Tecnologia, saúde e engenharia lideram oportunidades para profissionais nos EUA

Jacy Abreu16 de agosto de 2026Trabalho
Tecnologia, saúde e engenharia lideram oportunidades para profissionais nos EUA

Profissionais brasileiros encontram oportunidades em áreas que devem crescer nos Estados Unidos até 2034, mas demanda no mercado de trabalho e elegibilidade para imigração são duas coisas diferentes. Ter uma profissão valorizada pode fortalecer um projeto de carreira, mas não substitui os requisitos exigidos pelo governo americano para trabalhar legalmente no país.

A diferença é importante porque expressões como “profissões que abrem as portas dos EUA” podem passar uma impressão errada. Não existe uma lista oficial de carreiras que conceda automaticamente acesso a um visto de trabalho ou green card.

Dados do Bureau of Labor Statistics mostram, porém, que algumas ocupações têm perspectivas de contratação superiores à média americana, projetada em cerca de 3% entre 2024 e 2034.

Tecnologia tem demanda, mas nem toda profissão da área cresce

O setor de tecnologia ajuda a mostrar por que é preciso olhar para a ocupação específica, e não apenas para o nome da área.

O BLS projeta crescimento de 15% no emprego de desenvolvedores de software entre 2024 e 2034. O salário mediano anual dessa ocupação foi de US$ 133.080 em maio de 2024.

Especialistas em segurança da informação aparecem em uma situação ainda mais favorável. A projeção é de crescimento de 29% no mesmo período, com salário mediano anual de US$ 124.910.

Isso não significa que qualquer carreira em tecnologia esteja crescendo. O BLS projeta queda de 6% no número de empregos para computer programmers, ou programadores de computador, entre 2024 e 2034.

Para o brasileiro que planeja trabalhar nos Estados Unidos, a distinção é prática: dizer apenas que “tecnologia está em alta” não basta. É preciso identificar a ocupação, as qualificações exigidas pelo empregador e, separadamente, a situação migratória que permitiria exercer aquele trabalho.

Saúde combina grande volume de vagas com barreiras profissionais próprias

Enfermeiros registrados estão entre as ocupações com grande número projetado de oportunidades. O BLS estima crescimento de 5% entre 2024 e 2034 e cerca de 189.100 vagas por ano, em média, considerando crescimento e substituição de trabalhadores. O salário mediano anual foi de US$ 93.600 em maio de 2024.

A demanda, porém, não elimina as exigências profissionais. Na saúde, autorização migratória e licença para exercer determinadas atividades são etapas distintas. Um diploma obtido no Brasil não deve ser tratado como autorização automática para exercer uma profissão regulamentada nos Estados Unidos.

Esse é um dos pontos que mais exigem atenção de quem planeja a mudança. Conseguir uma oportunidade de emprego não significa necessariamente estar autorizado a exercer a profissão imediatamente.

Engenharia, marketing e finanças também exigem análise por ocupação

O mesmo cuidado vale para engenharia. Os dados do BLS mostram salários medianos anuais superiores a US$ 100 mil em várias especialidades. Engenheiros mecânicos, por exemplo, tiveram salário mediano de US$ 102.320 em maio de 2024.

Em marketing, analistas de pesquisa de mercado e especialistas de marketing têm crescimento projetado de 7% entre 2024 e 2034. O BLS estima cerca de 87.200 oportunidades por ano, em média, e registrou salário mediano anual de US$ 76.950 em maio de 2024.

Finanças também reúne ocupações com projeções fortes. Para financial managers, ou gerentes financeiros, o crescimento previsto é de 15% entre 2024 e 2034. O salário mediano anual chegou a US$ 161.700 em maio de 2024.

Esses números servem para medir mercado de trabalho. Eles não servem para determinar, sozinhos, se um profissional brasileiro poderá receber determinado visto.

Onde entra o H-1B

O H-1B é uma das categorias mais associadas ao emprego qualificado nos Estados Unidos. Segundo o USCIS, a classificação abrange profissionais contratados para exercer specialty occupations, ocupações especializadas que exigem conhecimento altamente especializado e formação compatível com a função.

Arquitetura, engenharia, matemática, ciências, medicina e outras áreas podem aparecer entre os campos associados ao programa, mas pertencer a uma dessas áreas não garante aprovação.

A análise considera a função oferecida, os requisitos acadêmicos do cargo, a qualificação do trabalhador e a petição apresentada pelo empregador, além das demais regras aplicáveis à categoria.

EB-2 NIW e O-1 não são vistos concedidos por profissão

Outra confusão comum ocorre quando carreiras qualificadas são associadas automaticamente ao EB-2 com National Interest Waiver.

O USCIS determina que o candidato precisa primeiro demonstrar enquadramento na categoria EB-2, como profissional com grau acadêmico avançado ou pessoa com habilidade excepcional. O pedido de National Interest Waiver exige uma análise adicional.

Também não basta trabalhar em tecnologia, ciência, negócios ou outra área valorizada para obter um O-1. A categoria é destinada a pessoas que demonstram habilidade extraordinária de acordo com critérios e evidências definidos pelo governo americano.

O mesmo princípio vale para o EB-1A, que prevê residência permanente para pessoas de habilidade extraordinária em áreas como ciências, artes, educação, negócios ou atletismo. A profissão é apenas parte do contexto. O histórico e as evidências do candidato são determinantes.

O que o brasileiro deve analisar antes de escolher um caminho

O ponto de partida deve ser separar carreira de imigração.

Primeiro, vale identificar a ocupação americana equivalente à experiência profissional construída no Brasil. Depois, é preciso verificar formação acadêmica, anos de experiência, posição ocupada, remuneração, certificações, publicações, prêmios, participação em projetos relevantes e outras evidências documentais que realmente existam.

Só então faz sentido comparar esse histórico com os requisitos das categorias migratórias disponíveis.

Quem atua em profissão regulamentada também precisa verificar as exigências estaduais para exercer a atividade. O processo migratório pode autorizar presença e trabalho nos Estados Unidos, mas não substitui licenças profissionais quando elas são exigidas.

Essa separação evita dois erros caros: escolher um visto apenas pelo nome da profissão e investir em um processo migratório antes de saber se o próprio histórico consegue atender aos critérios exigidos.

Profissão em alta pode ser um bom ponto de partida. Para transformar demanda de mercado em um plano real de imigração, o brasileiro precisa provar qualificação e identificar uma categoria compatível com os fatos do próprio currículo.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

Esta matéria foi apurada com dados do U.S. Bureau of Labor Statistics e informações oficiais do U.S. Citizenship and Immigration Services. As projeções profissionais utilizadas correspondem ao período de 2024 a 2034 e estavam disponíveis na consulta realizada em agosto de 2026. O post apresentado como insumo editorial serviu como ponto de partida para a pauta, mas não foi utilizado como fonte para requisitos migratórios, projeções de emprego ou salários. O material original cita seis profissões, mas a imagem e a legenda fornecidas não identificam todas elas. Por esse motivo, esta matéria não atribui ao post uma relação específica de seis carreiras.

Transparência Editorial

O Vou pra América reescreveu integralmente o insumo e verificou os principais dados em fontes governamentais. A matéria não afirma que qualquer profissão garante aprovação de visto, green card ou autorização profissional. Casos migratórios dependem das circunstâncias individuais e da categoria utilizada.

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