Nova York vence ranking das melhores cidades dos EUA pelo 10º ano seguido

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Nova York foi eleita a melhor cidade dos Estados Unidos em 2026 pela Resonance Consultancy. O ranking avaliou 393 áreas metropolitanas e colocou Los Angeles e Chicago na segunda e terceira posições.
A edição de 2026 do America’s Best Cities foi divulgada em 17 de junho. Segundo a Resonance, esta é a décima edição do levantamento e a primeira a analisar todas as 393 áreas metropolitanas dos EUA, ampliando o alcance de anos anteriores, quando o estudo se concentrava em regiões maiores.
O ranking usa o Place Power Score, metodologia própria da consultoria, com três pilares: qualidade de vida, atratividade e prosperidade. A primeira categoria considera fatores como transporte público, caminhabilidade, parques, clima, risco climático, qualidade do ar e saúde. A segunda olha restaurantes, museus, vida noturna, redes sociais, atrações familiares e buscas online. A terceira mede força econômica, participação na força de trabalho, escolaridade, aeroportos, infraestrutura para convenções e presença de grandes empresas.
A Resonance também incluiu dados estatísticos, informações geradas por usuários e uma pesquisa da Ipsos com mais de 2 mil domicílios nos Estados Unidos. Isso significa que a lista mistura desempenho real das cidades com percepção pública sobre onde morar, visitar, trabalhar e investir.
Para brasileiros nos Estados Unidos, o ranking não deve ser lido como uma ordem automática de mudança. A melhor cidade no estudo pode não ser a melhor para uma família recém-chegada, um estudante, um profissional de tecnologia, um trabalhador de serviços, um empreendedor ou alguém que ainda depende de carro, crédito inicial e aluguel acessível.
A leitura prática está em outro ponto: entender o que cada cidade oferece e quanto custa entrar nesse mercado.
Por que Nova York ficou em primeiro lugar
Nova York liderou o ranking geral pelo décimo ano seguido e ficou em primeiro lugar nos três pilares principais: qualidade de vida, atratividade e prosperidade. A área metropolitana tem cerca de 19,94 milhões de habitantes, segundo o relatório, e aparece no topo em transporte público e museus.
A cidade segue sendo a capital americana da densidade urbana. Para quem chega do Brasil, isso pesa a favor em um ponto decisivo: é possível viver sem carro em muitos bairros, algo raro nos Estados Unidos. O transporte público, a oferta de empregos, a rede de serviços e a presença de comunidades internacionais tornam Nova York uma porta de entrada importante.
O custo, porém, é o filtro. A Resonance cita aluguel mediano de US$ 4.600 em Manhattan em outubro de 2025, com média de US$ 5.651. O relatório também destaca a conversão de prédios comerciais em residenciais, como o projeto de 25 Water Street, com 1.320 apartamentos, e a adaptação de 5 Times Square para até 1.250 moradias.
Para brasileiros, isso significa que Nova York oferece oportunidade, mas exige renda estável, planejamento de moradia e cálculo realista do custo mensal. A cidade pode funcionar melhor para quem tem emprego confirmado, trabalha em setores com salários altos ou precisa de transporte público amplo.
Los Angeles combina eventos globais, turismo e economia criativa
Los Angeles ficou em segundo lugar no ranking de 2026. A cidade aparece em primeiro lugar em posts no Instagram, em segundo em atrações e monumentos, e manteve destaque nos pilares de atratividade e prosperidade. A região metropolitana tem cerca de 12,92 milhões de habitantes.
A cidade entra em um ciclo de visibilidade internacional. A região recebeu jogos da Copa do Mundo de 2026, terá o Super Bowl em 2027 e sediará os Jogos Olímpicos de 2028. A Resonance também cita investimentos em aeroportos, convenções, hotelaria e transporte, incluindo a expansão do Los Angeles Convention Center e obras ligadas ao LAX.
Para brasileiros, Los Angeles tem força em turismo, audiovisual, restaurantes, hotelaria, tecnologia criativa, saúde, logística e serviços. A cidade também atrai profissionais que dependem de networking, imagem, entretenimento e economia digital.
O alerta é a geografia. Los Angeles é grande, espalhada e ainda muito dependente de carro, apesar dos avanços no transporte. Antes de escolher bairro, o brasileiro precisa olhar distância até o trabalho, custo do seguro do carro, estacionamento, trânsito e aluguel. Um endereço barato pode sair caro se exigir deslocamento longo todos os dias.
Chicago aparece como alternativa urbana com custo menor que as costas
Chicago ficou em terceiro lugar. A cidade aparece em terceiro em qualidade de vida e prosperidade, além de ocupar posição de destaque em aeroportos, teatros e concertos. O Aeroporto O’Hare registrou 857.392 operações em 2025, o maior volume entre aeroportos dos EUA, segundo o relatório.
A cidade também se beneficia da força de convenções, comércio, logística, educação, finanças e turismo. A Resonance destaca o McCormick Place, apresentado como o maior centro de convenções da América do Norte, com mais de 2,6 milhões de pés quadrados de área de exposição.
Para brasileiros, Chicago pode ser uma alternativa a Nova York e Los Angeles por combinar cidade grande, transporte público, vida cultural e custo imobiliário menor. A Resonance cita preço mediano de casa de US$ 345 mil em janeiro de 2026 e aluguel mediano pouco acima de US$ 2 mil, de acordo com Zillow.
O ponto de adaptação é o inverno. Quem sai de regiões quentes do Brasil precisa calcular roupas, aquecimento, transporte em neve e impacto do clima na rotina. Para famílias, a cidade pode ser atraente, mas a escolha do bairro muda completamente a experiência de escola, segurança, commute e custo.
Miami segue forte para brasileiros, mas ficou mais cara
Miami ficou em quarto lugar e aparece em terceiro no índice de qualidade de vida da Resonance. A cidade também se destaca em parques, restaurantes, teatros, concertos e redes sociais. A região metropolitana tem cerca de 6,45 milhões de habitantes.
A cidade tem um dado central para imigrantes: o condado de Miami-Dade é 54,5% composto por pessoas nascidas fora dos Estados Unidos, segundo o relatório. Esse perfil facilita adaptação linguística, serviços em espanhol e português, negócios internacionais e redes comunitárias.
Para brasileiros, Miami continua sendo uma das portas de entrada mais familiares dos EUA. Há mercado em real estate, turismo, restaurantes, beleza, serviços, comércio, logística, eventos e negócios ligados à América Latina.
A familiaridade não elimina o custo. A Resonance afirma que o valor mediano de imóveis ocupados por proprietários no condado se aproxima de meio milhão de dólares. A cidade também enfrenta pressão de aluguel, trânsito, seguro residencial e risco climático.
A decisão de morar em Miami precisa separar visita de vida real. A cidade pode ser excelente para quem tem rede, renda e plano profissional. Para quem chega sem crédito, sem reserva e sem emprego definido, o custo inicial pode ser alto.
San Francisco volta ao top 5 puxada por tecnologia, IA e transporte
San Francisco ficou em quinto lugar. A cidade lidera em caminhabilidade e aparece em segundo lugar em transporte público. A área metropolitana tem cerca de 4,64 milhões de habitantes.
O relatório destaca a recuperação do centro, com 49 prédios comerciais identificados como candidatos à conversão residencial, com capacidade para até 4.400 moradias. Também cita o plano de zoneamento da prefeitura, em vigor desde 12 de janeiro de 2026, com espaço para 36 mil moradias adicionais até 2031.
A economia local segue concentrada em tecnologia. A Resonance informa que startups da Bay Area levantaram US$ 90 bilhões em venture capital em 2024, cerca de 57% de todo o investimento de risco dos EUA. A demanda por escritórios de empresas de IA em San Francisco chegou a 2,4 milhões de pés quadrados em 2025, acima dos 280 mil pés quadrados de 2021.
Para brasileiros de tecnologia, pesquisa, produto, design, dados, IA e startups, San Francisco segue como um dos mercados mais relevantes do país. O problema é o custo de entrada. Aluguel, impostos, alimentação, transporte e serviços podem consumir rapidamente um salário que pareceria alto em outras regiões.
Seattle combina tecnologia, natureza e infraestrutura em expansão
Seattle ficou em sexto lugar. A cidade aparece em quinto em produção econômica e em sexto em natureza e parques. A área metropolitana tem cerca de 4,14 milhões de habitantes.
A Resonance destaca a reconstrução da orla, a abertura do Waterfront Park em setembro de 2025 e a conexão entre Pike Place Market e Elliott Bay. O relatório também aponta a força de Amazon, Microsoft, computação em nuvem, biotecnologia e IA na economia regional.
Para brasileiros, Seattle é uma cidade forte para tecnologia, logística, saúde, educação e comércio internacional. Também pode atrair famílias que buscam natureza, parques e uma rotina menos ligada a turismo de massa.
O desafio está no custo de vida e no clima. A cidade tem aluguel elevado, mercado competitivo e muitos meses de chuva. Quem depende de comunidade brasileira ampla ou de adaptação cultural mais latina pode sentir mais diferença do que sentiria em Miami, Orlando, Houston ou Dallas.
Las Vegas não é só turismo, mas turismo ainda manda
Las Vegas ficou em sétimo lugar. A cidade aparece em segundo em centro de convenções e em terceiro em check-ins no Facebook. A região metropolitana tem cerca de 2,39 milhões de habitantes.
O relatório informa que Las Vegas recebeu quase 38,5 milhões de visitantes em 2025, manteve cerca de 6 milhões de participantes em convenções e registrou ocupação anual acima de 80%. A tarifa média diária ficou em torno de US$ 184.
Para brasileiros, Las Vegas pode oferecer oportunidades em hotelaria, eventos, restaurantes, construção, entretenimento, transporte, limpeza, manutenção e serviços. A cidade funciona como uma economia de volume, com grande demanda por mão de obra ligada à experiência do visitante.
Mas Las Vegas deixou de ser sinônimo de moradia barata. A Resonance cita valor mediano de casa perto de US$ 457 mil e aluguel mediano próximo de US$ 1.500. O relatório também informa desemprego de 5,2% no fim de 2025 e cerca de 1,16 milhão de empregos não agrícolas.
A cidade pode fazer sentido para quem trabalha em serviços e eventos. Para famílias, é preciso olhar escola, calor extremo, distância do trabalho e dependência de carro.
Dallas sobe com aeroportos, empresas e mercado corporativo
Dallas ficou em oitavo lugar e aparece em quarto em prosperidade, quarto em aeroportos e sexto em grandes empresas. A região metropolitana tem cerca de 8,34 milhões de habitantes.
O Aeroporto DFW recebeu 87,8 milhões de passageiros em 2024 e foi citado como o terceiro mais movimentado do mundo. A Resonance também destaca investimentos bilionários nos terminais C e F, novas rotas internacionais e a força corporativa da região.
A cidade ganhou peso no setor financeiro. O relatório cita uma nova sede regional da Nasdaq, o avanço da NYSE Texas e a Texas Stock Exchange, com lançamento previsto para 2026 após levantar mais de US$ 250 milhões e obter aprovação da SEC como bolsa nacional.
Para brasileiros, Dallas é uma cidade importante para emprego corporativo, tecnologia, logística, aviação, construção, finanças e serviços. Também costuma atrair famílias que buscam casas maiores e uma vida mais suburbana do que a oferecida por Nova York ou San Francisco.
O custo ainda é menor que em mercados costeiros, mas já exige cálculo. A Resonance cita renda mediana domiciliar de US$ 70.518 entre 2020 e 2024, aluguel bruto mediano de US$ 1.472 e valor mediano de imóvel ocupado pelo proprietário de US$ 320.700.
Houston combina energia, saúde, restaurantes e moradia mais acessível
Houston ficou em nono lugar. A cidade aparece em terceiro em grandes empresas e em terceiro em restaurantes. A região metropolitana tem cerca de 7,79 milhões de habitantes.
A economia local segue apoiada por energia, porto, saúde, engenharia, restaurantes, varejo e grandes empresas. A Resonance cita o Port Houston com recorde de 4.139.991 TEUs em 2024 e o hub de hidrogênio HyVelocity, apoiado por até US$ 1,2 bilhão em recursos federais.
Houston também cresceu em população. A região adicionou 198.171 moradores entre julho de 2023 e julho de 2024. O relatório cita valor mediano de casa de US$ 277.800 e aluguel mediano de US$ 1.361 no período de 2020 a 2024, números abaixo de várias cidades do top 10.
Para brasileiros, Houston pode ser uma das opções mais práticas do ranking. Há mercado em saúde, construção, restaurantes, energia, logística, comércio e serviços. O custo de moradia ajuda, mas a cidade exige carro, planejamento contra enchentes em algumas áreas e atenção ao calor.
Boston fecha o top 10 com educação, saúde e inovação
Boston ficou em décimo lugar. A cidade aparece em segundo em inovação e em terceiro em caminhabilidade. A região metropolitana tem cerca de 5,02 milhões de habitantes.
O relatório destaca a força universitária da região, impulsionada por Harvard e MIT, e informa que Boston foi a terceira área metropolitana dos EUA em valor de acordos de venture capital em 2024, com US$ 14,95 bilhões. A cidade também tem força em saúde, biotecnologia e pesquisa.
Para brasileiros, Boston é uma cidade relevante para estudantes, pesquisadores, profissionais de saúde, tecnologia, biotecnologia e famílias que priorizam educação. A caminhabilidade e o transporte público ajudam quem não quer depender totalmente de carro.
O custo de moradia é o obstáculo. A Resonance cita um programa municipal de conversão de escritórios em residências, com abatimento fiscal de 75% por 29 anos e 22 propostas para transformar 1,2 milhão de pés quadrados em 1.517 moradias.
A cidade pode ser excelente para quem entra por universidade, pesquisa, hospital, empresa de tecnologia ou carreira altamente qualificada. Para quem chega em busca de trabalho inicial, o inverno, o aluguel e a competição profissional podem pesar.
Como o brasileiro deve usar esse ranking
O ranking mostra quais cidades têm força econômica, infraestrutura, reputação e qualidade urbana. Ele não mostra, sozinho, qual cidade cabe no orçamento de cada família.
Para decidir onde morar, o brasileiro deve cruzar a lista com quatro perguntas práticas. A primeira é quanto sobra depois do aluguel, seguro, transporte, alimentação e impostos. A segunda é se há emprego real no setor em que a pessoa atua. A terceira é se a cidade permite viver sem carro ou exige compra, seguro e manutenção desde o primeiro mês. A quarta é se há rede de apoio, escola, serviços em português ou espanhol e adaptação cultural possível.
Nova York, Los Angeles, San Francisco e Boston oferecem mercados fortes, mas cobram caro. Miami facilita adaptação e negócios latinos, mas também ficou mais cara. Chicago pode equilibrar cidade grande e custo menor, com clima difícil. Seattle favorece tecnologia e natureza, mas exige adaptação ao clima e ao custo. Las Vegas depende muito de turismo e eventos. Dallas e Houston aparecem como opções fortes para quem busca emprego, espaço, empresas e moradia relativamente mais acessível.
A melhor cidade do ranking não é necessariamente a melhor cidade para começar do zero. Para o brasileiro nos EUA, a melhor escolha é aquela em que renda, visto, moradia, escola, transporte e rede de apoio fecham a conta.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Esta matéria foi produzida com base no relatório America’s Best Cities 2026, da Resonance Consultancy, publicado na plataforma World’s Best Cities, e no comunicado oficial divulgado pela Resonance em 17 de junho de 2026. Também foram usados dados e descrições do próprio relatório sobre população metropolitana, posições por categoria, aeroportos, moradia, investimento, turismo, transporte e economia das dez cidades citadas.
Transparência Editorial
O ranking da Resonance é uma classificação privada, produzida por uma consultoria especializada em cidades, turismo, desenvolvimento econômico e posicionamento de destinos. A lista combina dados estatísticos, sinais digitais, percepção pública e pesquisa com domicílios nos Estados Unidos. Por isso, esta matéria não trata o ranking como recomendação individual de mudança. A análise editorial acrescenta o ângulo do brasileiro nos EUA, com foco em custo de vida, emprego, moradia, transporte e adaptação. Os dados têm validade editorial em junho de 2026.