EUA projetam 13,2 mil vagas anuais para fisioterapeutas até 2034

Os Estados Unidos projetam crescimento de 11% no emprego de fisioterapeutas entre 2024 e 2034. O avanço supera a média de 3% prevista para o conjunto das ocupações americanas, segundo o Bureau of Labor Statistics.
A estimativa oficial aponta cerca de 13.200 oportunidades por ano durante o período. Esse número não representa apenas novos postos de trabalho. Também inclui vagas abertas para substituir profissionais que mudam de carreira, se aposentam ou deixam a força de trabalho.
O que você precisa saber
A projeção indica um mercado aquecido, mas não garante contratação. O diploma brasileiro não concede autorização automática para exercer fisioterapia nos Estados Unidos. Cada estado controla o próprio licenciamento e pode exigir avaliação curricular, aprovação no exame nacional e outros documentos.
O crescimento está ligado, segundo o BLS, ao envelhecimento da população, à maior prevalência de doenças crônicas e à procura por tratamentos que ajudem pacientes a recuperar mobilidade após lesões, cirurgias e problemas de saúde.
Os fisioterapeutas americanos trabalham principalmente em consultórios e clínicas, hospitais, atendimento domiciliar e instituições de cuidados residenciais. A ocupação registrou salário mediano anual de US$ 101.020 em maio de 2024, de acordo com a mesma base federal. Salário mediano significa que metade dos trabalhadores recebeu mais que esse valor e a outra metade recebeu menos.
Diploma brasileiro não vale automaticamente nos Estados Unidos
A perspectiva de emprego não reduz a barreira profissional enfrentada por quem concluiu a graduação fora dos Estados Unidos.
Todas as jurisdições americanas exigem licença para atuar como fisioterapeuta. A regra vale para os 50 estados, o Distrito de Columbia, Porto Rico e as Ilhas Virgens Americanas. Os critérios, porém, mudam conforme a autoridade responsável pela licença.
O primeiro passo deve ser escolher o estado onde o profissional pretende trabalhar. Essa decisão define quais documentos serão exigidos, qual agência poderá avaliar o diploma e quais etapas adicionais serão aplicadas.
Profissionais formados em programas americanos credenciados pela Commission on Accreditation in Physical Therapy Education seguem uma rota acadêmica própria. Quem estudou no Brasil precisa demonstrar que a formação recebida é substancialmente equivalente ao padrão aceito pela jurisdição escolhida.
A análise costuma considerar histórico escolar, disciplinas cursadas, carga horária, conteúdo clínico e documentos enviados pela instituição de ensino. A Federação de Conselhos Estaduais de Fisioterapia informa que candidatos formados no exterior precisam passar por uma avaliação de credenciais educacionais.
Uma equivalência desfavorável não significa necessariamente que todo o diploma será descartado. O parecer pode identificar lacunas acadêmicas que precisem ser corrigidas. A resposta, porém, depende das regras estaduais e da avaliação individual. Não existe um processo único de validação válido para todo o país.
O exame nacional é uma das etapas centrais
O National Physical Therapy Examination, conhecido como NPTE, avalia se o candidato possui o nível de conhecimento necessário para ingressar na profissão.
A prova é administrada pela Federation of State Boards of Physical Therapy. Para receber autorização para realizá-la, o candidato precisa atender aos critérios da jurisdição onde solicita a licença. Entre os requisitos mínimos está a conclusão de um programa credenciado ou de uma formação considerada substancialmente equivalente por uma agência reconhecida.
Passar no NPTE não cria uma licença nacional. O profissional continua sujeito às regras do estado escolhido.
Algumas jurisdições podem exigir prova sobre legislação profissional local, verificação de antecedentes, comprovação de inglês, documentação migratória ou outros procedimentos. A FSBPT recomenda confirmar as regras diretamente com a autoridade estadual, porque os critérios e formulários podem mudar.
Quem pretende mudar de estado depois de licenciado também deve verificar se precisará solicitar licença por endosso e transferir o resultado do NPTE. A autorização emitida por uma jurisdição não concede automaticamente o direito de atender pacientes em outra.
Licença profissional e visto são processos diferentes
Ter autorização migratória para morar ou trabalhar nos Estados Unidos não substitui a licença estadual. Da mesma forma, avançar na avaliação do diploma não concede, por si só, permissão para trabalhar legalmente no país.
Essa separação é decisiva para brasileiros que recebem ofertas de consultorias ou recrutadores. Uma promessa de “visto para fisioterapeuta” não confirma que o candidato conseguirá exercer a profissão no estado escolhido.
O processo migratório depende do perfil do trabalhador, do empregador, da categoria de imigração e dos requisitos legais aplicáveis. A avaliação deve ser individual. Não existe um visto único que seja automaticamente o melhor para todos os fisioterapeutas.
A profissão aparece no Schedule A, Group I, lista do Departamento do Trabalho que inclui fisioterapeutas e enfermeiros profissionais. Nesses casos, um empregador pode apresentar determinadas petições de residência permanente sem cumprir o processo tradicional de certificação trabalhista usado em outras ocupações.
Isso não significa aprovação automática. O empregador e o profissional ainda precisam comprovar os requisitos da categoria migratória, apresentar a documentação exigida e passar pela análise do U.S. Citizenship and Immigration Services.
Nas petições baseadas no Schedule A, o fisioterapeuta também deve apresentar prova relacionada à licença ou à capacidade de exercer a profissão conforme as regras federais e estaduais aplicáveis. A inclusão da profissão na lista reconhece uma necessidade do mercado, mas não elimina o controle profissional.
O que o fisioterapeuta brasileiro deve fazer primeiro
O ponto de partida não deve ser a compra de um pacote migratório. O profissional precisa definir onde pretende morar e consultar o conselho de fisioterapia daquela jurisdição.
Em seguida, deve confirmar qual agência de avaliação de credenciais é aceita, quais documentos precisam ser enviados diretamente pela universidade brasileira e qual ferramenta curricular será aplicada ao caso.
Também é necessário verificar a elegibilidade para o NPTE, as regras de inglês, os custos oficiais e as exigências posteriores à prova. Só depois dessa análise será possível estimar prazo, investimento e eventuais disciplinas complementares.
A estratégia migratória deve caminhar em paralelo, sem ser confundida com a licença. Antes de pagar por recrutamento, tradução, avaliação acadêmica ou serviço jurídico, o candidato deve exigir contrato, escopo do trabalho, política de reembolso e identificação das entidades envolvidas.
A projeção de 13.200 oportunidades anuais mostra que existe demanda. Para o brasileiro, a oportunidade começa com a escolha correta do estado e com a conferência das exigências oficiais. O anúncio de vagas, sozinho, não transforma formação estrangeira em licença americana.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Dados de emprego, salário e projeção: U.S. Bureau of Labor Statistics. Regras gerais de licença, avaliação educacional e NPTE: Federation of State Boards of Physical Therapy. Informações sobre Schedule A: USCIS Policy Manual e U.S. Department of Labor.
Transparência Editorial
Esta matéria foi produzida com base em informações oficiais consultadas em 30 de julho de 2026. As exigências de licenciamento variam por jurisdição e podem ser atualizadas. O conteúdo tem finalidade jornalística e não substitui análise jurídica, migratória ou profissional individual. O insumo original informou que a média de crescimento de todas as ocupações seria de aproximadamente 4%. A projeção vigente do BLS para o período de 2024 a 2034 é de 3%. A matéria também não reproduziu a afirmação de que determinados estados concentram a maior parte das novas oportunidades, porque o insumo não apresentou projeções estaduais comparáveis.