Nova York alerta para golpes de imigração após relatos de falsos agentes e cobranças por mensagem

O Departamento de Estado de Nova York alertou imigrantes contra golpes praticados por falsos agentes, consultores e supostos representantes legais. O comunicado foi divulgado em 15 de junho e mira pessoas que têm processos migratórios em andamento nos Estados Unidos.
O alerta foi emitido pela Division of Consumer Protection e pelo Office for New Americans. Segundo o órgão, golpistas exploram a dificuldade de entender o sistema de imigração americano para obter dinheiro e informações pessoais, especialmente de pessoas com pouco domínio do inglês.
O governo estadual não divulgou número de vítimas no comunicado. Por isso, não é correto afirmar que houve aumento estatístico confirmado apenas com base no alerta de Nova York. O que está confirmado é a orientação oficial: imigrantes devem redobrar o cuidado com contatos recebidos por telefone, redes sociais, mensagens de texto e aplicativos.
O ponto mais importante para brasileiros é que agências oficiais não resolvem processo migratório por WhatsApp, não cobram taxas por gift card, criptomoeda, Zelle ou transferência para pessoa física, e não ameaçam deportação imediata por telefone. Quando alguém usa medo e urgência para exigir pagamento, o sinal de fraude é claro.
O que o alerta de Nova York diz
O comunicado cita golpes cometidos por pessoas que se passam por agentes de imigração. A confusão acontece porque o sistema americano envolve diferentes órgãos, como ICE, CBP, USCIS e EOIR, cada um com função própria. Essa complexidade facilita abordagens falsas contra quem já está inseguro com visto, asilo, green card ou audiência na corte.
O USCIS decide pedidos de benefícios migratórios, como green card, autorização de trabalho e naturalização. O EOIR, ligado ao Departamento de Justiça, administra cortes de imigração. ICE e CBP atuam na fiscalização migratória e de fronteira. Um golpista pode misturar nomes dessas agências para parecer oficial.
O alerta de Nova York também reforça um cuidado básico: o imigrante deve buscar informação em fontes verificadas e denunciar atividade suspeita. A New Americans Hotline atende pelo número 1-800-566-7636 e pode orientar moradores de Nova York sobre fraude e serviços de apoio.
Para brasileiros fora de Nova York, a regra prática é a mesma. Antes de pagar, enviar documento ou assinar qualquer formulário, a pessoa deve confirmar se está falando com advogado licenciado nos EUA ou representante credenciado pelo Departamento de Justiça.
Casos e alertas no primeiro semestre de 2026
Em 8 de janeiro, um homem de Houston foi condenado a 60 meses de prisão por um esquema que prometia status legal em menos de um ano. Segundo o Departamento de Justiça, Jesus Carlos Silva roubou mais de US$ 1,45 milhão de mais de 100 pessoas no Texas, Illinois, Louisiana e Flórida.
Em 23 de janeiro, Fatima DeMaria, da Pensilvânia, foi acusada de fraude de asilo, fraude postal e evasão fiscal. A acusação afirma que ela se apresentava como advogada de imigração, mas não era licenciada nem credenciada pelo EOIR para representar clientes em processos migratórios.
Em 23 de fevereiro, quatro réus no estado de Washington foram acusados em uma denúncia federal de 51 acusações envolvendo vistos H-2A. Segundo o Departamento de Justiça, o grupo teria obtido vistos temporários de trabalho agrícola de forma fraudulenta e transportado mais de 500 trabalhadores estrangeiros pela fronteira do México para os EUA.
Em 3 de junho, o USCIS publicou alerta sobre ligações falsas de pessoas se passando pela agência. O aviso diz que a agência recebeu relatos de chamadas fraudulentas feitas por impostores que afirmavam representar o USCIS.
Em 15 de junho, Nova York publicou o alerta que motivou esta matéria. O Estado citou falsos agentes, golpes por canais digitais e promessas fraudulentas de ajuda migratória contra recém-chegados e pessoas com processos em andamento.
Em 29 de junho, a Associated Press publicou investigação sobre acusações contra a advogada Alexandra Lozano, do estado de Washington. Processos e uma investigação disciplinar afirmam que clientes teriam sido colocados em pedidos humanitários com relatos falsos de abuso ou tráfico sem saber; Lozano nega irregularidades.
Esses registros não formam uma única investigação nacional. Eles mostram, porém, um padrão de risco no primeiro semestre: falsos agentes, falsos advogados, promessa de legalização rápida, uso de medo de deportação, cobrança alta e documentos preparados sem transparência.
Como o golpe chega ao imigrante
A fraude costuma começar com uma mensagem simples. O criminoso diz que há um problema no processo, que falta uma taxa, que a audiência mudou ou que existe risco de prisão se a pessoa não responder na hora.
O contato pode vir em português, espanhol ou inglês. Essa é uma das razões pelas quais brasileiros devem ter cuidado redobrado em grupos de WhatsApp, páginas de Facebook, anúncios patrocinados e perfis que prometem work permit, asilo, green card ou cidadania com “aprovação garantida”.
A Federal Trade Commission afirma que golpistas se aproveitam da confusão causada pelo processo migratório. A FTC também alerta que, nos Estados Unidos, apenas advogado de imigração licenciado ou representante autorizado pelo Departamento de Justiça pode dar orientação jurídica migratória. Notário, contador ou consultor não tem automaticamente essa autorização.
Essa diferença é decisiva para brasileiros. No Brasil, cartório e reconhecimento de firma fazem parte da vida burocrática. Nos EUA, “notary public” não significa advogado. Um notary pode reconhecer assinatura, mas não pode montar estratégia de visto, preencher tese de asilo como consultoria jurídica ou prometer resultado.
O que fazer antes de pagar ou enviar documentos
A primeira medida é parar a conversa. Não envie foto de passaporte, número de Alien Registration Number, Social Security, ITIN, endereço, dados bancários ou cópia de processo por mensagem recebida sem confirmação.
Depois, confirme o canal. Entre diretamente no site oficial do USCIS, do EOIR ou da agência citada. Não clique no link enviado pelo suposto agente. Digite o endereço oficial no navegador ou acesse a conta online que você já usa.
Também verifique a credencial de quem oferece ajuda. Advogado deve estar licenciado em uma ordem estadual de advocacia. Representante não advogado precisa estar credenciado pelo Department of Justice. Se a pessoa evita informar nome completo, número de licença, escritório, contrato escrito e recibo, o risco é alto.
Nunca assine formulário em branco. Nunca aceite que alguém invente fatos para “fortalecer” um pedido. Informação falsa em formulário migratório pode fechar portas, causar negativa, abrir processo de remoção e criar problema em pedidos futuros.
Para quem já pagou ou enviou documentos, o próximo passo é reunir provas. Guarde prints, recibos, nomes, números de telefone, e-mails, anúncios e contratos. Em seguida, procure advogado licenciado ou organização reconhecida antes de tentar corrigir o processo sozinho.
Por que isso importa para brasileiros nos EUA
O golpe não termina no dinheiro perdido. Em imigração, uma petição mal feita ou falsa pode seguir no sistema por anos. O prejuízo pode aparecer só na entrevista do green card, na renovação de autorização de trabalho, na naturalização ou em uma audiência na corte.
Para brasileiros que ainda estão regularizando status, o risco é maior. O medo de perder prazo, ser deportado ou ficar sem autorização de trabalho cria o ambiente ideal para fraudadores. Eles vendem urgência e cobram silêncio.
A regra mais segura é desconfiar de três promessas: aprovação garantida, solução rápida para qualquer caso e pagamento fora de canal oficial. Processo migratório sério tem contrato, recibo, cópia dos documentos enviados e explicação clara do que está sendo pedido ao governo.
Quem precisa de ajuda deve buscar organizações reconhecidas, advogados licenciados e fontes oficiais. Em Nova York, a New Americans Hotline atende pelo 1-800-566-7636. Em outros estados, o USCIS e a FTC mantêm canais de denúncia e orientação sobre golpes migratórios.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Departamento de Estado de Nova York, comunicado de 15 de junho de 2026 sobre golpes de imigração. USCIS, alerta de 3 de junho de 2026 sobre ligações falsas. Departamento de Justiça dos EUA, comunicados de janeiro e fevereiro de 2026 sobre esquemas de fraude migratória. Federal Trade Commission, guia de prevenção contra golpes de imigração. Associated Press e Times Union, reportagens sobre fraudes contra imigrantes e escassez de serviços jurídicos acessíveis.
Transparência Editorial
Esta matéria foi produzida a partir de comunicado oficial do Departamento de Estado de Nova York, documentos públicos do governo federal americano e reportagens jornalísticas verificáveis. O texto não afirma número de vítimas em Nova York porque o comunicado estadual não divulgou esse dado. Casos criminais citados como acusações devem ser lidos como alegações até decisão final da Justiça. A apuração foi feita em 1º de julho de 2026.