EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho

Jacy Abreu17 de julho de 2026Economia
EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho

Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil. A medida entra em vigor às 0h01 de 22 de julho de 2026, no horário da Costa Leste americana, e contém uma extensa lista de mercadorias isentas.

A decisão foi publicada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, após uma investigação aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Segundo o governo americano, a apuração concluiu que determinadas políticas brasileiras restringem ou prejudicam empresas, produtores e trabalhadores dos Estados Unidos. O Brasil rejeitou essas acusações e anunciou que iniciará os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica.

Quais produtos terão a tarifa de 25%

A regra oficial estabelece a cobrança sobre importações brasileiras, com exceções identificadas nos anexos publicados pelo USTR. Entre os produtos atingidos estão açúcar, roupas, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos, papel e determinados itens de aço.

A tarifa é adicional. Isso significa que ela pode ser somada ao imposto aduaneiro que já incide sobre determinada mercadoria, conforme a classificação do produto no sistema tarifário americano.

O valor exato precisa ser verificado pelo código HTS, sigla para Harmonized Tariff Schedule. Esse código identifica a categoria da mercadoria e determina as alíquotas aplicáveis na entrada nos Estados Unidos.

O documento do USTR tem 138 páginas e reúne centenas de códigos e descrições técnicas. Por isso, empresas não devem decidir apenas pelo nome comercial do produto. Duas mercadorias semelhantes podem receber classificações aduaneiras diferentes.

Café, carne e suco de laranja foram poupados

A lista de exceções inclui produtos com peso relevante no comércio entre os dois países e no consumo americano. Café, carne bovina, laranja, suco de laranja, produtos energéticos, terras raras, aeronaves e peças aeronáuticas ficaram fora da nova cobrança.

O USTR afirmou que as exceções consideraram fatores como falta de produção doméstica suficiente, risco de desabastecimento, aumento de custos e possíveis problemas para cadeias produtivas dos Estados Unidos.

A decisão reduz o risco de aumento imediato, provocado especificamente por essa tarifa, em alguns dos produtos brasileiros mais consumidos nos Estados Unidos.

Isso não significa que os preços permanecerão estáveis. Câmbio, transporte, seguro, custos de distribuição e outras tarifas continuam afetando o valor cobrado no varejo.

Também não é correto afirmar que todos os produtos brasileiros ficarão 25% mais caros. A tarifa incide na importação, mas o repasse ao consumidor depende da margem do importador, dos contratos existentes e da possibilidade de trocar fornecedores.

Quem paga a cobrança nos Estados Unidos

A responsabilidade inicial pelo recolhimento da tarifa é do importador registrado nos Estados Unidos. Mesmo quando uma empresa utiliza um despachante aduaneiro, ela continua responsável pela classificação, pela documentação e pela exatidão das informações enviadas à alfândega americana.

Um distribuidor que compra US$ 40 mil em mercadorias incluídas na medida pode enfrentar US$ 10 mil em tarifa adicional, antes de considerar eventuais impostos já existentes, frete e despesas de desembaraço.

Esse exemplo representa apenas o cálculo direto de 25% sobre o valor aduaneiro. A cobrança real depende da classificação, da origem comprovada, do valor declarado e de outras regras aplicáveis à operação.

O importador pode absorver a despesa, renegociar o preço com o fornecedor brasileiro, reduzir a quantidade comprada ou transferir parte do custo ao consumidor. Também pode procurar produtos fabricados em outros países.

Para pequenos negócios, uma cobrança inesperada pode comprometer o capital de giro. Lojas, restaurantes, distribuidores e empresas de comércio eletrônico que trabalham com mercadorias brasileiras precisam revisar os pedidos que chegarão após a entrada em vigor da medida.

O que muda para negócios brasileiros nos EUA

Empresários brasileiros que importam produtos devem identificar o HTS code de cada item e comparar o código com os anexos da decisão do USTR. A Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos mantém uma ferramenta oficial de pesquisa da tabela tarifária.

Também é necessário confirmar quem aparece como importer of record, o importador legalmente responsável pela entrada da mercadoria. Em algumas operações, essa função pertence ao distribuidor. Em outras, pode ser assumida pelo comprador ou por uma empresa ligada ao exportador.

Contratos devem ser revisados para verificar quem responde por novas tarifas. Termos comerciais, conhecidos como Incoterms, podem definir qual parte assume transporte, seguro, desembaraço e tributos.

Pedidos em trânsito merecem atenção. O documento oficial determina que a tarifa alcance produtos registrados para consumo ou retirados de armazéns alfandegados a partir das 0h01 de 22 de julho. A data do embarque no Brasil, isoladamente, não garante a isenção.

A empresa deve pedir ao despachante uma estimativa por escrito do custo total da importação antes de autorizar o envio ou retirar a carga. A classificação incorreta pode gerar cobrança retroativa, multa e retenção da mercadoria.

Por que os Estados Unidos adotaram a tarifa

A investigação americana analisou comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, aplicação de regras anticorrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

O USTR afirmou que determinadas práticas brasileiras são discriminatórias ou prejudicam o comércio americano. O órgão informou que realizou duas audiências públicas, recebeu mais de 360 comentários e manteve negociações com o Brasil antes da decisão.

Essas conclusões representam a posição oficial do governo dos Estados Unidos. O governo brasileiro contestou a investigação e afirmou que nunca abandonou as negociações.

Em nota reproduzida pela Associated Press, o Brasil declarou que 76% das importações americanas entraram no país sem tarifa em 2025 e que a alíquota média efetivamente aplicada aos produtos dos Estados Unidos foi de 3,1%.

Brasil prepara resposta comercial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a medida como injustificada e anunciou o início dos procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica.

A legislação permite que o Brasil adote contramedidas quando outro país impõe barreiras consideradas prejudiciais às exportações brasileiras. O governo também informou que pretende avaliar a disputa no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.

O anúncio não significa que produtos americanos já receberam novas tarifas no Brasil. A abertura do procedimento antecede uma eventual decisão sobre quais medidas serão aplicadas.

Uma retaliação pode aumentar custos nos dois países, mas ainda não existe uma lista oficial de mercadorias americanas que seriam atingidas.

O que fazer antes de importar

Empresas com cargas programadas devem enviar ao despachante aduaneiro a descrição completa do produto, composição, finalidade, país de origem, valor comercial e código HTS utilizado anteriormente.

O código deve ser conferido diretamente na tabela oficial e nos anexos do USTR. Uma descrição genérica como “alimento brasileiro”, “peça industrial” ou “produto de beleza” não permite determinar se a mercadoria está isenta.

O empresário também precisa calcular o efeito da tarifa sobre a margem de lucro. Uma operação que parecia rentável com um custo de US$ 100 por unidade pode deixar de ser viável quando transporte, armazenagem e imposto adicional entram na conta.

A decisão comercial não deve se limitar ao aumento de preços. Reduzir embalagens, renegociar lotes, consolidar fretes e revisar fornecedores são alternativas que precisam ser comparadas com os custos de romper contratos ou perder estoque.

O consumidor brasileiro nos Estados Unidos deve observar quais produtos foram realmente incluídos antes de antecipar compras. Café, carne bovina e suco de laranja estão entre as exceções confirmadas. Produtos industrializados e mercadorias de nicho exigem verificação individual.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

A matéria utilizou o comunicado oficial do USTR, o aviso completo com os anexos tarifários, a tabela tarifária oficial dos Estados Unidos, orientações da alfândega americana para importadores, além de apurações da Reuters e da Associated Press.

Transparência Editorial

Esta matéria foi atualizada em 16 de julho de 2026. O texto distingue as conclusões da investigação americana da posição apresentada pelo governo brasileiro. A afirmação inicial de que menos de 20% das exportações brasileiras seriam afetadas foi retirada porque não foi localizada uma memória de cálculo pública que sustentasse esse percentual. A Reuters informou que as exceções cobrem cerca de US$ 11 bilhões anuais em comércio, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, mas esse número não permite concluir, isoladamente, qual proporção de todas as exportações ficará sujeita à tarifa. A apuração seguiu a política de verificação e o filtro anti-thin content do Vou pra América.

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