
A Polícia Federal prendeu na quinta-feira, 7 de maio de 2026, em Goiânia, Maria Helena de Sousa Netto Costa, apontada como suspeita de chefiar um dos grupos investigados por promover migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. Segundo a PF, cinco grupos suspeitos movimentaram R$ 240 milhões entre 2018 e 2023.
A investigação citada na cobertura aponta que, para entrar ilegalmente nos EUA, cada brasileiro pagava, em média, US$ 20 mil. A polícia mencionou 477 pessoas enviadas ao território americano no período e afirmou que o número pode ser maior.
A defesa de Maria Helena disse, em nota, que considerou a prisão desnecessária e que aguardava acesso ao processo para fazer análise técnica do caso. A PF também informou que o governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e a esposa não são investigados.
Na Flórida, o golpe não vende travessia. Vende “regularização”.
Em Orange County, na Flórida, autoridades disseram ter desarticulado uma suposta “agência completa” de imigração que prometia ajudar clientes sem status legal a obter regularização, mas que, segundo o xerife John Mina, funcionava como um esquema de fraude e extorsão.
A cobertura local informou que quatro pessoas foram presas e que a investigação apontou arrecadação superior a US$ 20 milhões. A reportagem também registrou que as autoridades descreveram a maioria das vítimas como brasileiras.
Os dois casos são diferentes no método e no tipo de crime. Um explora a rota clandestina e o risco da travessia. O outro explora a promessa de “papel” e a aparência de legalidade. Mas ambos dependem do mesmo terreno fértil: gente que não tem informação suficiente para identificar o que é caminho legal e o que é promessa impossível.
O motor que alimenta essas quadrilhas é a desinformação
Esse tipo de esquema cresce quando a imigração legal vira um tabu, um segredo ou um assunto tratado só por boatos. Se a pessoa acredita que “não existe imigração legal”, ou que “o único jeito é casar”, ela fica mais vulnerável a duas ofertas falsas: a do atalho clandestino e a da consultoria que promete resultado garantido.
A promessa costuma ser simples porque o público está vulnerável. Quem chega com urgência para trabalhar, medo de deportação ou pressão financeira tende a aceitar uma solução que não exige entendimento. É exatamente por isso que a desinformação não é um detalhe. Ela é a matéria-prima do golpe.
Imigração legal existe e não se resume a casamento
Os Estados Unidos têm caminhos legais distintos, com critérios e consequências diferentes. Parte passa por família, parte por trabalho, parte por estudo e outras bases previstas em lei. Casamento pode ser fundamento em situações específicas, mas não é automático e não existe “garantia” legítima de aprovação.
O USCIS mantém alertas oficiais sobre fraudes, reforça que ninguém pode prometer benefício certo e orienta o público a buscar ajuda com provedores autorizados. Quando alguém vende “resultado”, a pessoa não está descrevendo lei. Está vendendo marketing.
Como separar ajuda legítima de promessa vazia
A checagem mais objetiva começa por uma pergunta: quem está te representando tem autorização para isso? O USCIS orienta que serviços legais em imigração sejam prestados por advogado licenciado ou por representante credenciado ligado a organização reconhecida, e oferece páginas próprias para orientar o público a encontrar ajuda legítima.
Transparência também faz parte do filtro. Em um processo sério, o cliente recebe contrato por escrito, recibo, cópia do que será enviado e explicação clara da base legal. Quando a pessoa não consegue ver o que foi protocolado em seu nome, ou escuta frases como “deixa comigo que eu resolvo”, o risco aumenta.
O que fazer se você suspeita que já foi vítima
O passo mais importante é recuperar controle do próprio caso. Guardar comprovantes, mensagens, contratos e números de recibo, e buscar revisão com representação autorizada antes que o problema vire uma marca permanente no histórico migratório. O USCIS também mantém canais e orientações para evitar e reportar golpes.
No fim, os dois episódios deixam um recado prático para a comunidade: o golpe não começa no aeroporto nem no formulário. Ele começa na falta de informação sobre como a imigração legal realmente funciona e sobre quem pode, de fato, orientar um processo dentro das regras.
Reportagem sobre a prisão e os dados citados pela PF (Metrópoles) Cobertura do caso Legacy Imigra e coletiva do xerife (ClickOrlando) Resumo do caso e prisões em Orange County (Spectrum News) Orientação oficial do USCIS sobre golpes (Avoid Scams) . Orientação oficial do USCIS para encontrar serviços legais (Find Legal Services) .
Apuração concluída em 8 de maio de 2026, com base em reportagens e páginas oficiais listadas em “Fontes e créditos”. O portal não teve acesso aos autos dos processos. As pessoas citadas são investigadas ou acusadas, e não condenadas, até a data desta publicação.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.