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Os Estados Unidos sustentam uma posição curiosa e preocupante: é um dos únicos países do mundo que não possui uma legislação federal específica para exigir a identificação do eleitor no momento da votação. Atualmente, as regras variam conforme o estado, criando uma colcha de retalhos jurídica onde, em muitos casos, o voto sem identificação é a norma.
O Cenário Atual: Onde a Vulnerabilidade Reside
Enquanto 35 estados exigem algum tipo de comprovante, existe um grupo de 15 jurisdições (inclusive Washington D.C.) que resiste ferozmente a qualquer exigência de identificação. Nestes locais, governados por democratas, o sistema apresenta brechas alarmantes:
- Califórnia: Chega ao extremo de proibir que o eleitor tente apresentar identificação.
- Minnesota: Permite que um eleitor "garanta" a identidade de até 8 conhecidos, autorizando o voto deles sem documentos.
- Métodos Suscetíveis: Envio indiscriminado de cédulas pelo correio, ausência de checagem de elegibilidade e a prática do ballot harvesting (coleta de cédulas).
Os 15 Estados Sem Exigência de Documentação:
California, Hawaii, Illinois, Maine, Maryland, Massachusetts, Minnesota, Nevada, New Jersey, New Mexico, New York, Pennsylvania, Vermont, Virginia e Washington DC.
O Fator Político e a Eleição de 2024
Não é mera coincidência que a candidata democrata, Kamala Harris, tenha vencido em todos os estados que não exigem documentação. Onde as leis são frouxas, o potencial de abuso aumenta drasticamente. O voto é um direito exclusivo de cidadãos americanos, mas a falta de rigor abre as portas para que imigrantes ilegais influenciem o destino da nação.
O Que é o SAVE Act?
Sob forte pressão do presidente Donald Trump, o Congresso discute o SAVE Act, uma legislação que estabelece dois pilares fundamentais para a democracia:
- Obrigatoriedade de identificação com foto para votar.
- Prova de cidadania americana para garantir o direito ao voto.
A lei já foi aprovada na Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado. Além dessas medidas, Trump defende o fim do envio indiscriminado de votos por correio, a revisão dos cadastros eleitorais e o uso prioritário de cédulas de papel.
A oposição democrata alega que exigir documentos seria uma prática racista. No entanto, o argumento é contraditório quando analisamos a vida cotidiana nos EUA. Exige-se identificação para:
- Embarcar em um avião;
- Comprar bebidas alcoólicas;
- Abrir uma conta bancária ou dirigir.
Por que o ato mais sagrado de uma democracia — o voto — deveria ter menos segurança do que a compra de uma cerveja?
Sem o SAVE Act, a integridade das eleições de novembro para deputados e senadores está em risco. Se não houver meios de evitar fraudes, o sistema continuará favorecendo quem tem a maior capacidade de manipular as regras frouxas. A aprovação desta lei não é uma questão partidária, mas uma questão de sobrevivência nacional.
Alexandre Rosa Carneiro nasceu em 1976 na cidade de Porto Alegre, Brasil. Graduado em Engenharia Mecânica e mestre em Economia, o autor atuou por duas décadas no mercado financeiro, período no qual residiu em diversos países, incluindo Estados Unidos, México, Brasil, Hong Kong e Reino Unido. Ao longo de sua trajetória, um de seus principais objetivos foi a conquista da independência financeira, meta alcançada aos 40 anos de idade por meio de práticas fundamentadas no bom senso. Atualmente vivendo em Orlando, Alexandre Rosa Carneiro optou por compartilhar sua experiência e os métodos utilizados, visando auxiliar outras pessoas a atingirem o mesmo propósito escrevendo o livro Bom Senso Financeiro e agora através dessa coluna no VouPraAerica.com.