Rota 66 faz 100 anos em 2026 e volta a atrair viajantes pelos EUA

Jacy Abreu3 de julho de 2026Viagem
Rota 66 faz 100 anos em 2026 e volta a atrair viajantes pelos EUA

Imagem: trekandshoot/iStock

A Route 66 completa 100 anos em 2026 e voltou ao centro dos roteiros de viagem nos Estados Unidos. A estrada histórica, criada em 1926, atravessa oito estados e virou símbolo das viagens de carro pelo interior americano.

O que você precisa saber

A Rota 66 não funciona mais como uma rodovia federal contínua. Parte do trajeto original foi substituída por interestaduais, e muitos trechos hoje aparecem como vias históricas, estradas locais e rotas cênicas. Para o viajante brasileiro, isso muda o planejamento: é preciso definir trechos, reservar tempo para paradas e conferir seguro do carro antes de sair.

A estrada ficou conhecida como “Mother Road”, ou estrada mãe, por causa de seu papel na ligação entre o Meio-Oeste e o Oeste americano. O traçado original saiu de Chicago, em Illinois, rumo à região de Los Angeles e Santa Monica, na Califórnia. Ao longo do caminho, passou por Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México e Arizona.

O National Park Service descreve a Route 66 como uma via ligada à transformação social dos Estados Unidos. Ela serviu ao crescimento do automóvel, ao deslocamento de famílias para o Oeste e à expansão de pequenos comércios de beira de estrada, como postos, motéis, lanchonetes e oficinas.

Por que 2026 virou ano de viagem pela Route 66?

A data marca o centenário da criação da estrada. A U.S. Highway 66 foi estabelecida em 11 de novembro de 1926, e comunidades ao longo do trajeto prepararam eventos, projetos de preservação e ações turísticas para 2026.

O interesse cresceu porque a Route 66 não é apenas uma estrada. Ela funciona como um museu a céu aberto da cultura americana do século 20. O roteiro reúne letreiros de neon, diners antigos, pontes históricas, motéis de beira de estrada, lojas familiares e cidades que perderam movimento depois da construção das grandes interestaduais.

Essa é a parte que mais atrai brasileiros que vivem nos EUA ou visitam o país com frequência. A viagem foge dos roteiros mais comuns, como Orlando, Miami, Nova York e Los Angeles. Mas ela também cobra mais preparo.

A estrada ainda existe?

Existe, mas não como muitos turistas imaginam.

A Route 66 foi removida do sistema federal de rodovias em 1985, depois de décadas de substituição por vias interestaduais mais rápidas. O National Park Service informa que o último trecho substituído ficava em Williams, no Arizona, em outubro de 1984, antes da desativação oficial no ano seguinte.

Na prática, o viajante não deve esperar uma única estrada contínua e simples de seguir. O roteiro atual combina trechos preservados, placas de Historic Route 66, vias municipais, estradas estaduais e partes próximas a interestaduais.

Isso afeta diretamente quem pretende fazer a viagem de carro alugado. O GPS nem sempre privilegia a rota histórica. Muitas vezes, ele manda o motorista para a estrada mais rápida. Para seguir a experiência original, é preciso usar mapas específicos da Route 66, consultar órgãos de turismo locais e planejar paradas antes de dirigir.

Quais trechos fazem mais sentido para brasileiros com poucos dias?

Poucos viajantes conseguem cruzar a rota inteira de uma vez. O trajeto histórico tem cerca de 2.400 milhas, ou quase 3.900 quilômetros, segundo referências do National Park Service e de órgãos ligados à preservação da estrada.

Para quem tem poucos dias, Illinois e Arizona são dois pontos fortes.

Illinois se apresenta como o início da Mother Road. A Illinois Route 66 Scenic Byway reúne paradas entre Chicago e a região da Chain of Rocks Bridge, com atrações, museus, restaurantes e trechos de estrada ligados à história da rota desde 1926.

O Arizona concentra alguns dos trechos mais conhecidos. O órgão oficial de turismo do estado destaca comunidades como Topock, Oatman, Kingman, Hackberry, Seligman, Williams, Flagstaff, Winslow e Holbrook dentro do corredor histórico da Route 66.

Para o viajante brasileiro, o Arizona costuma ser mais fácil de encaixar em uma viagem pelo Oeste americano. Dá para combinar Route 66 com Grand Canyon, Las Vegas, Flagstaff ou Sedona, dependendo do roteiro e do tempo disponível.

O que muda no bolso de quem quer fazer a viagem?

A Route 66 costuma parecer uma viagem simples porque a imagem clássica é a de estrada aberta, carro alugado e pequenas cidades. O custo real depende de quatro itens: aluguel do veículo, seguro, hospedagem e combustível.

O ponto mais importante é o seguro. Brasileiros que alugam carro nos EUA precisam entender o que está incluído no contrato, o que o cartão de crédito cobre e o que fica fora da proteção. Uma viagem por trechos de estrada, cidades pequenas e áreas de deserto aumenta o risco de imprevistos, como pneu danificado, guincho caro ou falta de assistência próxima.

Também é preciso considerar que motéis históricos e hospedagens temáticas podem ficar mais caros em 2026 por causa do centenário. Em cidades pequenas, a oferta de quartos é limitada. Quem deixar para reservar perto da data pode pagar mais ou precisar dormir longe do trecho planejado.

Outro custo invisível é o tempo. Viajar pela Route 66 não é o mesmo que usar uma interestadual para chegar rápido. O objetivo é parar, fotografar, entrar em lojas antigas, visitar museus e percorrer vias secundárias. Quem tenta fazer muitos estados em poucos dias transforma a experiência em deslocamento cansativo.

Quais cuidados de segurança entram no roteiro?

A viagem exige atenção especial em trechos desérticos do Arizona, Novo México, Texas e Califórnia. Calor, longas distâncias entre serviços, baixa disponibilidade de sinal em algumas áreas e estradas menos movimentadas devem entrar no planejamento.

Antes de sair, o motorista deve checar autonomia do carro, água, carregador, pneus e horário de funcionamento das paradas. Em cidades pequenas, lojas e restaurantes podem fechar cedo. Postos antigos preservados como atração turística nem sempre funcionam como posto de combustível.

O brasileiro também deve lembrar que leis de trânsito mudam de estado para estado. Regras sobre velocidade, uso de celular, cadeirinha infantil e seguro podem variar. Para famílias, esse detalhe importa. Uma road trip longa com crianças exige pausas, hospedagem segura e documentos de viagem organizados.

O que vale a pena ver no Arizona?

O trecho do Arizona reúne parte da imagem mais conhecida da Route 66. Hackberry aparece em roteiros turísticos por causa de sua loja histórica e do visual de estrada antiga. Seligman é ligada à preservação da rota e ao renascimento do turismo na região. Oatman ficou conhecida por sua atmosfera de antiga cidade de mineração e pelos burros que circulam pelas ruas.

Kingman também se vende como ponto de apoio para explorar a Historic Route 66. Para quem não quer cruzar o país inteiro, a cidade funciona como base para trechos menores no noroeste do Arizona.

A vantagem desse recorte é a flexibilidade. O viajante pode montar uma viagem de dois a quatro dias pelo Arizona, em vez de tentar cobrir os quase 4 mil quilômetros do roteiro histórico.

O que o brasileiro deve fazer antes de pegar a estrada

O primeiro passo é definir se a viagem será temática ou apenas um trecho dentro de outro roteiro. Quem sai de Chicago pode explorar Illinois e Missouri. Quem está no Oeste pode usar Arizona, Califórnia e Novo México. Quem tenta fazer tudo precisa reservar mais dias, dinheiro e paciência.

O segundo passo é revisar o contrato do carro alugado. Seguro contra colisão, assistência em estrada, cobertura para terceiros e regras de quilometragem precisam ser entendidos antes da retirada do veículo. Em caso de dúvida, vale pedir a explicação por escrito no balcão da locadora.

O terceiro passo é evitar depender apenas do GPS. A Route 66 histórica precisa de mapas, placas locais e pesquisa por trecho. O trajeto mais rápido raramente é o mais interessante.

Para brasileiros nos EUA, a Route 66 pode ser mais do que uma viagem bonita. Ela ajuda a entender como o país cresceu fora das grandes metrópoles, em pequenas cidades que ainda dependem de turismo, estrada e memória. Em 2026, o centenário deve aumentar a procura. Quem planejar com antecedência tem mais chance de pagar menos, dirigir com segurança e aproveitar a rota sem cair em uma viagem apressada.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

As informações históricas e de preservação foram verificadas no National Park Service, incluindo o resumo oficial sobre a Route 66 e o programa de preservação do corredor histórico. As informações sobre o centenário foram checadas em páginas da Route 66 Centennial Commission e de entidades estaduais ligadas à rota. As informações sobre trechos turísticos em Illinois e Arizona foram verificadas em páginas oficiais da Illinois Route 66 Scenic Byway, do Arizona Office of Tourism e de órgãos locais de turismo.

Transparência Editorial

Esta matéria foi produzida a partir de insumo enviado pelo usuário e reescrita integralmente com foco editorial próprio. O texto removeu afirmações opinativas sem fonte, evitou comparações turísticas não verificadas e priorizou informações úteis para brasileiros que moram ou viajam pelos Estados Unidos. A apuração foi feita em 28 de junho de 2026.

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