Trump adia tarifa sobre genéricos, mas prevê cobrança de até 200% a partir de 2028

O presidente Donald Trump anunciou na terça-feira, 21 de julho, que medicamentos genéricos importados permanecerão sem nova tarifa nos Estados Unidos até 1º de agosto de 2028. A cobrança passará a 100% por um ano e subirá para 200% a partir de agosto de 2029.
Segundo Trump, o intervalo dará tempo para que empresas farmacêuticas transfiram parte da produção para o território americano. O anúncio ainda precisa ser acompanhado por regras que detalhem quais produtos serão atingidos, como a tarifa será calculada e quais fabricantes poderão obter exceções.
Por que os genéricos importados são importantes
Os medicamentos genéricos respondem por mais de 90% das prescrições preenchidas nos Estados Unidos, segundo a Food and Drug Administration. Eles têm os mesmos ingredientes ativos, dosagem e padrões de qualidade dos medicamentos de marca aprovados pela agência.
Dados da Association for Accessible Medicines mostram que genéricos e biossimilares representaram 90% das prescrições em 2024, mas apenas 12% dos gastos americanos com remédios vendidos sob receita. Essa diferença ajuda a explicar por que qualquer mudança nos custos de importação preocupa pacientes e fabricantes.
A Índia está entre os países mais expostos à medida. O país exporta cerca de US$ 9,7 bilhões em medicamentos genéricos para os Estados Unidos, valor equivalente a aproximadamente 38% das exportações farmacêuticas indianas, segundo dados citados pela Reuters.
O preço dos remédios vai subir agora?
Não há tarifa nova imediata sobre os genéricos abrangidos pelo anúncio. Também não é possível afirmar que uma tarifa de 100% fará o preço pago pelo paciente dobrar.
A cobrança incide sobre o produto importado. O resultado final dependerá de contratos, fornecedores, custos de produção, cobertura dos planos de saúde e da parcela eventualmente repassada ao consumidor.
Para brasileiros sem seguro, com planos de franquia alta ou que compram medicamentos para tratamentos contínuos, o prazo deve servir para acompanhamento, não para estocagem. O paciente pode verificar se o remédio possui versão genérica, comparar preços entre farmácias e consultar o formulário do plano, documento que informa quais medicamentos são cobertos e quanto o segurado paga.
Qualquer troca de medicamento deve ser discutida com o médico ou farmacêutico. A política tarifária não altera as orientações clínicas nem autoriza a interrupção de tratamentos.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
A matéria utilizou informações da Reuters, da Food and Drug Administration e da Association for Accessible Medicines.
Transparência Editorial
O anúncio estabelece um cronograma político para futuras tarifas. Até a publicação desta matéria, os detalhes administrativos sobre categorias atingidas, exceções e forma de cobrança ainda não haviam sido integralmente divulgados. O texto não presume aumento de preços nem escassez de medicamentos.