Trump Accounts já estão valendo, mas formulário cria barreira para pais sem Social Security

As Trump Accounts entraram em operação nos Estados Unidos com milhões de solicitações registradas. O programa permite abrir uma conta de investimento para crianças, mas o procedimento atual cria uma barreira para pais que não possuem Social Security Number.
O Departamento do Tesouro informou em 3 de junho de 2026 que quase 6 milhões de contas haviam sido abertas. Desse total, aproximadamente 1,4 milhão estavam elegíveis para receber a contribuição inicial de US$ 1.000 paga pelo governo federal.
As contribuições começaram em 4 de julho de 2026. As contas funcionam como uma modalidade de aposentadoria individual, conhecida pela sigla IRA, criada em nome da criança e sujeita a regras próprias de investimento e retirada.
Quem pode ter uma Trump Account
Uma conta pode ser aberta para uma criança que tenha um Social Security Number válido e ainda não tenha completado 18 anos no fim do ano em que a solicitação for apresentada.
A criança é a proprietária do dinheiro. Enquanto ela for menor de idade, um adulto autorizado fica registrado como responsável pela administração da conta.
Quando o pedido envolve apenas a abertura da Trump Account, sem a contribuição de US$ 1.000, o IRS estabelece uma ordem de prioridade. O responsável pode ser o guardião legal, um dos pais, um irmão adulto ou um dos avós.
Quem recebe os US$ 1.000 do governo
A abertura da conta e o recebimento do dinheiro federal não são a mesma coisa.
Para receber a contribuição única de US$ 1.000, a criança precisa ser cidadã dos Estados Unidos, ter um SSN válido e ter nascido entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2028.
Ela também precisa ser considerada qualifying child do adulto que apresenta o pedido. O termo identifica uma criança que atende às regras tributárias de parentesco, idade, residência e dependência aplicáveis ao responsável.
Uma criança mais velha pode ter uma Trump Account, desde que cumpra as regras gerais de idade e possua SSN. Ela não receberá automaticamente os US$ 1.000 caso tenha nascido fora do período do programa piloto.
Pais sem SSN ou ITIN conseguem abrir a conta?
Pelas regras publicadas até julho de 2026, a criança não perde a elegibilidade apenas porque os pais têm situação migratória diferente ou não possuem número fiscal americano.
O problema está no procedimento.
O Form 4547, usado para solicitar a conta, exige na Parte I o Social Security Number do pai, guardião ou outro adulto autorizado. O formulário não apresenta um campo alternativo identificado como ITIN para esse responsável.
O caminho eletrônico também depende de uma conta individual no site do IRS. Para acessar os serviços digitais do órgão, o responsável precisa verificar a identidade. O próprio IRS informa que essa verificação exige SSN ou Individual Taxpayer Identification Number, o ITIN.
Isso cria duas situações diferentes.
Um adulto com SSN consegue preencher o campo exigido pelo Form 4547 e usar a plataforma do IRS, desde que complete a verificação de identidade.
Um adulto que tenha apenas ITIN consegue, em princípio, criar uma conta individual do IRS. As orientações oficiais consultadas, porém, não esclarecem se o ITIN pode substituir o SSN no campo específico do responsável no Form 4547.
Para quem não possui nem SSN nem ITIN, a resposta prática é mais restritiva. O IRS informa que esses números são necessários para acessar seus serviços online. O formulário também pede o SSN do responsável. Até a publicação desta matéria, o órgão não havia divulgado um procedimento alternativo claro para esse caso.
Portanto, não é seguro afirmar que um pai sem SSN e sem ITIN consegue concluir a abertura apenas com o número da criança.
E quando o Form I-485 está pendente?
Ter um Form I-485 pendente não aparece entre os critérios de elegibilidade da Trump Account. Esse formulário é usado para solicitar o ajuste de status e a residência permanente nos Estados Unidos.
O processo migratório dos pais, por si só, não concede nem retira o direito da criança. O IRS verifica principalmente a idade, o SSN e, no caso dos US$ 1.000, a cidadania americana, a data de nascimento e a relação tributária com o responsável.
Na prática, um pai com I-485 pendente poderá avançar se já possuir um SSN válido e atender às regras para agir como responsável. Quem ainda não recebeu SSN enfrenta a mesma barreira documental existente para outros pais sem esse número.
A aprovação do I-485 também não é requisito para o filho receber o aporte. Uma criança nascida nos Estados Unidos pode ser cidadã americana mesmo quando os pais ainda aguardam uma decisão migratória.
O que a família deve verificar antes de solicitar
O primeiro passo é confirmar se a criança possui SSN válido. Para o aporte de US$ 1.000, também devem ser conferidas a cidadania americana e a data de nascimento.
O responsável precisa verificar qual número possui e se consegue acessar a conta individual do IRS. Ter apenas um protocolo migratório, um Alien Registration Number ou o recibo do I-485 não substitui o SSN solicitado pelo Form 4547.
Famílias sem SSN ou ITIN não devem inserir um número de outra pessoa, usar o SSN da criança no campo do adulto ou declarar uma relação familiar incorreta. O formulário é assinado sob pena de perjúrio.
Também não há motivo para pagar intermediários que prometam garantir os US$ 1.000. A solicitação oficial é feita pelo Form 4547, disponível no IRS, e o governo não condiciona o benefício à contratação de um consultor privado.
Quando houver dúvida sobre a condição fiscal do responsável, a família deve procurar um profissional habilitado, como um CPA ou um Enrolled Agent. Questões sobre o I-485 devem ser avaliadas separadamente por um advogado de imigração, porque a Trump Account não altera o processo migratório.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
A apuração usou informações do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, da página oficial das Trump Accounts no IRS, das instruções do Form 4547, do Form 4547 e das orientações para criação da conta individual do IRS.
Transparência Editorial
Esta matéria separa a elegibilidade da criança da capacidade operacional do adulto responsável. As fontes oficiais confirmam que o Form 4547 pede o SSN do responsável e que o acesso aos serviços online do IRS exige SSN ou ITIN. O IRS não esclareceu, nas páginas consultadas até 11 de julho de 2026, se um ITIN pode substituir o SSN no campo da Parte I do Form 4547 ou qual alternativa deve ser usada por pais sem nenhum dos dois números. Por isso, o texto não afirma que essas famílias conseguem concluir o cadastro. A abordagem segue a política editorial de priorizar fatos rastreáveis, utilidade prática e proteção do leitor contra orientações não confirmadas.