Mais da metade dos americanos teme perder emprego para IA, mostra pesquisa Reuters/Ipsos

Jacy Abreu23 de junho de 2026Trabalho
Mais da metade dos americanos teme perder emprego para IA, mostra pesquisa Reuters/Ipsos

Mais da metade dos adultos nos Estados Unidos teme que a inteligência artificial tire o emprego deles ou de alguém da casa, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 10 de junho de 2026. O levantamento ouviu 4.531 pessoas e tem margem de erro de 2 pontos percentuais.

A pesquisa mostrou que 53% dos entrevistados compartilham esse receio. O medo aparece em diferentes faixas de idade, gênero e escolaridade, segundo a Reuters. O levantamento também apontou que 73% dos americanos dizem estar preocupados com a adoção crescente da IA.

O dado mostra percepção pública, não uma previsão de desemprego. Essa diferença importa. A pesquisa mede o temor dos americanos diante da tecnologia, mas não afirma que metade dos trabalhadores perderá o emprego.

Mesmo assim, o sinal é claro para quem vive nos EUA: a IA já entrou na rotina de empresas, processos seletivos, escritórios, atendimento ao cliente, marketing, tecnologia e serviços administrativos.

O que a pesquisa mostra

Segundo a Reuters, a preocupação com a IA cresceu em relação a levantamentos anteriores. Em agosto de 2025, outra pesquisa Reuters/Ipsos já havia mostrado que 71% dos americanos temiam que a IA causasse perda permanente de empregos. Naquele momento, a própria Reuters observou que ainda havia poucos sinais de desemprego em massa causado pela tecnologia, com taxa de desemprego dos EUA em 4,2% em julho de 2025.

Esse ponto ajuda a separar medo de evidência. A IA muda tarefas, acelera processos e reduz parte do trabalho repetitivo. Mas o impacto não aparece da mesma forma em todos os setores.

O Bureau of Labor Statistics, órgão oficial de estatísticas trabalhistas dos EUA, projeta que o emprego total no país crescerá de 170 milhões em 2024 para 175,2 milhões em 2034. A alta prevista é de 3,1%, abaixo do crescimento de 13% registrado entre 2014 e 2024.

O próprio BLS mantém uma área de pesquisa sobre produtividade e inteligência artificial, com estudos sobre como a tecnologia pode afetar investimento, produção e trabalho. Isso mostra que o tema deixou de ser debate de tecnologia e passou a ser parte da análise econômica oficial dos EUA.

Por que isso afeta brasileiros nos EUA

Para brasileiros que trabalham ou procuram emprego nos Estados Unidos, o risco imediato não está apenas em perder uma vaga para uma máquina. O risco mais concreto é ficar para trás em processos seletivos que passaram a valorizar produtividade, inglês profissional, domínio de ferramentas digitais e adaptação rápida.

Isso vale para trabalhadores de escritório, assistentes administrativos, profissionais de marketing, atendimento, vendas, conteúdo, tecnologia, finanças, tradução, pequenos empreendedores e prestadores de serviço que dependem de comunicação com clientes.

Também vale para quem atua em negócios próprios. Restaurantes, empresas de limpeza, construção, estética, delivery, consultorias e comércios locais já enfrentam clientes que esperam respostas mais rápidas, orçamentos claros, presença digital e atendimento organizado.

A IA não substitui todos esses trabalhos. Mas muda o padrão de exigência.

Um brasileiro que usa ferramentas de IA para revisar um e-mail em inglês, preparar um currículo no formato americano, organizar respostas para clientes ou criar uma planilha de orçamento sai em vantagem sobre quem ainda depende apenas de improviso.

O currículo também mudou

O processo de contratação nos EUA já usa sistemas automatizados para filtrar currículos. Por isso, o trabalhador imigrante precisa adaptar o currículo ao padrão americano, com cargo desejado, experiência mensurável, palavras-chave da vaga e inglês claro.

Não basta escrever que tem “experiência com atendimento”. É melhor mostrar o que fazia: volume de clientes atendidos, tipo de sistema usado, metas cumpridas, idiomas falados e resultados alcançados.

A IA pode ajudar nessa adaptação, mas não deve inventar experiência. Um currículo com habilidades exageradas derruba o candidato na entrevista. Para o imigrante, esse erro pesa ainda mais, porque muitos já precisam explicar experiência obtida no Brasil, status de autorização de trabalho e diferenças de formação profissional.

Quais áreas sentem primeiro

As funções mais expostas são as que dependem de tarefas repetitivas, texto simples, triagem de informação, atendimento padronizado e análise básica de dados. Isso inclui parte do trabalho administrativo, suporte ao cliente, entrada de dados, produção de conteúdo genérico, tradução simples, relatórios internos e rotinas comerciais.

As áreas com maior presença física, licença profissional, confiança local ou trabalho manual especializado tendem a mudar de outro jeito. Construção, limpeza, cuidados pessoais, manutenção, saúde, gastronomia e serviços domésticos não desaparecem por causa da IA. Mas podem exigir mais organização digital, resposta rápida ao cliente e uso de sistemas de agenda, pagamento, orçamento e avaliação online.

Para brasileiros recém-chegados, isso significa uma mudança prática: aprender IA não é virar programador. É saber usar tecnologia para trabalhar melhor.

O que fazer agora

O primeiro passo é revisar o currículo em inglês. O documento deve ser curto, direto e adaptado à vaga. Experiências brasileiras precisam ser traduzidas para a lógica americana, com cargos equivalentes e resultados concretos.

O segundo passo é atualizar o LinkedIn. Nos EUA, recrutadores usam a plataforma como vitrine profissional. Foto adequada, resumo objetivo, cargos em inglês e histórico coerente ajudam o candidato a ser encontrado.

O terceiro passo é aprender o básico de ferramentas de IA. Isso inclui escrever e revisar e-mails, resumir documentos, montar respostas para clientes, organizar ideias para entrevistas e criar versões do currículo para vagas diferentes.

O quarto passo é proteger dados pessoais. Trabalhadores e empreendedores não devem inserir Social Security Number, dados bancários, documentos migratórios, contratos privados ou informações de clientes em ferramentas digitais sem saber como esses dados serão usados.

O quinto passo é procurar qualificação curta. Cursos de inglês profissional, Excel, atendimento ao cliente, marketing local, QuickBooks, gestão de agenda, vendas e ferramentas digitais podem ter retorno mais rápido do que formações longas para quem precisa trabalhar.

O ponto central para o imigrante

A pesquisa Reuters/Ipsos mostra medo. O mercado mostra adaptação.

Para o brasileiro nos EUA, a melhor resposta não é pânico. É reposicionamento. Quem depende de tarefas repetitivas precisa aprender a entregar mais valor. Quem trabalha por conta própria precisa usar tecnologia para atender melhor. Quem busca emprego precisa mostrar que entende o novo padrão de produtividade.

A IA ainda não eliminou o trabalho humano. Mas já mudou a régua usada por empresas para contratar, promover e manter funcionários.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

A matéria foi baseada em pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 10 de junho de 2026, com 4.531 adultos nos Estados Unidos. Também foram consultados dados e publicações do Bureau of Labor Statistics sobre projeções de emprego e pesquisas sobre produtividade e inteligência artificial.

Transparência Editorial

Este texto reescreve integralmente o insumo original, sem reproduzir sua estrutura. A reportagem diferencia percepção pública de impacto comprovado no emprego. A pesquisa Reuters/Ipsos mede temor dos entrevistados, não demissões efetivas. Não foram usados especialistas anônimos nem dados sem fonte rastreável.

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