ICE amplia prisões em aeroportos e alcança viajantes com processos migratórios pendentes

O governo Trump ampliou as ações de fiscalização migratória em aeroportos dos Estados Unidos e passou a deter viajantes que permaneceram no país depois do vencimento do período autorizado. Segundo reportagem do The New York Times, as operações ocorreram em pelo menos 15 aeroportos nas últimas semanas.
A apuração identificou detenções realizadas por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE, em áreas como balcões de check-in, portões de embarque e corredores de acesso às aeronaves.
Entre os viajantes detidos estavam pessoas com solicitações migratórias pendentes, incluindo pedidos de Green Card, extensões de visto e mudanças de status. A existência de um processo em análise, porém, não significa necessariamente que a pessoa possui status migratório válido ou proteção contra uma prisão administrativa.
O Departamento de Segurança Interna não publicou uma lista dos aeroportos envolvidos nem informou quantas detenções resultaram dessa iniciativa.
Em declaração atribuída ao órgão pelo jornal, o DHS afirmou que trabalha para impedir que pessoas consideradas em situação migratória irregular embarquem em voos domésticos, exceto quando estiverem deixando voluntariamente os Estados Unidos.
Como o ICE localiza viajantes nos aeroportos
A reportagem relacionou as operações a um sistema de compartilhamento de informações entre a Administração de Segurança dos Transportes, a TSA, e o ICE.
Desde maio de 2025, segundo a apuração jornalística, a TSA passou a alertar o ICE quando determinadas pessoas identificadas em bases de fiscalização migratória atravessavam os pontos de segurança dos aeroportos.
O mecanismo teria sido usado inicialmente para localizar viajantes com ordens de remoção. Advogados ouvidos pela reportagem afirmaram que a fiscalização passou a alcançar também pessoas que excederam o período autorizado de permanência, mesmo quando possuem algum pedido migratório ainda pendente.
Organizações de direitos civis atualizaram suas orientações após receber relatos de detenções antes e depois de voos domésticos. O Asian Law Caucus informou, em 24 de julho de 2026, que tomou conhecimento de casos envolvendo viajantes com processos perante a Justiça de Imigração e pedidos afirmativos de benefícios ainda em análise.
A ACLU também publicou um alerta em 27 de julho de 2026. A entidade informou que pessoas sem uma base migratória segura devem avaliar os riscos antes de embarcar, inclusive em voos dentro dos Estados Unidos.
Esses alertas representam recomendações das organizações. Não constituem uma proibição federal de viajar nem significam que todo imigrante será abordado em um aeroporto.
Processo pendente não é o mesmo que status válido
Um dos pontos que mais gera confusão entre imigrantes é a diferença entre possuir um protocolo e manter uma base legal de permanência.
Uma pessoa pode ter um pedido de Green Card, asilo, mudança de status ou extensão ainda em análise e, mesmo assim, estar exposta à fiscalização. Isso depende da categoria solicitada, do status anterior, da data de vencimento registrada no Formulário I-94, de eventuais autorizações concedidas e do histórico individual.
A autorização de trabalho também não resolve automaticamente essa questão. O documento permite trabalhar durante o período indicado, mas não comprova sozinho que o portador possui status migratório válido ou que não pode ser colocado em processo de remoção.
O mesmo cuidado vale para pessoas casadas com cidadãos americanos. O casamento ou o protocolo de uma petição familiar não concede, isoladamente, imunidade contra detenção.
A análise precisa considerar se houve entrada legal, excesso de permanência, ordem de remoção anterior, faltas em audiências, antecedentes criminais e outros fatores.
O que muda para quem pretende fazer um voo doméstico
Em voos dentro dos Estados Unidos, o passageiro normalmente passa pela TSA, não por um controle migratório equivalente ao realizado na entrada internacional.
A nova preocupação é que as informações usadas no processo de segurança possam permitir ao ICE identificar um viajante antes do embarque ou após o desembarque.
Pessoas com status vencido, ordens antigas de remoção ou processos migratórios complexos devem consultar um advogado licenciado antes de viajar. A orientação precisa considerar tanto o aeroporto de partida quanto o de chegada.
O viajante também deve conferir o Formulário I-94, os avisos de aprovação, os recibos de processos pendentes e qualquer correspondência da Justiça de Imigração.
Quem possui um número de registro migratório pode consultar o sistema do tribunal para verificar se existe processo ou ordem de remoção. Essa consulta, porém, não substitui a revisão completa do histórico.
Documentos de identidade válidos continuam sendo exigidos para o embarque. Levar recibos, aprovações e contatos do advogado pode ajudar na identificação da situação, mas não impede uma detenção quando o ICE entende que existe base legal para realizá-la.
O caso de Alex Colombini
A prisão do jornalista e empresário brasileiro Alex Colombini no Aeroporto Internacional Logan, em Boston, aumentou a preocupação na comunidade brasileira.
Veículos comunitários informaram que ele foi detido em julho de 2026 quando se preparava para viajar a Orlando e que deixou a custódia do ICE após decisão sobre sua liberação.
Os documentos públicos consultados não permitem afirmar que a detenção de Colombini fez parte da mesma operação descrita pelo The New York Times. O caso possui circunstâncias migratórias próprias e não deve ser usado como prova de que qualquer brasileiro com processo pendente será preso ao viajar.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
A matéria utilizou a reportagem exclusiva do The New York Times, repercutida por veículos que descreveram a apuração, além das orientações publicadas pelo Asian Law Caucus e pela ACLU. O caso de Alex Colombini foi contextualizado com informações de veículos da comunidade brasileira.
Transparência Editorial
Até 29 de julho de 2026, o DHS não havia divulgado uma lista oficial dos 15 aeroportos nem o número de detenções relacionadas especificamente à iniciativa. A informação sobre o alcance das operações deriva da apuração do The New York Times. O conteúdo não substitui aconselhamento jurídico sobre viagens ou situação migratória individual.