Intercâmbio nos EUA segue no topo para brasileiros, mesmo sem alta nos números

Os EUA continuam como destino preferido de intercâmbio para brasileiros, mesmo sem uma disparada nos números. Esse foi o retrato descrito em reportagem do Valor Econômico no fim de maio. Para quem está planejando, a diferença entre dar certo e virar dor de cabeça raramente é “sorte”. Quase sempre é documento, cronograma e coerência.
No recorte de universidades e faculdades, o Open Doors, o relatório anual do IIE, o Institute of International Education, registrou 16.877 brasileiros no ano acadêmico 2023/24. No registro federal SEVIS, o Student and Exchange Visitor Information System, o sistema que acompanha estudantes e intercambistas por status migratório, o Brasil apareceu com 44.721 registros ativos em 2024. Esses números não se anulam, porque medem bases diferentes. Um olha matrículas no ensino superior, o outro acompanha registros migratórios de estudantes e intercambistas em categorias específicas.
A primeira decisão prática é entender que “intercâmbio” não é uma coisa só. Curso de inglês, high school, college, universidade, curso técnico e programas com patrocinador têm exigências diferentes. Em muitos casos, estudar de forma regular exige visto apropriado, e o governo é explícito ao separar turismo de estudo.
Quais vistos entram no intercâmbio para estudo
O visto mais comum para estudo acadêmico é o F-1, o visto de estudante para cursos acadêmicos em escola aprovada. Em cursos vocacionais específicos, pode entrar o M-1, o visto de estudante para programas vocacionais e não acadêmicos. Em programas com patrocinador, como alguns formatos de pesquisa, trainee e intercâmbio estruturado, aparece o J-1, o visto de visitante de intercâmbio em programa aprovado.
Essa distinção importa porque muda o documento que o aluno recebe, muda a taxa federal associada ao registro e muda também o que é permitido depois de chegar.
O documento que “abre o seu caso”
No F-1, a escola emite o I-20, o formulário que comprova aceitação e estima custos do curso. No J-1, o patrocinador emite o DS-2019, o formulário que comprova participação no programa de intercâmbio aprovado. Sem o documento correto, não existe processo consistente de visto. É aqui que muita família se confunde porque compra pacote, paga taxa e só depois descobre que o programa não entrega o documento que o consulado exige.
SEVIS e a taxa que quase todo mundo precisa pagar
Depois do I-20 ou do DS-2019, vem o SEVIS, o Student and Exchange Visitor Information System, e a taxa federal ligada ao registro do estudante. Essa taxa aparece como I-901, a taxa do SEVIS paga para ativar o registro do estudante ou intercambista. O valor varia por categoria e tipo de visto, então a regra evergreen é simples: antes de pagar, confira a tabela no canal oficial do governo e confirme se seu número de registro bate com o formulário emitido pela escola ou patrocinador.
DS-160 e entrevista consular, onde erros viram recusa
Em seguida, você preenche o DS-160, o formulário eletrônico de solicitação de visto de não imigrante, e agenda a entrevista. É nessa fase que incoerência derruba caso: datas que não batem com o formulário, escola e curso descritos de forma diferente, fonte de recursos mal explicada, e histórico pessoal preenchido de maneira incompleta.
Para evitar erro clássico, trate a prova financeira como parte do projeto, não como papel de última hora. O consulado tende a desconfiar quando o custo do programa é alto e a explicação de pagamento é genérica ou muda de uma etapa para outra.
OPT, a sigla que aparece em promessas e exige cuidado
Se o seu foco é universidade, você vai ouvir falar em OPT, o Optional Practical Training, a autorização para trabalho prático ligada ao status F-1 para quem se forma e segue regras específicas. OPT não é “trabalho livre” e não é garantia de permanência. Ele é uma etapa regulada, com critérios, prazos e documentação, e a escola costuma orientar por meio do escritório internacional.
O que muda com o clima político e a conversa sobre imigração
O ponto que a reportagem do Valor trouxe, e que interessa para um guia evergreen, é o efeito indireto: famílias não param de planejar só por ruído, mas ficam mais sensíveis a risco. Em 2026, isso geralmente se traduz em mais busca por orientação, mais comparação com Canadá e Europa, e menos tolerância a improviso na documentação. O caminho segue aberto para quem faz o processo certo, mas o custo de errar ficou maior.
O que fazer agora, sem promessas e sem pressa*
Se o seu objetivo é intercâmbio nos EUA, comece pelo calendário do curso e pelo tipo de visto, não pela passagem. Escolha uma instituição apta a emitir o documento correto, organize o cronograma com folga para entrevista e emissão, e trate as siglas como etapas de processo, não como detalhe. SEVIS, o registro federal do estudante, DS-160, o formulário do visto, e I-20 ou DS-2019, os documentos do programa, são o coração do fluxo. Quando essas peças se encaixam, o resto vira logística.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Open Doors, o relatório anual do IIE, o Institute of International Education, e páginas oficiais do governo dos EUA sobre visto de estudante e SEVIS.
Transparência Editorial
Este texto é evergreen e foi ancorado em fontes públicas e oficiais para regras de visto e registro. A reportagem do Valor Econômico foi usada como gancho de contexto de mercado, sem reprodução de trechos.