
Projeção federal aponta déficit de psicólogos nos próximos anos
Os Estados Unidos podem enfrentar escassez de psicólogos nas próximas décadas, segundo projeção divulgada pela Health Resources and Services Administration (HRSA), agência federal ligada ao Departamento de Saúde americano.
No cenário traçado pela agência, o país terá déficit estimado de 99.840 psicólogos em equivalente de tempo integral até 2038. O cálculo considera o padrão atual de uso dos serviços de saúde mental.
A HRSA também avaliou um cenário mais amplo, incluindo a chamada “unmet need”, expressão usada para definir a demanda reprimida por atendimento psicológico. Nesse recorte, a necessidade sobe para mais 136.350 profissionais adicionais até 2038.
O estudo considera fatores como dificuldade de acesso, filas, custo dos atendimentos e ausência de profissionais em determinadas regiões.
Crescimento da demanda aparece também no mercado de trabalho
Os números da HRSA acompanham uma tendência já observada em relatórios do Bureau of Labor Statistics (BLS), órgão responsável pelas estatísticas do mercado de trabalho nos EUA.
Segundo o Occupational Outlook Handbook, psicólogos tiveram salário mediano anual de US$ 94.310 em maio de 2024. O BLS também projetou crescimento de 6% no emprego da categoria entre 2024 e 2034.
A estimativa prevê cerca de 12.900 vagas abertas por ano no período, somando expansão do mercado e reposição de profissionais que deixam a atividade.
Os dados, porém, reúnem diferentes áreas de atuação, como clínica, escolas, pesquisa acadêmica e setor corporativo.
Exercício da profissão depende de licença estadual
Apesar da demanda crescente, atuar como psicólogo nos Estados Unidos exige autorização específica em grande parte dos estados.
O diploma, sozinho, normalmente não permite atendimento clínico nem o uso profissional do título em determinadas funções. As regras variam conforme o estado e geralmente incluem validação acadêmica, horas de supervisão e aprovação em exames.
O próprio BLS destaca que os requisitos de licenciamento mudam de acordo com a legislação estadual e o tipo de atividade exercida.
Para profissionais formados fora dos EUA, o processo pode levar anos e envolve adaptação documental, análise curricular e cumprimento de etapas supervisionadas.
Mercado aquecido não elimina barreiras de entrada
Especialistas da área apontam que déficit de profissionais não significa acesso automático ao mercado.
Em muitos estados, a demanda é maior justamente em regiões com falta de profissionais licenciados ou com dificuldade de retenção de trabalhadores da saúde mental. Também há carência de atendimento bilíngue e de cobertura por planos de saúde.
Ainda assim, o processo regulatório continua sendo uma das principais barreiras para quem pretende atuar legalmente no país.
Planejamento profissional e migratório seguem decisivos
A projeção da HRSA reforça a expansão estrutural da área de saúde mental nos Estados Unidos, mas o acesso às oportunidades depende de fatores regulatórios e migratórios.
Como as licenças são estaduais, profissionais interessados na área precisam verificar exigências específicas diretamente nos conselhos locais de psicologia e nos órgãos responsáveis pela regulamentação da profissão.
Além da autorização profissional, o exercício legal da atividade também depende de visto compatível com trabalho nos EUA.
HRSA, Bureau of Health Workforce: Health Workforce Projections, atualização de dezembro de 2025 (projeções 2023 a 2038). BLS, Occupational Outlook Handbook: Psychologists (pay e outlook).
Este texto usou apenas fontes rastreáveis e oficiais para os números citados (HRSA e BLS). O insumo inicial mencionava “79.160 psicólogos até 2037”. Essa combinação específica não foi confirmada nas páginas oficiais abertas durante a apuração; por isso, o texto publicou os números verificáveis do resumo da HRSA (2038, 99.840 FTE e 136.350 para unmet need) e indicou o significado do indicador.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.