ter preços mais altos por causa de impostos, regras ambientais e custos de distribuição. Já estados do Golfo e do Sul tendem a registrar preços menores.

Para brasileiros nos EUA, essa diferença pesa no orçamento. Quem mora longe do trabalho, dirige para aplicativo, faz delivery ou depende de carro para levar filhos à escola sente a variação semanal de forma direta.

O que muda para brasileiros que dependem do carro

A queda da gasolina alivia parte do orçamento, mas não elimina o custo elevado do transporte. Em muitos estados americanos, morar sem carro é difícil. Para recém-chegados, o gasto com combustível entra junto com seguro, manutenção, estacionamento, pedágios e financiamento.

Um brasileiro que abastece 60 galões por mês pagaria cerca de US$ 230,82 com a média nacional da AAA de 30 de junho. Se o preço caísse para US$ 2,50, o mesmo consumo mensal custaria US$ 150. A diferença seria de aproximadamente US$ 80,82 por mês.

Para quem trabalha com Uber, Lyft, DoorDash, Amazon Flex ou entregas locais, a conta precisa ser feita por milha rodada, não apenas por tanque. A gasolina mais barata melhora a margem, mas não corrige outros custos, como depreciação do carro, troca de pneus, óleo, seguro comercial e eventuais multas.

Quem planeja viajar de carro no feriado de 4 de Julho também deve comparar preços antes de sair. A AAA informou que a média nacional ficou abaixo de US$ 4 pela segunda semana seguida, mas o preço varia por estado, cidade e tipo de posto.

Como o consumidor pode agir agora

A primeira medida é acompanhar o preço por região antes de abastecer. Aplicativos de comparação ajudam, mas o motorista deve confirmar se o valor foi atualizado recentemente. Preços muito antigos podem induzir a deslocamentos que não compensam.

Também vale evitar abastecer em postos de rodovia, perto de aeroportos ou em áreas turísticas. Esses locais costumam cobrar mais porque atendem motoristas com menos opção imediata.

Para quem dirige a trabalho, o ideal é recalcular o custo semanal. A queda de centavos por galão parece pequena, mas muda o resultado quando o motorista roda muitas milhas por dia. O cálculo deve considerar combustível, seguro, manutenção e tempo parado.

A cobrança de Trump aumenta a pressão política sobre o setor, mas não garante uma queda imediata até US$ 2,50. Até agora, os dados mostram alívio real nas bombas, não uma volta ao nível defendido pelo presidente.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

Esta matéria foi produzida com base em informações da Reuters sobre a publicação de Donald Trump e a pressão do governo sobre revendedores de gasolina. Também foram usados dados da AAA, da Energy Information Administration e reportagem da Reuters sobre a manifestação do secretário do Tesouro, Scott Bessent.

Transparência Editorial

O insumo original mencionava uma meta de cerca de US$ 3 por galão. A apuração encontrou, nas fontes consultadas, a meta de cerca de US$ 2,50 por galão atribuída a Donald Trump. Por isso, o texto foi ajustado para refletir o dado verificado. A matéria não afirma que postos cometeram crime. A acusação de especulação foi atribuída a Trump, pois não há, nas fontes consultadas, comprovação individual contra revendedores específicos.

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