Taxa de recusa do visto americano cai para 14,87% entre brasileiros

A taxa ajustada de recusa dos vistos americanos da categoria B para brasileiros caiu para 14,87% no ano fiscal de 2025. O índice havia ficado em 15,48% em 2024, segundo dados publicados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.
A diferença foi de 0,61 ponto percentual. A queda interrompeu a alta registrada entre 2023 e 2024, mas não colocou o Brasil no menor nível desde 2019, como divulgado inicialmente em levantamentos sobre o tema.
Em 2023, a taxa havia sido de 11,94%, abaixo do resultado de 2025. Os percentuais de 2021 e 2022 também foram inferiores a 14,87%. A comparação correta, portanto, é que a recusa caiu em relação a 2024, sem estabelecer um novo recorde recente.
O que a taxa de 14,87% mede
O indicador abrange os vistos da categoria B concedidos a cidadãos brasileiros em consulados americanos ao redor do mundo. O B1 é destinado a determinadas viagens temporárias de negócios. O B2 atende turismo, visitas e alguns tratamentos médicos. As duas classificações costumam ser emitidas conjuntamente como B1/B2.
A taxa não resulta de uma divisão simples entre entrevistas realizadas e recusas comunicadas no consulado.
O Departamento de Estado usa uma fórmula ajustada. O cálculo considera pedidos encerrados com o visto emitido, recusas mantidas e negativas que foram posteriormente superadas. Uma solicitação inicialmente recusada por falta de informação, mas aprovada após a resolução da pendência, pode deixar de integrar o total final de negativas.
Os números também seguem o ano fiscal americano, que não corresponde ao ano-calendário. O período de 2025 começou em 1º de outubro de 2024 e terminou em 30 de setembro de 2025.
Isso impede atribuir todo o resultado às políticas do governo Donald Trump. Parte do período estatístico ocorreu antes do início de seu novo mandato, em janeiro de 2025. O relatório do Departamento de Estado também não apresenta uma análise que relacione a redução brasileira a uma medida presidencial específica.
Índice nacional não prevê o resultado da entrevista
A taxa de 14,87% não significa que todo brasileiro tenha uma chance automática de aproximadamente 85% de receber o visto.
Cada solicitação é analisada individualmente. O oficial consular considera o motivo da viagem, os recursos financeiros disponíveis, as circunstâncias pessoais do candidato e os vínculos mantidos fora dos Estados Unidos.
Nas recusas fundamentadas na seção 214(b) da Lei de Imigração e Nacionalidade, o governo informa que o solicitante não demonstrou suficientemente que se enquadrava na categoria pedida ou não superou a presunção de intenção imigratória. Trabalho, residência e relações familiares aparecem entre os exemplos de vínculos que podem ser examinados, mas nenhum documento isolado garante aprovação.
O visto B também não autoriza emprego comum nos Estados Unidos. Usar a categoria para uma finalidade incompatível com turismo ou negócios temporários pode causar problemas no pedido e na entrada no país.
O que o brasileiro deve fazer antes de solicitar
A melhora do índice não muda a obrigação de apresentar informações verdadeiras e coerentes.
O formulário DS-160 deve refletir a situação real do candidato, incluindo histórico profissional, viagens anteriores, finalidade da visita e dados pessoais. Datas, renda ou atividades profissionais não devem ser alteradas para criar um perfil considerado mais favorável.
O solicitante também precisa conseguir explicar com clareza por que pretende viajar, quem pagará as despesas e por quanto tempo permanecerá nos Estados Unidos. Respostas decoradas, reservas falsas e documentos manipulados aumentam o risco do processo. Fraude ou declaração intencionalmente falsa pode produzir consequências migratórias mais graves que uma recusa comum.
Uma negativa pela seção 214(b) vale para aquela solicitação e não possui recurso administrativo. O candidato pode apresentar um novo pedido, pagar novamente a taxa consular e passar por outra avaliação. O Departamento de Estado recomenda a reaplicação quando houver informações adicionais relevantes ou mudanças substanciais nas circunstâncias do solicitante.
A redução para 14,87% mostra uma melhora estatística em comparação com 2024. Para quem está preparando o pedido, porém, o dado mais importante continua sendo individual: a consistência entre o formulário, a entrevista e a finalidade verdadeira da viagem.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Os percentuais foram consultados nos relatórios oficiais de 2025, 2024 e 2023 do Departamento de Estado dos Estados Unidos. A metodologia foi verificada na página oficial sobre o cálculo da taxa ajustada. Os critérios de recusa foram consultados na orientação sobre negações de visto. O levantamento original foi atribuído à Viaggi Vistos. Os dados centrais foram conferidos diretamente nos documentos do governo americano.
Transparência Editorial
Esta matéria corrigiu duas afirmações presentes no insumo inicial. O índice de 2025 não foi o menor desde 2019, pois 2021, 2022 e 2023 registraram percentuais inferiores. A série oficial consultada também não sustenta a afirmação de que a taxa brasileira superou 30% durante a pandemia. O texto não estabelece relação causal entre o resultado e políticas do governo Trump porque o relatório oficial não apresenta essa conclusão.