
Howard Schultz, ex-CEO da Starbucks, comprou uma cobertura de US$ 44 milhões em Surfside e transferiu sua residência para o sul da Flórida. A informação foi publicada em março por veículos americanos. Além da mudança pessoal, ele levou para Miami o family office da família, responsável por gerir seus investimentos.
O caso não é isolado. Nos últimos meses, nomes como Mark Zuckerberg e Larry Page também foram associados a aquisições milionárias na região de Miami. Em Indian Creek Island, área conhecida pela segurança reforçada e moradores bilionários, uma propriedade ligada a Zuckerberg teria alcançado cerca de US$ 170 milhões.
Relatórios citados pelo Wall Street Journal e repercutidos por veículos como a Forbes Brasil indicam que Larry Page também participou de negociações imobiliárias de alto valor na região, com cifras que passam dos US$ 170 milhões, dependendo da composição dos imóveis.
Por que milionários estão escolhendo a Flórida
A principal razão é direta. A Flórida não cobra imposto estadual sobre renda. Estados como Califórnia e Nova York mantêm alíquotas altas e discutem novas formas de taxação para grandes fortunas.
O tema voltou ao centro do debate em Washington nas últimas semanas, com propostas de taxação sobre rendimentos superiores a US$ 1 milhão por ano. Ao mesmo tempo, na Califórnia, avança a discussão sobre o chamado “Billionaire Tax Act”, previsto para chegar ao eleitorado até 2026.
Para quem tem mobilidade geográfica e negócios descentralizados, a escolha do endereço fiscal passou a fazer diferença real no patrimônio.
O impacto no custo de vida em Miami
O efeito aparece rápido para quem já vive na cidade. Mais dinheiro disputando os mesmos imóveis eleva preços e reduz margem de negociação.
Em fevereiro de 2026, o preço mediano de venda de imóveis em Miami ficou em cerca de US$ 724 mil, segundo a Redfin. No condado de Miami-Dade, o valor médio foi menor, em torno de US$ 557 mil, o que mostra diferenças relevantes entre bairros.
No aluguel, os números seguem altos. Dados da Zillow indicam média de US$ 2.964 por mês em Miami no mesmo período, acima da média nacional.
Para brasileiros, isso se traduz em três situações comuns: contratos mais caros na renovação, exigências maiores de comprovação de renda e menor poder de negociação, principalmente nas áreas mais valorizadas.
Mais dinheiro também cria novas oportunidades
A chegada de grandes fortunas não afeta só o custo de vida. Ela também movimenta setores inteiros.
Family offices trazem junto uma rede de serviços. Advogados, gestores financeiros, contadores, corretores e empresas de suporte passam a operar na região. O mercado de wealth management já mostra expansão no sul da Flórida, com aquisições e abertura de novas operações.
Em março de 2026, a Barron’s noticiou a entrada de uma gestora no mercado local por meio da compra de uma empresa sediada em Plantation, na região metropolitana.
Esse movimento eleva salários em áreas específicas, mas também encarece serviços no dia a dia.
O que muda na prática
Quem aluga precisa se antecipar. Ter documentação organizada faz diferença em um mercado competitivo. Comprovação de renda, histórico de pagamentos e referências ajudam a garantir melhores condições.
Olhar além das regiões mais disputadas também pode reduzir custos. Os dados mostram que o comportamento do mercado varia bastante entre bairros e cidades do condado.
Para quem pretende comprar, o cenário exige atenção. Apesar da valorização em algumas áreas, há imóveis com maior tempo de venda, o que abre espaço para negociação.
Já quem pensa em mudar o domicílio fiscal dentro dos Estados Unidos precisa ir além do endereço no papel. Estados com alta tributação costumam contestar mudanças sem comprovação real. Presença física, documentação consistente e coerência nos registros são fatores analisados. E aqueles que buscam moradia, financiamento ou regularização de documentos no sul da Flórida devem priorizar profissionais locais com histórico verificável.
Redfin Zillow Wall Street Journal Forbes Brasil Barron’s
Todos os dados numéricos foram mantidos conforme publicados pelas fontes citadas. Valores de transações imobiliárias envolvendo bilionários variam conforme a estrutura das negociações e foram apresentados com base em reportagens verificáveis. Não há uso de fontes anônimas ou dados estimados sem referência.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.