Quase metade dos adultos nos EUA depende dos pais para pagar despesas, diz estudo

Um estudo da Northwestern Mutual mostrou que 42% dos adultos nos Estados Unidos dependem financeiramente dos pais ou de gerações anteriores para pagar parte das despesas. A pesquisa foi divulgada em junho de 2026 e ouviu 4.375 adultos no país.
O que você precisa saber: o levantamento mostra que a independência financeira ficou mais difícil mesmo para quem nasceu nos EUA. Entre os millennials, 53% disseram depender financeiramente dos pais. Entre adultos da Geração X, que reúne pessoas nascidas entre 1965 e 1980, o índice chegou a 33%.
A pesquisa também apontou que um em cada cinco adultos acredita que nunca conseguirá alcançar independência financeira. A Northwestern Mutual define essa dependência como a necessidade de ajuda de gerações anteriores para manter partes do estilo de vida, como moradia, contas, educação, transporte ou despesas familiares.
O dado ajuda a explicar uma mudança no orçamento das famílias americanas. Sair da casa dos pais, alugar um imóvel e bancar todas as contas sozinho ficou mais difícil em um país onde moradia, alimentação, energia e transporte consomem fatias maiores da renda.
Em maio de 2026, o índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 0,5% no mês e 4,2% em 12 meses, segundo o Bureau of Labor Statistics. O índice de moradia, que inclui aluguel e custos ligados à habitação, avançou 0,3% em maio.
Para brasileiros que vivem ou querem viver nos EUA, o estudo tem uma leitura prática: a vida financeira americana não começa no salário bruto. Começa no que sobra depois do aluguel, do seguro do carro, do plano de saúde, da gasolina, do mercado e dos depósitos exigidos para morar.
Por que isso importa para brasileiros nos EUA?
A independência financeira nos EUA depende de fatores que muitos recém-chegados ainda estão construindo. O primeiro é renda estável. O segundo é histórico de crédito, conhecido como credit score, a pontuação usada por bancos, locadores e financeiras para medir risco. O terceiro é documentação financeira, como comprovantes de renda, declarações fiscais e extratos bancários.
Sem esse conjunto, o custo de entrada na vida adulta americana aumenta. Um locador pode exigir depósito maior. Uma financeira pode cobrar juros mais altos no carro. Um cartão de crédito pode vir com limite baixo. Em alguns casos, a pessoa precisa de um coassinante, chamado de cosigner, que assume responsabilidade caso o pagamento não seja feito.
Para quem chegou do Brasil há pouco tempo, morar com parentes ou dividir casa não deve ser tratado automaticamente como fracasso. Em muitos casos, é uma etapa de adaptação financeira. O problema começa quando a ajuda familiar vira a única forma de fechar as contas todos os meses.
O estudo da Northwestern Mutual mostra que essa pressão não atinge apenas jovens em início de carreira. A presença de 33% da Geração X entre os dependentes chama atenção porque esse grupo já está mais perto da aposentadoria do que da entrada no mercado de trabalho.
Aluguel é o maior peso no orçamento
A moradia segue como um dos principais obstáculos para quem tenta viver de forma independente nos EUA. O Joint Center for Housing Studies, de Harvard, informou que 22,6 milhões de lares locatários gastavam mais de 30% da renda com aluguel e contas de moradia em 2023. Isso representava metade dos locatários do país.
Esse dado conversa diretamente com a realidade de brasileiros em cidades com presença forte da comunidade, como Miami, Orlando, Boston, Newark, Framingham, Houston e região metropolitana de Nova York. Em mercados caros, o aluguel pode consumir uma parte grande da renda antes mesmo de o imigrante conseguir formar reserva.
A regra dos 30% ajuda a medir risco. Quando a moradia passa desse percentual da renda bruta, sobra menos espaço para seguro, transporte, alimentação, saúde, remessas ao Brasil e emergências. Para famílias com filhos, childcare e escola também entram na conta.
O brasileiro que planeja sair da casa de parentes precisa fazer essa conta antes de assinar contrato. O aluguel anunciado raramente representa o custo total. É preciso incluir depósito de segurança, primeiro mês, possível último mês, taxa de aplicação, mudança, móveis, internet, energia e seguro residencial.
O erro de comparar salário nos EUA com salário no Brasil
Um salário em dólar pode parecer alto quando convertido para reais. Essa comparação engana.
A conta correta é local. Quem ganha nos EUA paga aluguel, seguro, comida, transporte e saúde em dólar. Uma renda mensal que parece confortável no Brasil pode ficar apertada em uma cidade americana cara.
Também há diferença entre renda bruta e renda líquida. O trabalhador pode receber por hora, como W-2, que é o modelo com retenção de impostos pelo empregador, ou como 1099, usado para prestadores independentes. No 1099, a pessoa precisa separar dinheiro para impostos, porque não há a mesma retenção automática no pagamento.
Esse ponto muda o planejamento de quem busca independência. Sair de casa sem reserva e sem entender a própria renda líquida aumenta o risco de atrasar aluguel, usar cartão de crédito para despesas básicas e comprometer o credit score logo no início da vida financeira nos EUA.
O que fazer antes de assumir todas as contas sozinho
O primeiro passo é montar um orçamento com os custos reais da cidade onde a pessoa mora. O valor deve incluir aluguel, transporte, seguro do carro, mercado, celular, internet, saúde, remessas ao Brasil, dívidas e impostos.
O segundo é formar uma reserva de emergência. Para recém-chegados, o ideal editorial é tratar três meses de despesas básicas como piso de segurança, não como meta confortável. Quem tem filhos, renda instável ou trabalha como autônomo precisa de uma margem maior.
O terceiro é construir crédito com cuidado. Cartões garantidos, pagamento em dia e uso baixo do limite ajudam a criar histórico. Atrasos, dívidas rotativas e muitas aplicações de crédito em pouco tempo fazem o caminho oposto.
O quarto é evitar contratos longos sem estabilidade. Um aluguel de 12 meses, um financiamento de carro e um plano de saúde caro podem parecer administráveis no primeiro mês. O risco aparece quando há corte de horas, troca de emprego, emergência médica ou aumento de despesas familiares.
A pesquisa da Northwestern Mutual não diz que morar com os pais é o problema. O alerta é outro: a independência financeira exige mais planejamento em um país onde até adultos estabelecidos recorrem à família para sustentar parte da vida.
Para o brasileiro nos EUA, a lição é direta. Antes de buscar o primeiro apartamento, é preciso saber quanto custa permanecer nele.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
As informações centrais desta matéria foram verificadas no 2026 Planning & Progress Study da Northwestern Mutual, no comunicado e nos dados divulgados pela própria instituição. Os dados de inflação foram checados no Bureau of Labor Statistics, órgão oficial de estatísticas trabalhistas dos EUA. Os dados de moradia foram conferidos em publicação do Joint Center for Housing Studies, da Harvard University.
Transparência Editorial
Esta matéria foi produzida a partir de insumo jornalístico informado pelo usuário e reescrita integralmente com apuração própria, checagem em fontes rastreáveis e adaptação ao foco editorial do Vou pra América. A imagem de Donald Trump mencionada no insumo não foi usada como referência editorial porque não tem relação direta com o estudo financeiro. O conteúdo segue a orientação do portal de explicar como uma notícia afeta bolso, moradia e vida prática do brasileiro nos EUA.