
ICE mira empresas ligadas ao OPT
O Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) afirmou ter identificado mais de 10 mil casos potenciais de fraude relacionados ao Optional Practical Training (OPT), autorização de trabalho destinada a estudantes internacionais com visto F-1 após a conclusão dos estudos.
A declaração foi feita em maio de 2026 pelo diretor interino do ICE, Todd Lyons, durante uma coletiva sobre ações de fiscalização conduzidas em parceria com o braço investigativo do Departamento de Segurança Interna (HSI).
Segundo as autoridades, a apuração encontrou empresas que declaravam empregar dezenas ou centenas de estudantes internacionais, mas não apresentavam operação compatível com o volume informado. Entre os indícios citados estavam escritórios vazios, endereços compartilhados por múltiplas empresas e locais sem atividade comercial aparente.
Lyons afirmou que os números apresentados fazem parte de uma análise inicial e classificou a ofensiva como “apenas o começo”.
O que o governo considera fraude no programa
Na comunicação oficial sobre a investigação, o ICE afirmou ter encontrado casos de “empregados fantasmas”, expressão usada para descrever pessoas com autorização válida de trabalho, mas sem atividade profissional compatível com as informações registradas no sistema migratório estudantil.
O foco inicial da operação está nos empregadores classificados como suspeitos. Ainda assim, estudantes vinculados a essas empresas também podem ser afetados caso as autoridades identifiquem inconsistências entre a função declarada, o local de trabalho e a atividade exercida.
Escritórios de advocacia especializados em imigração e análises de compliance publicadas após a coletiva apontaram que o governo deve ampliar visitas presenciais e auditorias em empresas ligadas ao OPT.
As checagens podem incluir entrevistas no local de trabalho, confirmação da rotina profissional do estudante e verificação das funções informadas nos registros migratórios.
Fiscalização deve atingir também o STEM OPT
O OPT permite que estudantes internacionais trabalhem temporariamente em atividades relacionadas à área de formação após a graduação. Em cursos ligados a ciência, tecnologia, engenharia e matemática, o programa pode ser estendido por meio do STEM OPT.
A investigação ganhou atenção justamente porque o STEM OPT concentra grande número de estudantes empregados no setor de tecnologia, área que tradicionalmente utiliza o programa como etapa de contratação e permanência profissional nos Estados Unidos.
A nova ofensiva do governo ocorre em meio a um debate mais amplo sobre fiscalização migratória e controle de programas de trabalho vinculados a vistos estudantis.
O que muda para estudantes que estão no OPT
O anúncio do ICE aumenta a possibilidade de auditorias, pedidos adicionais de documentação e contato direto das autoridades com empresas cadastradas no programa.
Também cresce o risco para estudantes vinculados a empregadores sem operação verificável ou sem rotina de trabalho compatível com a atividade registrada no sistema.
Especialistas em imigração consultados por veículos jurídicos nos Estados Unidos afirmam que o governo deve concentrar esforços em comprovar vínculos empregatícios considerados artificiais, especialmente em casos sem supervisão clara, atividade documentada ou presença física compatível da empresa.
Para estudantes que pretendem usar o OPT como etapa para futuros vistos de trabalho, histórico profissional consistente e documentação organizada passam a ter peso ainda maior em eventuais análises migratórias.
A apuração deste texto se baseou em declarações públicas divulgadas pelo ICE e pelo HSI, além de análises jurídicas e coberturas de veículos especializados publicadas após a coletiva realizada em maio de 2026.
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Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.