EUA passam de 2,3 mil casos de sarampo e registram maior total desde 1991

Os Estados Unidos registraram 2.318 casos confirmados de sarampo em 2026 até 23 de julho. O total superou os 2.289 casos de todo o ano de 2025 e colocou o país diante do maior número anual desde 1991, mesmo faltando mais de cinco meses para o fim do ano.
Os casos foram identificados em 45 jurisdições americanas. Do total, 2.302 ocorreram entre residentes dos Estados Unidos e 16 envolveram visitantes internacionais, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, o CDC.
A agência também confirmou 35 novos surtos em 2026. Um surto é definido pelo CDC como três ou mais casos relacionados. Cerca de 93% das infecções registradas neste ano estão ligadas a surtos, o equivalente a 2.153 pacientes.
Os números são preliminares e podem ser revisados. O CDC atualiza o levantamento semanalmente com os casos confirmados enviados pelos departamentos estaduais e locais de saúde até o meio-dia de cada quinta-feira.
Por que os casos continuam aumentando
O sarampo havia sido considerado eliminado dos Estados Unidos em 2000. Isso significava que o vírus já não circulava continuamente dentro do país, embora casos importados ainda pudessem provocar surtos localizados.
A proteção coletiva, porém, depende de taxas elevadas de vacinação. Segundo o CDC, a cobertura da vacina MMR entre crianças do kindergarten, equivalente ao primeiro ano da escola elementar, caiu de 95,2% no período escolar de 2019 a 2020 para 92,5% em 2024 a 2025.
A redução deixou cerca de 286 mil crianças dessa etapa escolar vulneráveis ao sarampo no ano letivo de 2024 a 2025. A média nacional também esconde áreas com índices muito menores, onde grupos de pessoas não vacinadas vivem, estudam ou circulam próximas umas das outras.
O vírus se espalha pelo ar quando uma pessoa infectada tosse ou espirra. Também é possível contrair a doença ao entrar em um ambiente onde o paciente esteve pouco antes. Por isso, escolas, acampamentos, igrejas, aeroportos e reuniões familiares podem acelerar a transmissão quando há pessoas sem imunidade.
Viagens internacionais representam outro ponto de atenção. O sarampo continua circulando em diferentes partes do mundo e pode ser trazido aos Estados Unidos por residentes que se infectaram no exterior. O CDC afirma que a maioria dos casos importados envolve moradores dos EUA que não estavam vacinados, e não turistas estrangeiros.
O que as famílias brasileiras devem conferir
A vacina MMR protege contra sarampo, caxumba e rubéola. No Brasil, ela é conhecida como tríplice viral.
Uma dose tem eficácia estimada de 93% contra o sarampo. Duas doses aumentam essa proteção para cerca de 97%, segundo o CDC. Casos entre pessoas vacinadas podem acontecer, mas são considerados raros.
Pais de crianças matriculadas nos Estados Unidos devem consultar o registro estadual de imunização, o pediatra ou a escola para confirmar se as doses estão documentadas. Uma fotografia da caderneta brasileira pode não ser aceita em todos os procedimentos. O profissional de saúde poderá avaliar o histórico, converter as informações para o padrão americano e indicar se alguma dose está faltando.
O esquema de rotina recomendado pela Academia Americana de Pediatria prevê a primeira dose entre 12 e 15 meses e a segunda entre 4 e 6 anos. Regras escolares e critérios para isenções variam conforme o estado.
Adultos que não sabem se foram vacinados também devem procurar uma clínica ou profissional de saúde. A necessidade de nova dose depende da idade, do histórico médico, da documentação disponível e do risco de exposição.
Gestantes e pessoas com determinadas condições que comprometem o sistema imunológico não devem receber a vacina sem avaliação médica, porque a MMR contém vírus vivos enfraquecidos.
Quais sintomas exigem atenção
Os primeiros sinais podem incluir febre alta, tosse, coriza e olhos avermelhados. Pequenas manchas brancas podem aparecer dentro da boca. Depois, surge uma erupção avermelhada que geralmente começa no rosto e se espalha para o tronco e para outras partes do corpo.
Quem apresentar sintomas e suspeitar de sarampo não deve chegar sem aviso a uma sala de espera, clínica ou pronto atendimento. O correto é telefonar antes. Isso permite que a unidade prepare uma área de isolamento e evite a exposição de bebês, gestantes, pessoas imunossuprimidas e pacientes sem vacinação completa.
O CDC orienta que pacientes infectados permaneçam isolados durante quatro dias após o aparecimento das manchas. Casos suspeitos devem ser comunicados ao departamento de saúde local e confirmados por exames laboratoriais.
Críticas à resposta do governo
A Academia Americana de Pediatria pediu, em fevereiro, que o secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., promovesse publicamente a vacinação contra o sarampo e enviasse mais apoio federal às áreas afetadas.
O presidente da entidade, Andrew D. Racine, afirmou em carta que autoridades federais deveriam utilizar todos os recursos disponíveis para conter a transmissão e proteger crianças vulneráveis.
A existência da cobrança não comprova, por si só, que decisões específicas do governo tenham causado o aumento dos casos. A queda da cobertura vacinal começou antes da atual administração e varia entre estados e comunidades.
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos mantém orientação pública favorável à imunização contra o sarampo. A página oficial do órgão afirma que a vacina reduziu em mais de 99% os casos da doença nos Estados Unidos e reconhece a MMR como forma de prevenção para crianças e adultos.
O que fazer agora
Brasileiros que vivem nos Estados Unidos devem localizar seus registros de vacinação, conferir as doses dos filhos e procurar orientação médica antes de viagens internacionais. A cautela precisa ser maior em famílias com bebês, gestantes ou pessoas com imunidade comprometida.
Quem não possui seguro saúde pode consultar o departamento de saúde do condado, clínicas comunitárias ou programas estaduais de vacinação. Crianças elegíveis também podem receber vacinas pelo programa federal Vaccines for Children, que atende famílias sem seguro ou com cobertura insuficiente.
A principal medida não é esperar que apareça um caso na escola ou no bairro. É confirmar agora se a proteção está completa e manter os documentos acessíveis.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
A apuração utilizou dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, orientações clínicas do CDC para profissionais de saúde, informações do Departamento de Saúde e Serviços Humanos e manifestação da Academia Americana de Pediatria. Dados nacionais atualizados em 24 de julho de 2026, referentes aos casos confirmados até 23 de julho de 2026.
Transparência Editorial
O insumo original foi uma publicação no Instagram. O Vou pra América não utilizou a postagem como fonte de confirmação. Números, recomendações médicas e manifestações institucionais foram confrontados com páginas oficiais e documentos rastreáveis. A afirmação de que o governo causou o surto não foi incluída porque as fontes consultadas não demonstram relação causal. O texto registra a cobrança feita pela Academia Americana de Pediatria e apresenta separadamente a orientação oficial do governo. Este conteúdo tem finalidade jornalística e não substitui avaliação médica individual.