Massachusetts precisa de 60 mil imigrantes por ano para manter força de trabalho, diz estudo

Massachusetts precisará receber pelo menos 60 mil novos imigrantes por ano até 2030 para evitar a redução de sua população em idade ativa, segundo relatório divulgado pelo Boston Indicators e pelo MassINC Policy Center.
O estudo, publicado em junho de 2026, afirma que a queda na imigração ameaça a força de trabalho do estado e pode atingir setores que dependem de trabalhadores estrangeiros, como saúde, ensino superior, pesquisa e construção.
A conta feita pelos pesquisadores é direta. Massachusetts precisa de pelo menos 60 mil novos imigrantes líquidos por ano até 2030 apenas para manter o tamanho atual da população em idade de trabalhar. Sem esse fluxo, o estado corre risco de contração econômica, segundo o relatório.
A estimativa ocorre em meio ao endurecimento da política migratória federal. O relatório afirma que a segunda administração Trump adotou a restrição à imigração como prioridade e analisa os efeitos econômicos dessa política em Massachusetts.
A reportagem do Boston.com também registrou a reação de lideranças comunitárias. “Somos pessoas que vêm para fazer o país avançar”, disse Carline Desire, diretora-executiva da Association of Haitian Women in Boston. “Não se trata de abusar do sistema, mas de contribuir para cuidar de nós mesmos e da nossa comunidade.”
Por que Massachusetts depende tanto de imigrantes?
Massachusetts envelhece, perde moradores para outros estados e precisa repor trabalhadores. O relatório aponta que a imigração se tornou um dos principais fatores para sustentar a população economicamente ativa do estado.
Esse dado ajuda a explicar por que a discussão migratória em Massachusetts não é apenas política. Ela afeta hospitais, universidades, laboratórios, obras, restaurantes, empresas de limpeza, cuidados de idosos e pequenos negócios.
Em evento sobre o relatório, Ben Forman, diretor do MassINC Policy Center, afirmou que as Gateway Cities concentram cerca de 25% dos moradores do estado, mas reúnem 40% da população estrangeira e mais da metade dos recém-chegados. Essas cidades incluem municípios que receberam comunidades imigrantes nas últimas décadas e dependem delas para recompor população e atividade econômica.
Para brasileiros, o dado importa porque Massachusetts é um dos principais destinos da comunidade nos EUA. O Migration Policy Institute informou, em maio de 2026, que 81% dos imigrantes brasileiros nos Estados Unidos tinham entre 18 e 64 anos em 2024, proporção maior que a da população imigrante total e bem acima da população nascida nos EUA.
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O estudo abre caminho para mais vistos?
Não. O relatório mostra demanda econômica por imigrantes, mas não cria nova regra de imigração, não abre programa estadual de visto e não autoriza trabalho sem documentação.
Esse é o ponto mais importante para quem mora em Massachusetts ou pensa em se mudar para o estado. A necessidade de mão de obra não substitui autorização de trabalho. Nos EUA, empregadores devem verificar identidade e autorização de emprego de cada pessoa contratada por meio do Form I-9, segundo o USCIS.
O Employment Authorization Document, conhecido como EAD ou Form I-766, é uma das formas de provar que uma pessoa está autorizada a trabalhar nos Estados Unidos por um período específico.
Isso significa que uma vaga em hospital, obra, universidade, restaurante ou empresa de serviços só é segura quando o caminho migratório também está regular. Promessa de emprego sem checagem de documentos, pagamento por fora ou oferta de sponsor sem contrato claro deve ser tratada como sinal de risco.
Onde pode haver mais demanda por trabalhadores?
O relatório destaca três áreas sensíveis para Massachusetts: saúde, ensino superior e pesquisa, além da construção. Esses setores concentram parte importante da economia estadual e dependem de trabalhadores internacionais, estudantes estrangeiros, pesquisadores e mão de obra operacional.
Na prática, isso pode favorecer brasileiros que já têm autorização para trabalhar, inglês funcional, certificações compatíveis e experiência em áreas com falta de pessoal. O efeito mais provável não é uma porta aberta automática, mas uma disputa maior por trabalhadores que já conseguem cumprir as exigências legais do mercado americano.
Em saúde, por exemplo, há oportunidades em funções de cuidado direto, clínicas, nursing facilities e suporte hospitalar. Muitas ocupações exigem licença, treinamento local ou certificação estadual. Na construção e em serviços, a barreira de entrada pode ser menor, mas a exigência de documentação continua valendo.
Para quem está no Brasil, o relatório não deve ser lido como convite para imigrar sem planejamento. Deve ser lido como sinal de que Massachusetts continuará precisando de trabalhadores, especialmente em setores que não conseguem preencher vagas apenas com a população local.
O que o brasileiro deve fazer antes de aceitar uma proposta?
O primeiro passo é confirmar se a vaga exige autorização imediata de trabalho ou se o empregador oferece um processo formal de patrocínio. Nos vistos de trabalho baseados em emprego, o Departamento de Estado informa que, em muitos casos, o empregador americano precisa apresentar uma petição ao USCIS, como o Form I-140 em categorias imigratórias específicas.
O segundo passo é desconfiar de promessas vagas. Uma empresa séria informa cargo, salário, local, tipo de contrato, exigência de documentos e caminho legal. Quem promete “regularizar depois” ou cobra taxa antecipada sem documentação verificável coloca o trabalhador em risco.
O terceiro passo é separar necessidade econômica de direito migratório. Massachusetts pode precisar de trabalhadores, mas quem define visto, EAD, entrada, permanência e autorização de emprego é o governo federal.
Para brasileiros que já vivem no estado, a notícia reforça a importância de manter documentos organizados, acompanhar prazos de EAD, buscar certificações locais e registrar experiência profissional. Para quem trabalha em setores com alta demanda, estar regular e qualificado pesa mais do que apenas “ter disposição para trabalhar”.
O relatório também muda o tom da conversa pública. Em vez de apresentar imigrantes apenas como custo ou problema de emergência, os dados mostram que Massachusetts depende deles para manter população ativa, serviços funcionando e arrecadação.
A oportunidade existe. Mas ela passa por documentação, qualificação e cuidado com falsas promessas.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Esta matéria foi produzida com base no relatório “An Uncertain Future: How the Immigration Crackdown Threatens Massachusetts’ Labor Force”, publicado pelo Boston Indicators e pelo MassINC Policy Center, na cobertura do Boston.com, em informações do USCIS sobre Form I-9 e Employment Authorization Document, em dados do Departamento de Estado sobre vistos baseados em emprego e em análise do Migration Policy Institute sobre imigrantes brasileiros nos Estados Unidos.
Transparência Editorial
A apuração foi concluída em 2 de julho de 2026. O texto não afirma que Massachusetts criou novo programa de visto, nova autorização de trabalho ou nova regra migratória para brasileiros. A matéria trata de uma necessidade econômica apontada por relatório, não de mudança legal. A abordagem segue a política editorial do Vou pra América de evitar conteúdo raso e explicar efeitos práticos para bolso, visto, trabalho e vida do brasileiro nos EUA.