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O Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ICE, deverá ocupar posição estratégica no esquema de segurança da Copa do Mundo de 2026. A informação foi confirmada por dirigente da própria agência, que classificou o órgão como peça-chave no planejamento do torneio.
A Copa de 2026 será a maior já realizada. Pela primeira vez, o torneio terá 48 seleções e será sediado por três países: Estados Unidos, Canadá e México. Das 16 cidades escolhidas, 11 estão em território americano. Isso significa que a maior parte do fluxo internacional de torcedores passará pelos aeroportos e fronteiras dos Estados Unidos.
Nos EUA, grandes eventos costumam ser classificados como National Special Security Event. Esse modelo envolve coordenação federal sob o guarda-chuva do Departamento de Segurança Interna, com participação do Serviço Secreto, FBI, agências estaduais e autoridades locais. A inclusão do ICE nesse núcleo reforça o peso do controle migratório dentro do planejamento.
O ICE é responsável por investigações ligadas à imigração, crimes transnacionais, tráfico de pessoas, lavagem de dinheiro e violações aduaneiras. Em um evento do porte da Copa do Mundo, a atuação da agência pode envolver monitoramento de redes criminosas, cooperação internacional e fiscalização de vistos e entradas no país.
A declaração da direção do órgão ocorre em um contexto sensível. A Copa será realizada em ano eleitoral nos Estados Unidos, quando o debate sobre imigração costuma ganhar intensidade. O envolvimento destacado do ICE pode ser interpretado como sinal de prioridade na fiscalização de fronteiras e permanência irregular durante o período do torneio.
Autoridades americanas ainda não detalharam publicamente como será a divisão exata de responsabilidades entre as agências federais. Em eventos anteriores de grande escala, como Super Bowls e posses presidenciais, a coordenação primária ficou a cargo do Serviço Secreto, enquanto outras agências atuaram em áreas específicas. A tendência é que a Copa de 2026 siga modelo semelhante, mas com complexidade ampliada pelo caráter internacional e pela realização simultânea em três países.
Para brasileiros, o anúncio acende um alerta prático. A entrada nos Estados Unidos exige visto válido, e o volume de solicitações deve crescer nos próximos meses. Especialistas em mobilidade internacional projetam aumento no tempo de processamento e maior rigor nas entrevistas consulares à medida que o torneio se aproxima.
Além do fluxo de turistas, há também o impacto para brasileiros que já vivem nos Estados Unidos. Operações de fiscalização migratória podem ganhar visibilidade durante o evento, especialmente em cidades-sede. Até o momento, não há anúncio de medidas extraordinárias, mas o planejamento de segurança ainda está em construção.
A organização da Copa envolve ainda cooperação trinacional entre autoridades dos Estados Unidos, Canadá e México. A integração de dados de segurança e o compartilhamento de informações sobre passageiros e fronteiras devem ser intensificados. Esse modelo já foi adotado em outros eventos multilaterais, mas a escala da Copa de 2026 é inédita.
Faltando pouco mais de um ano para o torneio, o discurso institucional indica que segurança e controle migratório estarão no centro das decisões operacionais. O desafio será equilibrar rigor e fluidez em um evento que deve movimentar milhões de pessoas.
A confirmação do papel estratégico do ICE não altera, por enquanto, as regras de entrada no país. Mas sinaliza que a infraestrutura de fiscalização será parte visível da experiência de quem escolher os Estados Unidos como porta de entrada para a Copa do Mundo de 2026.
Declarações institucionais do ICE Departamento de Segurança Interna dos EUA Informações públicas sobre modelo National Special Security Event
Esta matéria foi produzida com base em declarações institucionais e informações públicas sobre o modelo de segurança federal dos Estados Unidos. Até o momento, não foram divulgados detalhes operacionais específicos sobre a atuação do ICE durante a Copa do Mundo de 2026.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.