EUA mudam testes de inglês para profissionais estrangeiros da saúde

Jacy Abreu8 de julho de 2026Imigração
EUA mudam testes de inglês para profissionais estrangeiros da saúde

O governo dos Estados Unidos atualizou os testes e as notas mínimas de inglês usados na certificação de trabalhadores estrangeiros da saúde. A mudança foi aprovada em 12 de maio de 2026 pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA e aparece em alerta do USCIS atualizado em 29 de junho. (uscis.gov)

A nova tabela foi publicada pela HRSA, agência federal ligada ao HHS. Ela lista os exames aceitos e separa as pontuações por categoria profissional, incluindo terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, enfermeiros registrados, outros profissionais de saúde com bacharelado e trabalhadores abaixo do nível de bacharelado.

Para brasileiros da saúde, a mudança exige atenção antes de pagar prova, curso preparatório ou processo de certificação. O exame aceito para uma categoria pode não ser suficiente para outra. A nota mínima também muda conforme a profissão.

Quem é afetado pela mudança

A atualização interessa a profissionais formados fora dos Estados Unidos que precisam comprovar inglês dentro do processo de certificação para trabalhar legalmente em ocupações de saúde cobertas pela regra migratória americana.

A TruMerit, antiga CGFNS, informa que o VisaScreen é exigido para profissionais específicos da saúde que buscam visto ocupacional temporário ou permanente para trabalhar nos EUA. A lista inclui enfermeiros registrados, enfermeiros práticos ou vocacionais, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, physician assistants, audiologistas, fonoaudiólogos, técnicos de laboratório clínico e cientistas de laboratório clínico.

Esse ponto evita uma confusão comum entre brasileiros. A regra não deve ser tratada como uma mudança geral para todos os profissionais da saúde. Médicos, por exemplo, seguem caminhos próprios de validação, residência, licenciamento estadual e imigração. A tabela da HRSA trata dos trabalhadores estrangeiros da saúde cobertos pela certificação descrita no processo do USCIS.

O que é a certificação de trabalhador da saúde

A Health Care Worker Certification é uma etapa exigida para determinadas profissões da saúde antes da emissão de certos vistos ocupacionais. Ela não é a mesma coisa que visto, green card, licença estadual ou autorização automática para trabalhar.

O próprio HRSA afirma que possuir um certificado que comprove os padrões atualizados de inglês não estabelece, sozinho, a elegibilidade da pessoa para entrar nos Estados Unidos nem constitui autorização profissional para exercer a ocupação de saúde. A agência diz que a lista atualizada descreve apenas um aspecto dos processos administrados pelo DHS e pelo USCIS.

Na prática, o inglês é uma parte do caminho. O profissional ainda pode precisar de avaliação de diploma, validação de licenças, prova profissional, patrocinador, petição migratória, visto, autorização de trabalho e licença estadual, dependendo da profissão e do estado onde pretende atuar.

Para um enfermeiro brasileiro, por exemplo, passar no exame de inglês não significa estar autorizado a exercer enfermagem nos EUA. O processo pode envolver avaliação educacional, NCLEX ou outro requisito da categoria, aprovação no board estadual e etapa migratória. O mesmo raciocínio vale para fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e outras profissões reguladas.

Quais testes aparecem na nova tabela

A tabela da HRSA, válida a partir de 12 de maio de 2026, inclui exames como Cambridge English, TOEFL, IELTS, Michigan English Test, Occupational English Test e Pearson PTE. As notas exigidas variam por profissão e por nível de formação.

O IELTS, por exemplo, aparece com exigência de nota geral e nota específica em speaking. Para terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, enfermeiros registrados e outros profissionais de saúde com bacharelado, a tabela da HRSA indica 6.5 no overall e 7 em speaking. Para trabalhadores abaixo do nível de bacharelado, a tabela indica 6 no overall e 7 em speaking.

O MET, Michigan English Test, também aparece na lista. A tabela indica 58 no overall e 59 em speaking para terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, enfermeiros registrados e outros profissionais de saúde com bacharelado. Para trabalhadores abaixo do nível de bacharelado, a tabela indica 53 no overall e 59 em speaking.

O ponto mais importante não é decorar uma nota isolada. O candidato precisa conferir a tabela oficial com a própria profissão em mente. Uma nota que serve para uma categoria pode não servir para outra.

O que mudou para quem já tinha feito prova

A TruMerit informou que exames feitos antes de 12 de maio de 2026 seguem os critérios anteriores. Exames feitos em 12 de maio de 2026 ou depois dessa data passam a ser avaliados pelas novas regras da HRSA. (trumerit.org)

A organização também informou que não aceitará mais o TOEIC para VisaScreen depois da data de implementação, porque o exame deixou de aparecer na lista atualizada da HRSA.

Essa é uma das informações mais importantes para brasileiros em fase de planejamento. Quem estudou para um teste específico, comprou material antigo ou recebeu orientação antes de maio de 2026 precisa revisar o plano. A escolha errada pode gerar gasto desnecessário e atraso no processo.

Também há atenção para versões de exames. A TruMerit informa em sua página de VisaScreen que não aceita versões feitas em casa dos exames de proficiência em inglês. O candidato deve confirmar a modalidade aceita antes de agendar a prova.

Por que isso afeta o bolso do brasileiro

A mudança não pesa apenas no processo migratório. Ela pesa no orçamento.

Prova de inglês, curso preparatório, tradução, envio de documentos, avaliação de diploma e certificação podem custar caro. Quando o candidato escolhe o exame errado ou usa uma tabela antiga, ele corre o risco de pagar duas vezes, perder prazo ou atrasar uma oportunidade de trabalho.

O erro mais comum é tratar o inglês como uma etapa separada do projeto de imigração. Na prática, ele precisa estar alinhado à profissão, à certificadora, ao tipo de visto, ao estado onde a pessoa pretende trabalhar e ao prazo do empregador.

Outro erro é acreditar que uma nota alta em inglês resolve o processo inteiro. Não resolve. A nota ajuda a cumprir uma exigência. Ela não substitui licença profissional, sponsor, petição migratória ou autorização de trabalho.

O que fazer antes de pagar a prova

O primeiro passo é confirmar se a sua profissão exige Health Care Worker Certification para o caminho migratório pretendido. Essa checagem deve ser feita antes de comprar curso, pagar exame ou contratar serviço de documentação.

O segundo passo é identificar qual certificadora será usada. A TruMerit afirma ser autorizada pelo USCIS para emitir certificações de trabalhador da saúde para as nove profissões identificadas em sua página de VisaScreen. Dependendo da profissão, podem existir exigências específicas de documentos e avaliação.

O terceiro passo é abrir a tabela oficial da HRSA e conferir o teste aceito para sua categoria profissional. Não basta perguntar em grupos ou usar informação antiga de conhecidos. A tabela válida para exames feitos a partir de 12 de maio de 2026 é a referência atual.

O quarto passo é verificar a modalidade do exame. Provas presenciais, remotas e versões alternativas podem ter regras diferentes. A página da certificadora deve ser conferida antes do agendamento.

O quinto passo é alinhar o prazo da prova com o restante do processo. Fazer o exame cedo demais pode criar problema se o resultado expirar antes de ser usado. Fazer tarde demais pode atrasar certificação, entrevista, oferta de emprego ou petição.

Atenção para promessas fáceis

Brasileiros da saúde devem desconfiar de anúncios que prometem trabalho garantido nos EUA apenas com inglês. A exigência de idioma é real, mas é só uma das etapas.

Também é preciso cuidado com cursos ou consultorias que usam tabelas antigas. Desde maio de 2026, a referência oficial mudou. Quem vende preparação deve informar claramente para qual exame, qual profissão e qual regra está preparando o aluno.

A mesma cautela vale para promessas sobre médicos brasileiros. A atualização da HRSA não deve ser usada como atalho para dizer que médicos estrangeiros tiveram caminho facilitado. O processo de médicos nos EUA envolve regras próprias, como licenciamento estadual, residência, certificação e vias migratórias específicas.

Como a mudança entra no plano de imigração

Para quem ainda está no Brasil, a orientação é organizar o processo por etapas. Primeiro, identificar a profissão nos EUA e o estado pretendido. Depois, confirmar a exigência de licença estadual. Em seguida, verificar se há necessidade de certificação migratória. Só então escolher o exame de inglês.

Para quem já está nos EUA, o cuidado é com status migratório e prazo. Estar fisicamente no país não autoriza trabalho na área da saúde sem permissão adequada. O profissional precisa confirmar se tem autorização para trabalhar, se o empregador pode patrocinar o processo e se a certificação será aceita no caminho escolhido.

Para quem já fez prova antes de 12 de maio de 2026, a orientação é consultar a certificadora antes de repetir o exame. A TruMerit informou que resultados anteriores à data serão analisados pelos critérios anteriores, mas cada caso depende do processo e da documentação apresentada.

O candidato deve manter cópias do resultado do exame, comprovante da data da prova, confirmação da modalidade usada, página oficial da tabela vigente no dia do exame e comunicações da certificadora. Esses documentos ajudam a resolver dúvidas se houver contestação ou mudança de regra.

Também é recomendável guardar e-mails de escolas, empregadores, recrutadores e certificadoras. Em processos migratórios e profissionais, datas importam. Uma orientação recebida antes de maio de 2026 pode estar desatualizada depois da mudança.

O que muda na prática

A mudança obriga o profissional estrangeiro da saúde a planejar melhor. O inglês deixou de ser uma etapa que pode ser decidida apenas pelo teste mais barato, mais conhecido ou mais fácil de agendar.

Agora, a escolha precisa partir de três perguntas: qual é a minha profissão segundo a regra americana, qual certificação meu caminho exige e qual teste aparece como aceito para minha categoria na tabela da HRSA.

Quem responder essas perguntas antes de pagar a prova reduz risco de prejuízo. Quem ignorar a atualização pode perder dinheiro, prazo e oportunidade.

Brasileiros da saúde que pretendem trabalhar nos EUA devem revisar o plano com um advogado de imigração, uma certificadora reconhecida e, quando necessário, o board profissional do estado onde pretendem atuar. O diretório do Vou pra América reúne profissionais que podem orientar essa etapa com mais segurança.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

Esta matéria foi produzida com base na página oficial do USCIS sobre Health Care Worker Certification, na tabela da HRSA Updated list of Tests and Scores for Foreign Health Care Workers, na página da TruMerit sobre VisaScreen e no comunicado da TruMerit sobre novos exames e notas de proficiência em inglês.

Transparência Editorial

O Vou pra América verificou o fato central em fontes oficiais do governo americano e em página pública da TruMerit, organização autorizada pelo USCIS para emissão de certificações em profissões de saúde cobertas pelo VisaScreen. A matéria não afirma que a aprovação em teste de inglês garante visto, entrada nos EUA, emprego ou licença profissional. O texto tem finalidade informativa e não substitui consulta jurídica, avaliação de certificadora ou orientação do board profissional estadual. Apuração fechada em 7 de julho de 2026.

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