Fulbright abre mais de 80 bolsas integrais para brasileiros estudarem nos EUA

A Fulbright Brasil abriu inscrições para mais de 80 bolsas de estudo, pesquisa e docência nos Estados Unidos. As oportunidades são voltadas principalmente a doutorandos, professores e pesquisadores brasileiros, com prazo de candidatura até 02 de agosto de 2026.
As bolsas fazem parte de diferentes programas da Comissão Fulbright Brasil. O maior deles é o de Doutorado Sanduíche nos EUA, feito com apoio da CAPES. A chamada oferece até 50 bolsas para brasileiros matriculados em programas de doutorado no Brasil desenvolverem parte da pesquisa em universidades americanas.
O programa é voltado a quem já está no doutorado e precisa realizar uma etapa da pesquisa nos Estados Unidos. Segundo a Fulbright, os candidatos devem estar matriculados em universidades brasileiras e apresentar resultado de teste de proficiência em inglês no ato da inscrição. A página oficial cita TOEFL iBT, IELTS ou Duolingo como exames aceitos.
O que muda para quem quer estudar nos EUA
A oportunidade não é uma bolsa genérica de intercâmbio. Ela exige vínculo acadêmico no Brasil, projeto de pesquisa e documentação dentro do prazo. Para o brasileiro que planeja entrar nos EUA por uma rota acadêmica formal, a Fulbright oferece um caminho financiado, competitivo e com estrutura institucional.
Isso não significa autorização permanente para morar nos Estados Unidos. As bolsas são temporárias e ligadas ao objetivo acadêmico aprovado. A diferença prática está no custo. No doutorado-sanduíche, a Fulbright informou que os valores mensais foram reajustados e variam conforme o custo de vida da região da universidade americana, entre US$ 2.830 e US$ 4.300. A chamada também prevê auxílio-instalação de US$ 2.000, passagens aéreas, orientação pré-partida, seguro para acidentes e doenças e cobertura do visto J-1.
O visto J-1 é usado em programas de intercâmbio educacional e cultural. Ele não deve ser confundido com visto de trabalho permanente ou imigração definitiva. Quem pretende usar a experiência para fortalecer currículo, pesquisa ou carreira acadêmica precisa ler as regras do edital antes de assumir compromissos financeiros.
Bolsas para professores e pesquisadores
Além do doutorado-sanduíche, a Fulbright abriu o programa Professor e Pesquisador Visitante nos EUA, com até dez bolsas para ensino ou pesquisa. A chamada é destinada a professores e pesquisadores com doutorado concluído. Entre os requisitos estão nacionalidade brasileira, ausência de nacionalidade norte-americana, atuação acadêmica qualificada, vínculo ativo com instituição de ensino superior ou pesquisa e proficiência em inglês.
Os benefícios variam conforme o formato da estadia. A Fulbright informa valores de US$ 19.200 para quatro meses nos EUA, US$ 20.200 para duas visitas de dois meses ou US$ 14.400 para três meses. O apoio cobre despesas como passagem aérea, moradia e manutenção, além de seguro limitado para acidentes e doenças e taxa dos vistos J-1 e J-2.
Esse programa conversa com pesquisadores que já têm carreira acadêmica formada. Não é uma porta de entrada para recém-formados nem para quem busca uma primeira experiência universitária nos EUA. O candidato precisa demonstrar produção intelectual, vínculo institucional e capacidade de executar o plano de trabalho proposto.
Cátedras em universidades americanas
A lista de oportunidades também inclui cátedras em universidades dos Estados Unidos. Entre elas estão a Cátedra Fulbright-Guimarães Rosa na Brown University, voltada a Literatura Brasileira, e chamadas em áreas como inteligência artificial, agricultura digital, engenharia, biotecnologia, ciências ambientais e pesquisa em câncer.
Na Brown University, a Fulbright informa que a cátedra é destinada a professores e pesquisadores com experiência comprovada em Literatura Brasileira, para atuação no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros. O benefício informado é de US$ 30.000 por quatro meses, além de seguro limitado, taxa dos vistos J-1 e J-2 e acesso a instalações da universidade.
Na University of Texas at Austin, a chamada contempla áreas como inteligência artificial, aprendizado de máquina, cibersegurança, computação em nuvem, ciência de dados e tecnologias quânticas. O valor informado para a bolsa é de US$ 32.400 por quatro meses.
Também há cátedra na Purdue University para agricultura digital e aplicações de inteligência artificial na agricultura, com exigência de doutorado, experiência profissional e produção compatível na área. Na Florida Polytechnic University, a chamada contempla áreas como ciência dos materiais, biotecnologia, engenharia elétrica, inteligência artificial, cibersegurança, ciência de dados, fotônica, física nuclear e tecnologias quânticas.
O que o candidato deve fazer agora
O primeiro passo é separar a oportunidade correta. Doutorandos devem olhar o edital de doutorado-sanduíche. Professores e pesquisadores com doutorado devem verificar o programa de visitante ou as cátedras específicas da sua área.
O segundo passo é conferir a proficiência em inglês. No caso do doutorado-sanduíche, a Fulbright orienta que os interessados se inscrevam com antecedência para o teste, porque o resultado precisa ser apresentado até o prazo final da chamada.
O terceiro passo é tratar a carta-convite com prioridade. Para programas acadêmicos nos EUA, esse documento costuma depender de contato prévio com professor, departamento ou instituição anfitriã. Deixar essa etapa para a última semana pode inviabilizar a candidatura, mesmo quando o candidato cumpre os demais requisitos.
Para brasileiros que querem construir uma trajetória acadêmica entre Brasil e Estados Unidos, a Fulbright é uma oportunidade relevante porque reduz o peso financeiro da experiência internacional. Mas a seleção exige planejamento. O prazo final, 02 de agosto de 2026, vale para as chamadas abertas consultadas pela reportagem.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Esta matéria foi produzida com base em informações oficiais da Fulbright Brasil, incluindo as páginas dos programas de Doutorado Sanduíche nos EUA, Professor e Pesquisador Visitante nos EUA, Cátedra Fulbright-Guimarães Rosa na Brown University, University of Texas at Austin, Purdue University e Florida Polytechnic University. O insumo inicial foi atribuído à Assessoria de Comunicação da Fulbright Brasil.
Transparência Editorial
O Vou pra América não participou da organização dos editais nem do processo seletivo. A reportagem verificou as informações disponíveis nas páginas oficiais da Fulbright Brasil em julho de 2026. O texto não trata as bolsas como promessa de imigração, emprego ou permanência nos Estados Unidos. Candidatos devem ler o edital completo antes de se inscrever.