Fim do plano SAVE obriga 7,5 milhões a escolher nova forma de pagar empréstimos estudantis

O fim do plano SAVE obrigará mais de 7,5 milhões de pessoas a rever a forma como pagam seus empréstimos estudantis federais nos Estados Unidos. Cada mutuário terá pelo menos 90 dias, contados a partir da notificação enviada pela empresa responsável pelo contrato, para escolher outro plano.
O SAVE, sigla para Saving on a Valuable Education, foi encerrado após uma ordem judicial emitida em 10 de março de 2026. O programa vinculava o valor da parcela à renda e ao tamanho da família do mutuário.
As administradoras de empréstimos federais começaram a enviar as notificações em julho. No caso da Edfinancial, por exemplo, os avisos foram programados para o período entre 1º de julho e 15 de agosto. O prazo começa na data em que a comunicação é enviada, não em uma data nacional igual para todos.
Isso significa que dois mutuários inscritos no SAVE podem ter datas finais diferentes.
O que acontece com quem não escolher outro plano
Quem deixar o prazo terminar sem solicitar uma nova modalidade poderá ser inscrito automaticamente no Standard Repayment Plan ou no novo Tiered Standard Plan. A definição dependerá das características e da data de contratação dos empréstimos.
Essa transferência pode aumentar a conta mensal.
O plano padrão tradicional cobra parcelas fixas durante um período geralmente limitado a dez anos. Como a dívida precisa ser quitada mais rapidamente, o valor mensal pode ficar acima do que o mutuário pagava em um plano baseado na renda.
O Departamento de Educação apresentou um exemplo com saldo inicial de US$ 30 mil. No plano padrão de dez anos, a parcela mínima seria de aproximadamente US$ 341. No Tiered Standard, o prazo poderia chegar a 15 anos e reduzir o pagamento mensal para cerca de US$ 262.
A parcela menor não significa necessariamente uma dívida mais barata. Em geral, quanto maior o prazo, maior pode ser o total de juros pagos até a quitação.
Como funciona o novo Repayment Assistance Plan
Uma das principais alternativas ao SAVE é o Repayment Assistance Plan, conhecido como RAP. O programa entrou em vigor em 1º de julho de 2026 e calcula a parcela de acordo com a renda e o número de dependentes do mutuário.
Os pagamentos mensais variam entre 1% e 10% da renda, conforme a faixa de ganhos. O valor é reduzido em US$ 50 por dependente e não pode ficar abaixo de US$ 10.
O RAP também impede que juros mensais não cobertos pela parcela continuem aumentando o saldo, desde que o pagamento seja feito integralmente e dentro do prazo. Quando a parcela não reduz o principal da dívida em pelo menos US$ 50, o governo pode aplicar uma contribuição adicional de até US$ 50 ao principal.
No exemplo divulgado pelo Departamento de Educação, uma pessoa solteira, sem dependentes, com renda anual de US$ 45 mil e dívida de US$ 35 mil pagaria US$ 150 por mês no RAP. O pagamento indicado para um plano anterior baseado na renda seria de US$ 176.
O saldo remanescente no RAP poderá ser perdoado após 360 pagamentos mensais feitos dentro das regras, o equivalente a 30 anos. Os pagamentos elegíveis também podem contar para o Public Service Loan Forgiveness, programa destinado a determinados trabalhadores do serviço público e de organizações qualificadas.
O que muda no Tiered Standard Plan
O Tiered Standard estabelece parcelas fixas e define o prazo de acordo com o saldo principal da dívida.
Empréstimos inferiores a US$ 25 mil terão prazo de dez anos. Saldos entre US$ 25 mil e US$ 49.999 poderão ser pagos em 15 anos. Dívidas entre US$ 50 mil e US$ 99.999 terão prazo de 20 anos. Valores a partir de US$ 100 mil poderão ser distribuídos por 25 anos. A parcela mínima é de US$ 50.
A modalidade pode servir a quem prefere uma conta previsível e consegue acomodar uma parcela fixa no orçamento. Ela não ajusta automaticamente o pagamento quando a renda cai.
O IBR continua disponível para parte dos mutuários
Determinados mutuários com empréstimos feitos antes de 1º de julho de 2026 também poderão analisar o Income-Based Repayment, conhecido como IBR.
No IBR, a parcela considera a renda, o tamanho da família e a data em que a pessoa começou a contratar empréstimos federais. O cálculo geralmente corresponde a 10% ou 15% da renda discricionária, termo usado para a parcela da renda que ultrapassa um limite federal ligado ao tamanho da família.
A elegibilidade varia conforme o tipo e a data dos contratos. Por isso, o nome do plano aparecer no sistema não garante que todos os empréstimos do mutuário possam ser incluídos nas mesmas condições.
O Departamento de Educação informou que certos contratos antigos vinculados a modalidades em processo de encerramento poderão permanecer em transição até 1º de julho de 2028. Esse prazo geral não substitui os 90 dias dados especificamente a quem está saindo do SAVE.
O que o mutuário deve fazer agora
O primeiro passo é entrar na conta do Federal Student Aid e confirmar qual empresa administra cada empréstimo. A pessoa também deve verificar o e-mail, a correspondência física e a caixa de mensagens da administradora para localizar a data exata da notificação.
Depois, deve usar o simulador oficial de pagamentos para comparar a parcela mensal, o prazo de pagamento e o total estimado de juros em cada opção disponível.
A simulação precisa considerar a renda atual, o número de dependentes, o saldo da dívida e a situação conjugal. Uma parcela menor hoje pode exigir mais anos de pagamento. Uma parcela maior pode reduzir o custo total, mas comprometer aluguel, seguro, alimentação e outras despesas imediatas.
Quem escolher um plano baseado na renda poderá autorizar o Departamento de Educação a consultar informações fiscais diretamente no Internal Revenue Service, o IRS. Segundo o governo, essa autorização reduz a necessidade de enviar documentos de renda manualmente.
O pedido deve ser concluído antes da data indicada pela administradora. Após o processamento, o mutuário deve guardar a confirmação e conferir a nova tabela de pagamento.
Como a mudança afeta brasileiros nos EUA
A mudança pode alcançar brasileiros naturalizados, residentes permanentes e outras pessoas que tenham recebido empréstimos estudantis federais e estejam inscritas no SAVE. Ela não significa que todo estudante estrangeiro ou portador de visto temporário tenha acesso a esses programas.
Para famílias brasileiras que já lidam com aluguel alto, seguro de saúde, financiamento de carro e envio de dinheiro ao Brasil, uma diferença de algumas centenas de dólares na parcela pode exigir uma revisão imediata do orçamento.
Também não é seguro escolher apenas o plano com a menor prestação. O mutuário deve comparar o valor mensal com o tempo total da dívida, a proteção contra o crescimento dos juros e a possibilidade de perdão aplicável ao seu caso.
A principal providência é não ignorar a notificação. O prazo é individual, e a ausência de escolha transfere ao sistema a decisão sobre qual plano será aplicado.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Esta matéria utilizou informações do Departamento de Educação dos Estados Unidos, do Federal Student Aid e da Edfinancial Services, administradora oficial de empréstimos federais. Os dados sobre o encerramento do SAVE, o prazo de 90 dias, o RAP e o Tiered Standard foram consultados em julho de 2026.
Transparência Editorial
O Vou pra América reescreveu integralmente as informações das fontes oficiais e não recebeu pagamento para citar planos ou administradoras. Os exemplos de parcelas reproduzem simulações publicadas pelo Departamento de Educação e não representam uma recomendação financeira individual. A matéria segue a política editorial de utilidade prática, verificação de números e identificação das fontes.