Fisioterapeutas brasileiros miram os EUA em meio a déficit de profissionais até 2037

Quanto ganha um fisioterapeuta nos Estados Unidos?
O salário mediano anual de fisioterapeutas nos Estados Unidos foi de US$ 101.020 em maio de 2024, segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), principal órgão federal responsável pelas estatísticas de emprego no país.
Isso significa que metade dos profissionais ganhou mais do que esse valor e metade ganhou menos. Os dados mostram que os 10% com menor remuneração receberam menos de US$ 74.420 por ano, enquanto os 10% mais bem pagos ultrapassaram US$ 132.500 anuais.
A renda também varia conforme o setor de atuação. Segundo o BLS, fisioterapeutas que trabalham em home healthcare services tiveram salário mediano anual de US$ 108.110 em 2024. Em nursing and residential care facilities, a mediana foi de US$ 105.330. Nos hospitais, US$ 105.140. Já em clínicas e consultórios especializados, US$ 94.860.
Na prática, localização, experiência, especialidade e tipo de empregador influenciam diretamente os ganhos.
Existe demanda para fisioterapeutas nos EUA?
Sim.
Os Estados Unidos enfrentam escassez de profissionais na área e a tendência é que a demanda continue elevada pelos próximos anos.
A American Physical Therapy Association (APTA) estimou um déficit nacional de 12.070 fisioterapeutas em tempo integral em 2022. As projeções da entidade indicam falta de profissionais em todos os anos analisados até 2037.
O Bureau of Labor Statistics também prevê crescimento de 11% no emprego de fisioterapeutas entre 2024 e 2034, acima da média nacional de 3% para todas as ocupações.
O órgão estima aproximadamente 13.200 novas vagas por ano ao longo da década.
O envelhecimento da população americana, o aumento de doenças crônicas e a busca por tratamentos que reduzam o uso de opioides aparecem entre os principais fatores que sustentam essa demanda.
O diploma brasileiro vale nos Estados Unidos?
O diploma brasileiro é reconhecido como formação acadêmica, mas não funciona automaticamente como licença profissional.
Nos Estados Unidos, a fisioterapia é uma profissão regulamentada. Todos os estados americanos exigem licença para atendimento de pacientes.
Isso significa que um fisioterapeuta formado no Brasil não pode exercer a profissão apenas apresentando seu diploma.
O caminho normalmente envolve avaliação de credenciais acadêmicas, comprovação da formação, análise curricular, exigências de inglês e aprovação em exames exigidos pelas autoridades reguladoras.
A Federation of State Boards of Physical Therapy (FSBPT) informa que candidatos formados fora dos Estados Unidos precisam cumprir requisitos específicos antes de obter licença.
A Foreign Credentialing Commission on Physical Therapy (FCCPT) é uma das principais entidades responsáveis pela avaliação de credenciais acadêmicas de profissionais formados no exterior.
O que é o NPTE?
O National Physical Therapy Examination (NPTE) é o exame nacional utilizado no processo de licenciamento de fisioterapeutas nos Estados Unidos.
A aprovação no exame faz parte do processo exigido pela maioria das jurisdições americanas.
Antes de chegar ao NPTE, o candidato normalmente precisa cumprir etapas como avaliação de credenciais, análise curricular e exigências determinadas pelo board estadual onde pretende atuar.
Como as regras variam entre os estados, o planejamento deve começar pela escolha do local onde o profissional pretende trabalhar.
Onde os fisioterapeutas trabalham nos EUA?
A fisioterapia americana oferece oportunidades em diferentes setores.
Segundo o Bureau of Labor Statistics, os maiores empregadores da profissão em 2024 foram:
• Clínicas e consultórios de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e audiologia (34%)
• Hospitais (28%)
• Home healthcare services (11%)
• Nursing and residential care facilities (6%)
Também existem oportunidades em centros de reabilitação, escolas, esportes, saúde ocupacional e programas de prevenção.
O que o fisioterapeuta brasileiro precisa saber antes de tentar migrar?
A oportunidade existe, mas não é um atalho.
O déficit de profissionais não elimina exigências de licença, validação acadêmica, exame nacional ou autorização migratória.
O profissional que pretende construir carreira nos Estados Unidos deve começar organizando documentos acadêmicos, fortalecendo o inglês técnico e pesquisando as exigências do estado onde deseja atuar.
Também é importante entender que licença profissional e imigração são processos diferentes.
Um fisioterapeuta pode ter autorização para viver nos Estados Unidos e ainda não estar habilitado a atender pacientes. Da mesma forma, pode cumprir todas as exigências profissionais e ainda precisar resolver a questão migratória.
Por isso, a preparação deve envolver planejamento acadêmico, profissional e jurídico.
Vale a pena?
Para quem está disposto a seguir todas as etapas exigidas, o mercado americano oferece demanda consistente, salários competitivos e oportunidades em diferentes áreas da saúde.
Mas a realidade é diferente das promessas simplificadas que circulam nas redes sociais.
O déficit de profissionais é real. O salário é atrativo. A necessidade de licença também.
Para o fisioterapeuta brasileiro, o projeto pode funcionar como uma estratégia sólida de carreira. Mas exige tempo, investimento, documentação organizada, inglês e disposição para cumprir todas as exigências do sistema americano.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Esta matéria foi produzida com base em dados da American Physical Therapy Association (APTA), Bureau of Labor Statistics (BLS), Federation of State Boards of Physical Therapy (FSBPT), Foreign Credentialing Commission on Physical Therapy (FCCPT), U.S. Citizenship and Immigration Services (USCIS) e U.S. Department of Labor.
Transparência Editorial
As regras de licenciamento variam por estado e podem sofrer alterações. Esta reportagem tem caráter informativo e não substitui consulta aos boards estaduais de fisioterapia, órgãos de licenciamento ou advogado de imigração licenciado nos Estados Unidos.