Juiz derruba taxa de US$ 100 mil para parte dos pedidos de H-1B e impõe revés à Casa Branca

Jacy Abreu10 de junho de 2026Imigração
Juiz derruba taxa de US$ 100 mil para parte dos pedidos de H-1B e impõe revés à Casa Branca

Taxa criada pela Casa Branca é anulada em todo o país

A Justiça Federal dos Estados Unidos derrubou a cobrança extra de US$ 100 mil que passou a ser exigida em parte das novas petições do visto H-1B, um dos principais programas usados por empresas americanas para contratar profissionais estrangeiros em ocupações especializadas.

A decisão foi assinada pelo juiz Leo T. Sorokin, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Massachusetts, e tem alcance nacional.

A taxa havia sido criada por uma proclamação presidencial publicada em 19 de setembro de 2025. Dois dias depois, a medida entrou em vigor. A orientação determinava que determinadas novas petições de H-1B fossem protocoladas com o pagamento adicional de US$ 100 mil.

Quem era afetado pela cobrança

O impacto atingia principalmente profissionais que estavam fora dos Estados Unidos no momento da petição e não possuíam um visto H-1B válido.

Na prática, a regra alcançava casos de processamento consular, situação comum para candidatos que ainda vivem no Brasil ou em outros países e dependem do patrocínio de uma empresa americana para ingressar legalmente no mercado de trabalho dos EUA.

O custo adicional elevava de forma abrupta o valor do processo para os empregadores. Em muitos casos, a cobrança podia inviabilizar a contratação antes mesmo do início da análise migratória.

O que levou o juiz a derrubar a medida

Ao invalidar a cobrança, Sorokin concluiu que o presidente não possuía autoridade para criar unilateralmente uma taxa dessa natureza.

Segundo o entendimento do magistrado, a exigência funcionava como um tributo. Por isso, dependeria de autorização do Congresso para entrar em vigor.

A decisão também apontou problemas relacionados à base legal utilizada pelo governo e ao procedimento administrativo adotado para implementar a medida.

O que permanece igual no programa H-1B

A decisão não altera as regras centrais do H-1B.

O visto continua dependente de uma empresa patrocinadora, da qualificação do profissional e do enquadramento da vaga como ocupação especializada.

Também permanece a loteria anual aplicada quando o número de candidatos supera o limite de vistos disponíveis.

A mudança afeta exclusivamente a cobrança adicional de US$ 100 mil exigida em parte das novas petições. Para muitas empresas, especialmente as de médio e pequeno porte, o fim da taxa reduz uma barreira financeira relevante no processo de contratação internacional.

O que muda para brasileiros que buscam oportunidades nos EUA

Para profissionais que ainda vivem fora dos Estados Unidos, a decisão reduz o custo de entrada para empregadores interessados em oferecer patrocínio migratório.

Empresas que antes precisariam absorver uma despesa adicional de seis dígitos voltam a analisar contratações internacionais sem esse encargo específico.

Isso não significa que o processo ficou simples ou automático.

O H-1B continua sendo um pedido apresentado pela empresa, e não pelo candidato. A obtenção do visto depende da oferta de emprego, da estratégia de recrutamento da companhia e do cumprimento de todas as exigências documentais previstas pela legislação migratória americana.

Governo promete recorrer

A disputa ainda está longe do fim. O governo criticou a decisão e informou que pretende recorrer. Novos capítulos judiciais podem alterar novamente o cenário nos próximos meses.

Para candidatos e empregadores, a orientação mais prudente é verificar as regras vigentes da USCIS antes do envio de qualquer petição, especialmente em casos de processamento consular, já que as exigências e taxas aplicáveis podem mudar conforme o andamento do processo judicial.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Massachusetts Decisão do juiz Leo T. Sorokin Orientações e procedimentos da USCIS

Transparência Editorial

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